Autoconhecimento

Por que você deveria colocar mais tolerância em sua vida?

Aperto de mãos
Armin Rimoldi / Pexels
Escrito por Eu Sem Fronteiras

zMuito se fala que cada ser humano é único. Ao mesmo tempo, todos fazem parte de uma mesma espécie e de uma coletividade cada vez mais globalizada. Então essa singularidade em meio ao comum é capaz de conferir uma riqueza incomensurável ao que somos enquanto seres viventes no planeta.

Quando pensamos sobre todos os povos da Terra, concluímos que a diversidade está na forma de compreender a vida, no jeito de vivê-la, na filosofia e nos conceitos. Ela também é visível fisicamente, portanto ela também é estética, o que reforça ainda mais a sua grandiosidade.

Nesse sentido e considerando que há diferentes maneiras de entender o que é bom e que todas podem ser justificáveis e válidas, resta compreender como harmonizá-las numa sociedade que zele pelas liberdades individuais e ao mesmo tempo pela igualdade de direitos e oportunidades, principalmente porque somos feitos da mesma matéria e existimos no mesmo tempo-espaço, no qual deveríamos exercer nossa liberdade.

Assim, compreender a importância da tolerância é fundamental para que ela seja aplicada de modo a que todos possam usufruir de uma vida mais digna e feliz, de evolução para todos. Por isso, siga na leitura e entenda por que você deveria colocar mais tolerância em sua vida!

O que é tolerância?

As pessoas são diferentes entre si porque são únicas. Não há alguém exatamente como você. Pode ser semelhante, ter os mesmos interesses, ideias similares, nascer de uma gestação gemelar e, mesmo assim, será diferente. Seria bastante equivocado não considerar esse fato. Nesse sentido, as relações tendem a ser mais próximas, quando há semelhança entre as pessoas ou mais distantes, quando há divergência, significando atração ou rejeição.

Assim, a tolerância tem um papel fundamental e preponderante para que essas relações, no mínimo, sejam respeitosas e harmônicas. Não há como fugir do fato de que uma adaptação é necessária, até porque podemos ser alvo de rejeição de outras pessoas, individual ou coletivamente.

Três diferentes mulheres uma de frente a outra
Gabby K / Pexels

Mas, pensando sobre tolerância, temos exemplos distorcidos sobre o que ela significa. Você já ouviu falar de “Casa de Tolerância”? O termo surgiu nos anos 1940, quando se acreditava que os homens tinham mais necessidades sexuais do que as mulheres e, portanto, elas deveriam ser toleradas, justificando a existência de bordéis e prostíbulos. Então o termo tem uma conotação de suportar, aguentar e autorizar o outro a algo, sendo, inclusive neste caso específico, um significado bastante androcêntrico.

Contudo, tolerância, conforme o significado encontrado em https://www.sinonimos.com.br/tolerancia/, aborda condescendência, transigência, complacência, flexibilidade, compreensão e liberdade, conceitos mais próximos de como ela deve ser entendida e que se relacionam à nossa condição enquanto seres inteligentes.

Nos relacionamentos construtivos e de equidade, a tolerância, então, refere-se ao acolhimento, à compreensão da liberdade do outro ser diferente e não envolve a permissão de alguém ou de algum grupo em particular para que o outro seja ou faça algo. Na tolerância não deve haver supremacia.

Como ser mais tolerante?

Considerando que vivemos distorções sobre o que é tolerância, inclusive com pouco exercício sobre essa atitude no dia a dia, por uma série de razões, a prática se torna distante de nós e até distorcida e confusa.

Constantemente os noticiários mostram situações claras de intolerância racial, religiosa e étnica, dentre outras. A história está repleta delas. Enquanto isso, a natureza nos mostra exatamente o oposto, com cenas de acolhimento entre animais de espécies diferentes. A tolerância se trata disso também, de dar a oportunidade para o outro viver, crescer e prosperar!

Duas mulheres conversando
Christina Morillo ;/ Pexels

Por isso, e acima de tudo, qualquer movimento que pregue a intolerância deve ser considerado fora da lei ou fora da ética e o incitamento a ela deve se compreendido como um crime, tal qual seria ressurgir a escravidão, mesmo que intrinsecamente essa ação represente por si só ser intolerante. Desse ponto de vista, que o filósofo Karl Popper (1902-1994) abordou muito bem, não há que se tolerar o intolerável, o que destrói a liberdade e a vida de outros seres vivos.

Para um mundo de paz, a tolerância deve ser ensinada desde a infância. Deve ser uma ação ideológica de todos os âmbitos da sociedade e pode ser desenvolvida a partir de cada um. Veja algumas dicas para se tornar mais tolerante na sua vida cotidiana.

Avalie o seu comportamento

Perceba no seu cotidiano as ações que você pratica e ferem a ideia de tolerância, de compreensão e de gentileza. Observe o seu comportamento quanto a quem tem religião, etnia, posição social diferente da sua. Reconheça os seus erros, porque a partir disso é possível corrigi-los e mudar de atitude.

