Convivendo

O que aprendemos com a Pandemia?

Antes de qualquer palavra, não pretendo defender a tese de que já atravessamos a atual crise, pois ainda estamos em meio a ela, mas é fato que a situação sanitária, social e econômica mudou o mundo de forma significativa com impacto jamais visto nas últimas décadas. Os hábitos, a forma como nos relacionamos, trabalhamos, compramos, planejamos e sentimos não é mais a mesma.

Muito tem se noticiado sobre o aumento de casos de transtornos psíquicos após o início da pandemia, dos casos de violência, divórcios e desgaste emocional nas relações.

Certo dia, em conversa informal com uma colega de trabalho, comentávamos sobre o quanto o cenário ameaçador tem nos abalado emocionalmente. E não somente o cenário externo, mas o que há em nós fez-se mais evidente. É como se o momento representasse um encontro com nós mesmos, no entanto sem hora marcada.

Aquele que “descontava” sua raiva no futebol com os amigos, já não pôde agir da mesma forma. Aquele que tinha problemas crônicos em seu casamento, já não podia passar o dia todo, até altas horas, no escritório para não ter de enfrentar os problemas. Aquele que se utilizava de todos os meios de entretenimento e diversão para acalmar a angústia guardada há tempos em si, já não podia utilizar de tal recurso, ou seja, a pandemia nos obrigou a olharmos para nós mesmos e isso foi feito da forma mais severa que poderíamos imaginar.

Menino negro de máscara no colo da mãe.
Taylor Brandon / Unsplash

Com tudo isso, acredito que um grande legado desses tempos difíceis sejam esses contatos, a vivência nas adversidades, o processo de desconstrução e a seguinte reconstrução de nós mesmos. Nunca se teve tantas provas acerca da importância da saúde emocional como agora.

Uma pandemia com variantes que surgem em múltiplos lugares do mundo, a incerteza sobre a continuidade da vida frente às repentinas perdas de familiares, amigos e conhecidos, tudo isso ativa em nós a angústia e a ansiedade como resposta ao perigo que estamos correndo. Sem contar as inseguranças econômicas e alimentares para grande parte da população menos favorecida.

Nesse contexto, é relevante falarmos sobre enfrentamento, ação que difere da tendência comportamental natural do ser humano de evitar a angústia e se aproximar do que gera prazer. Para enfrentar, é preciso antes reconhecer, em seu sentido literal (conhecer de novo), o que carregamos em nossa trajetória, mas guardamos nos porões de nosso inconsciente para não sentirmos mais a dor desses traumas. Reconhecer o perigo que estamos enfrentando, nossos medos e inseguranças, ao tempo em que podemos reconhecer que, há, sim, perspectivas de vencermos os desafios da atualidade, e isso é essencial para combatermos a angústia.

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Enfrentamento também significa apostar em novos alinhamentos de expectativa, pautados no que é possível ser feito realmente. Significa apostar naquela conversa com nosso (a) companheiro (a) sobre o que tem causado incômodo e distanciamento na relação. Significa deixar as distrações para, pela primeira vez, encararmos nossos medos mais primitivos de frente.

O momento ainda assusta, mas igualmente se configura como oportunidade ímpar de alcançarmos o que parecia intangível: o reconhecimento do nosso eu.

Referências:

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/05/09/estudo-indica-aumento-em-casos-de-depressao-durante-isolamento-social

https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/depressao-ansiedade-e-estresse-aumentam-durante-a-pandemia/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2020-09/psiquiatras-relatam-aumento-de-90-dos-casos-agravados-pela-pandemia

Sobre o autor

William Sousa

Minha história com a psicologia começou quando tinha apenas 13 anos. Foi quando descobri o prazer de ouvir. Segui o ensino médio e prestei o vestibular sem dúvidas de qual curso faria. Formei-me em psicologia há mais de dez anos. Conclui minha licenciatura em 2008. No ano de 2009, conquistei o título de bacharel.

Conclui um MBA em gestão empresarial no ano de 2011 e minha pós-graduação em psicologia hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, no ano de 2016.

Nesses anos, trabalhei nas áreas clínica, hospitalar, jurídica e de recursos humanos.

Trabalhei no Hospital Geral de Itapecerica da Serra atendendo vítimas de abuso e violência sexual, além de pacientes de UTI adultos, clínica cirúrgica e clínica médica.

No Hospital Sepaco (São Paulo), fui responsável pelo atendimento dos pacientes adultos de UTI.

Nesses 11 anos de atuação também trabalhei em consultórios particulares de psicologia, com pacientes adultos e em avaliação pré-cirúrgica.

Atualmente atendo pessoas do Brasil e do exterior por telemedicina pela abordagem psicanalítica.

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