Energia em Equilíbrio Yoga

O poder da tolerância

Pedro Kupfer
Escrito por Pedro Kupfer
O mundo louco que vivemos pede jogo de cintura. Mas não daquele jogo de cintura em que existe malandragem. Com o Yoga aprendemos que a nossa capacidade de sermos flexíveis e de conseguirmos nos adequar a diferentes coisas com felicidade é uma atitude positiva, e, portanto, não tem nada a ver com submissão, nem mesmo com um estado de indiferença à realidade das coisas. Ou seja, ser flexível, ser maleável é lidar e aceitar com calma as situações que não podemos mudar. A partir disto, passamos a esquecer a ideia de que o mundo deve nos dar aquilo que queremos e assim, adaptamo-nos às situações, às pessoas, ao mundo como um todo, isso tudo sem perder a alegria, o contentamento.

Quando cultivamos esta virtude, conseguimos aquilo que é essencial para a construção de relacionamentos saudáveis, cheios de paz, duradouros e que nos dão espaço para o crescimento mútuo. Para chegar neste ponto é preciso primeiro compreender como é esse relacionamento, entendendo que dificilmente encontraremos todas as virtudes que esperamos numa pessoa só, afinal, todas as pessoas têm muitas virtudes e muito outros defeitos e, quando nos relacionamos com elas, não existem maneiras de evitar essas características.

shutterstock_254653765-2E é importante notar também, que este pensamento é verdadeiro em relação a nós: ninguém irá aceitar 100% daquilo que somos.

Se você consegue reconhecer estes fatos, irá compreender que em quaisquer relacionamentos é preciso que haja adaptação, seja em maior ou menor grau. Por vezes podemos não corresponder às expectativas que os demais têm em relação a nós. Tampouco os outros nem sempre estarão dispostos a se adaptar àquilo que gostamos ou não.

Os maiores desafios nos relacionamentos acontecerão quando aquilo que não gostamos precisar ser trabalhado. Se for possível colocar uma distância entre esta aversão e você, ou então, se você conseguir mudar algo em relação a isso, a questão será resolvida. No entanto, isso é impossível de ser feito na maioria das vezes. Nessa situação é que deve entrar a atitude da alegre tolerância.

Em outras palavras, a solução está em aceitar o outro como ele é. Não aja como se as pessoas ou as coisas precisassem mudar porque é assim que você quer. Afinal, a realidade da vida não é essa. É fato: quando esperamos que alguém mude, essa pessoa pode estar tendo os mesmos pensamentos em relação a nós.

Talvez a solução seja diminuir nossas expectativas em relação às pessoas que nos rodeiam. Isso é algo que fazemos espontaneamente, pois como não esperamos nada de especial delas, não iremos nos frustrar.

Este pensamento é verdadeiro em relação a nós: ninguém irá aceitar 100% daquilo que somos.

Se estendermos essa atitude a todos com quem nos relacionamos, então não haverá mais desapontamentos. Elas poderão nos surpreender, mas nunca nos desapontar. Porém é necessário ter as pessoas como aquilo que elas são, assim como conseguimos apreciar fenômenos naturais.

Pense na chuva.

Embora ela possa nos incomodar enquanto andamos pela rua, ela continua sendo uma bênção, afinal, um inverno sem chuva pode significar um verão sem água e até sem energia elétrica. Da mesma forma que as forças da natureza, as pessoas têm elementos que para nós podem significar atração ou rejeição.

Não é possível entender a chuva com algo diferente daquilo que ela é, uma vez que isso seria um pensamento tolo. Apreciemos então, a chuva como uma benção, que nos traz fertilidade e vida, da mesma forma que devemos apreciar as pessoas e perceber que as pequenas mudanças são difíceis, tanto para elas, quando para nós. Não existe outra opção se você quer fugir do sofrimento: é preciso aceitar as pessoas como elas são.

Para conseguirmos nos adaptar, é preciso responder à pessoa básica e não as ações dela, compreendendo que toda ação tem um motivo. Quando você conseguir compreender esta questão, entenderá também como lidar com a tristeza, ou até o ataque de raiva de alguma pessoa próxima a você.

Evite uma reação mecânica a estas situações, procure responder conscientemente à  pessoa básica, mantendo na mente a ideia de que somos todos idênticos. Quando você completar este entendimento, será capaz de manter a calma, pois a resolução de conflitos passa por esta compreensão e aceitação das razões que movem cada um de nós. Use o seu livre-arbítrio para aprender a ser tolerante sem perder a alegria. Ou seja, realize ações após pensar sobre elas, pois respostas mecânicas não correspondem à liberdade.

Reações assim são contrárias à sabedoria, contrárias àquilo que seria feito se você estivesse mais sereno. Atitudes mecânicas correspondem a uma falta de maturidade, que quando toma conta de nós faz com que esqueçamos tudo aquilo que aprendemos. Até que você assimile alguns valores como a não-violência e a retidão, será necessário cuidado para escolher deliberadamente suas atitudes, ações e palavras através da adaptação pacífica. Neste contentamento se fazem presentes a compaixão, a piedade, o perdão e aceitação. A aceitação de todos como são, a aceitação de nós como somos de verdade, a aceitação das coisas vida como elas são, evitando qualquer tipo de lamentação, remorso ou culpa.

Quando você chegar a esta compreensão, chegará também a uma profunda reconciliação com o mundo e consigo mesmo, expandindo o seu coração de tal maneira que consiga aceitar qualquer circunstância, da maneira que ela se apresenta.

Namaste!

 

Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

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