Ouça o outro atentamente e sem julgamentos

Opiniões e ideias são relativas às referências que cada pessoa tem em função de suas experiências, de suas origens e de sua hereditariedade, dentre outros fatores. Ouvi-las atentamente e sem julgamentos é um comportamento que amplia a nossa visão e promove aprendizagem. Não significa que temos que mudar a nossa opinião ou maneira de pensar, mas que é necessário respeitar a liberdade de pensamento e de ser do outro.

Aja de forma respeitosa

A tolerância está diretamente ligada ao respeito com que se enxerga o próximo, por entendê-lo como um igual em direitos. Mesmo no caso de uma ofensa, quando se pratica o respeito, ela tende a não ser potencializada. O autoconhecimento é fundamental para esse exercício, pois permite não se abalar emocionalmente e se manter em equilíbrio.

Solucione desentendimentos

Pacificar os ambientes e tranquilizar os sentimentos, seja entre familiares, amigos ou no trabalho, é um bom exercício de tolerância. Diante de “fofocas”, comentários negativos e conflitos, ouvir e não fomentar esses comportamentos ajuda a promover a paz e a não despender energia. Nesse sentido, tente mostrar o lado positivo de cada situação ou comentário.

Pratique a paciência

Mulher de olhos fechados em um lugar branco com uma faixa  com as cores do arco-íris de fundo
Vitor Koshimoto / Pexels

Num conflito interpessoal, tente se controlar emocionalmente. Comece por você a mudar essa situação. Respire pausadamente, oxigene bem o cérebro, diminua o tom de voz, concentre-se mais em si, nas próprias ações e não na situação e nas ações do outro. Evite que os ânimos se tornem nocivos e exacerbados. A tolerância está relacionada à racionalidade, muito embora ela envolva sentimentos e emoções.

Mantenha o bom humor

Evite discutir ou contestar opiniões divergentes ou provocações se você não estiver bem por alguma razão. Dê um tempo para si mesmo e se acalme. Respire fundo, tente baixar o estresse e retome a conversa ou a decisão a ser tomada quando estiver de bom humor. Praticar a tolerância requer controle emocional e uso da racionalidade.

Busque o autoconhecimento

Muitas vezes o que não toleramos no outro é o reflexo do que não suportamos em nós, mas nem nos damos conta disso e então criticamos e atribuímos a responsabilidade ao outro, sem conseguirmos nos modificar. Por isso, quanto mais a pessoa se autoconhece, mais oportunidades ela tem de separar o que, de fato, é do outro e o que é um espelhamento. Além disso, ampliar a consciência sobre si melhora a visão do próprio papel no mundo. A tolerância requer saber que todos têm uma razão de ser e um jeito de entender a vida. Cada um tem o direito de escolher o melhor para si, desde que não prejudique os demais.

Exerça a empatia

Empatia é se colocar na situação que o outro vivencia. Ela é um instrumento muito importante para desenvolver a tolerância, porque nos leva a tentar compreender as razões do outro e nos apoia a lidar com o que é diferente de nós. Por meio dela podemos julgar menos, aceitar mais e sair da posição de dono da verdade para lidar com novos pontos de vista, valores, motivações, crenças, razões e sentimentos. Quando se tenta entender o que acontece com o outro, do ponto de vista dele, é possível ver com mais amplitude alguns dos próprios preconceitos.

Eduque as crianças para a paz

Mãe com sua filha em frente ao laptop
Vitor Koshimoto / Pexels

É preciso ensinar as crianças a desenvolver a tolerância para mudar os comportamentos no mundo, por meio de uma nova mentalidade e para que elas, mesmo percebendo que a diversidade pode gerar conflitos, também compreendam que eles podem ser resolvidos de forma racional, civilizada e responsável.

Os benefícios de ser tolerante

Há vários motivos para todos serem mais tolerantes, principalmente porque sabemos ao longo da história da humanidade que não se obtém mérito ou progresso quando há o contrário. Não se chega à paz e não se promove o respeito à vida, à liberdade, à igualdade, à individualidade e à diversidade. É por meio da tolerância que a vida se torna mais integrativa e livre de conflitos e violência.

Na Declaração de Princípios sobre a Tolerância da Organização das Nações Unidas (ONU), a tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço pela diversidade em todos os seus âmbitos, devendo ser entendida como um reconhecimento dos direitos humanos universais e das liberdades fundamentais das pessoas.

Menina segurando uma flor branca
Matheus Bertelli / Pexels

Assim, é por meio da tolerância que intencionalmente garantimos que aquele que é diferente em raça, religião, etnia, classe social etc. possa existir, ser livre e igual em liberdades e direitos, numa sociedade pluralista. Já tivemos a triste experiência da intolerância religiosa na Idade Média, da intolerância de credo, de etnia, de nacionalidade e de gênero na II Guerra Mundial e do genocídio dos ameríndios. Mais recentemente vimos o país se polarizar pela intolerância político-partidária. Além disso, uma sociedade tolerante e pluralista nunca é monótona. Basta pensarmos, ainda que de modo simplista, sobre como seria se todos se vestissem de amarelo, por exemplo. A diversidade torna a vida mais interessante!

