Autoconhecimento

O mito da caverna e a verdade absoluta

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O filme Matrix, lançado em 1999 e dirigido pelos irmãos Wachowski, além de efeitos especiais inovadores para a época, trouxe também reflexões filosóficas de como seria o mundo futurístico no qual máquinas teriam vencido os homens, dominando a superfície terrestre. A história propõem que, na verdade, o mundo conhecido por nós é um programa de computador, ou seja, tudo seria uma simulação criada e controlada pelas máquinas. O mundo real teria sido devastado nessa guerra entre homens e máquinas, em que a maioria de nós viveríamos meio que em um estado de “hibernação”, servindo de fonte de energia para essa inteligência artificial. Essa existência simulada seria a Matrix e o filme aborda a transição de um homem desse mundo fictício para o dramático mundo real. Apesar de incrível, a base dessa história tem raízes muito mais antigas.

A trilogia foi um sucesso, embora os dois filmes seguintes não tenham superado a repercussão do primeiro. Se você já assistiu, fica a recomendação para ler o livro Neuromancer (1984), escrito pelo estadunidense William Gibson, que é a principal fonte do enredo descrito por Matrix. Se o enredo tem como base um livro dos anos 80, a discussão filosófica de que não estamos vivendo realmente no mundo real é milenar.

mito da cavernaNo século IV a.C., Platão (428 – 348 a.C), um dos percursores da filosofia, escreveu seu livro intitulado “A República”. Nesta obra narrada em primeira pessoa pelo seu mestre Sócrates, Platão escreve sobre o mito da caverna. A história fala sobre um grupo de prisioneiros que desde o nascimento estão amarrados dentro de uma caverna. A única visão deles era uma parede iluminada por uma fogueira e só conseguiam ver reflexos da sombra de estátuas. Pelo fato de não conseguirem sair da caverna, esses homens projetavam explicações para explicar o que eram essas sombras, fato que tinha grande importante para o cotidiano deles.

Quando um desses homens consegue escapar, percebe que a fogueira era responsável pelas sombras  das estátuas. Maravilhado pelas descobertas que fez no mundo fora da caverna, esse homem retorna para oferecer a verdade aos seus amigos. Pelo fato de nunca terem saído da caverna, os seus amigos não conseguem compreender as novidades trazidas pelo fugitivo. A verdade trazida por ele é rejeitada pelos outros prisioneiros, que não aceitam a realidade e ameaçam matá-lo se insistir em desmentir aquilo que acreditaram por toda a vida.

matrixSem os efeitos especiais alucinantes de Matrix, a moral das três histórias, também de Neuromancer e do mito da caverna, é essencialmente a mesma: e se tudo o que você aprendeu for mentira? Mais importante do que isso: como você lida com uma nova informação que contraria tudo aquilo que você acredita? Não é por acaso que as pessoas vivem intolerantes umas com as outras, afinal a verdade é um dado de múltiplas faces. Todos nós, metaforicamente falando, estamos presos dentro de cavernas em relação a alguns assuntos. Devemos estar sempre abertos para aprendermos novas coisas, mesmo que possa defrontar aquilo que definíamos como verdade absoluta até aquele momento. Como disse o cientista Albert Einstein, uma mente que se expande jamais volta ao seu tamanho original.


  • Texto escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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