A tolerância facilita as relações humanas, a dignidade, a evolução, o aperfeiçoamento da razão. Ela traz vantagens a curto e a longo prazo. É um dos pilares para promover harmonia. Por meio dela as pessoas se tornam mais seguras, tranquilas e bem-sucedidas, porque aperfeiçoam a paciência, a maturidade, a avaliação de seus próprios conceitos. Percorrem um caminho de transformação e de aprendizado, ampliando a consciência e a compreensão sobre si, sobre os demais e sobre a vida.

As variações de tolerância

Quando se fala em tolerância, logo imaginamos as variações com as quais ela se manifesta nas sociedades e as áreas em que se reflete. Dessa forma, podemos destacar as cinco mais preponderantes:

Tolerância ideológica – refere-se a tolerar o pensamento divergente. As pessoas de uma mesma sociedade podem pensar de forma diferente, ter crenças, valores, aprendizados, educação acadêmica e referências muito distintas entre si. Assim, para coexistir, elas precisam de tolerância às diferentes maneiras de pensar, com disposição para se enriquecer mutuamente e para, por meio da razão, aproximar as verdades. Num país, por exemplo, as pessoas podem ter um posicionamento político diferente sobre como ele deveria ser governado. A tolerância vai gerar uma conciliação, a valorização de um objetivo comum para que ele progrida.

Tolerância social – relaciona-se principalmente a acolher aquele que numa mesma sociedade está em uma classe social inferior ou cujo poder econômico a distancia do valorizado. Porém também diz respeito a como a sociedade, de forma geral, trata os migrantes e imigrantes, se com acolhimento, inclusão, respeito e dignidade, sem preconceitos, ressentimentos, temeridades e divisões ou segregação.

5 pessoas dando as mãos
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Tolerância racial – refere-se às relações que as pessoas de diferentes raças ou etnias manifestam, em consequência dos traços fenotípicos e culturais de cada uma. Em algumas sociedades ainda é bastante rudimentar o exercício desse tipo de tolerância. Em alguns casos há preconceitos estruturais e latentes, em outras, cenas de violência e de intolerância visíveis, delatando que o ser humano precisa resgatar os valores de humanidade.

Tolerância religiosa – relaciona-se à aceitação e ao respeito de diferentes credos religiosos determinados pela forma de compreender a vida, o mundo e os fenômenos que estão além do entendimento humano. Muitas religiões, por exemplo, estabelecem modelos de comportamento. Compreender as origens e o que esses modelos representam é uma forma de buscar a tolerância, respeitar e reconhecer a liberdade do outro, de modo a evitar preconceitos e conflitos.

Tolerância de gênero – além de se relacionar com o respeito entre pessoas de sexos diferentes conviverem construtivamente e com oportunidades iguais, também significa aceitar a diversidade de gêneros do ponto de vista da identidade e da decisão e percepção sobre as inclinações sexuais. Em relação a esse tipo de tolerância ainda há muito por fazer, seja pela conscientização, pelo desenvolvimento de políticas mais contundentes ou por medidas de justiça que coibam atos de intolerância e violência.

Tolerância como soft skill

Há poucas décadas, as habilidades priorizadas nas pessoas pelas organizações deixaram de ser voltadas às técnicas (hard skills), como o domínio do uso de tecnologia e passaram a ser comportamentais, chamadas de soft skills. Dentre elas temos liderança, resiliência, motivação, amor-próprio e tolerância.

As pessoas que possuem as chamadas soft skills são foco das empresas porque elas são capazes de interagir com outras, realizar networking, se adaptar a complexas e novas situações, gerar mudanças, trabalhar sob pressão, promover um clima de crescimento. Inclusive, além de serem mais difíceis de serem aprendidas, elas também dispendem mais investimento.

Nesse sentido, a tolerância é apontada como uma das principais habilidades para que o profissional atinja sucesso, pois por meio dela, ele se torna mais assertivo, mais racional e menos impulsivo, agindo com discernimento em diferentes situações. Além disso, os tolerantes são capazes de construir relacionamentos mais saudáveis, solucionar conflitos, promover um clima mais positivo e exercer uma liderança mais democrática e estimulante.

Para concluir, além de entendermos que a tolerância é uma demonstração de respeito pela liberdade do outro e compreensão pela igualdade de direitos perante a vida, ela também é um instrumento que promove a paz e a evolução do pensamento humano. Além disso, no meio organizacional, ela é uma soft skill capaz de facilitar o ambiente de trabalho e gerar um diferencial competitivo e de incremento no capital intelectual.

Por ser comportamental, a tolerância deve ser praticada até nas ações mais corriqueiras do cotidiano e disseminada para que gerações futuras vivam com mais segurança e dignidade. Então expanda a sua mente e a sua capacidade de ser tolerante. Entenda a diversidade como uma fonte de aprendizado e de evolução pessoal. Contribua para a paz!

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