Doutrina Espírita Espiritualidade

Oração do perdão espírita

Foto por Pop Nukoonrat no 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O perdão é uma escolha para que a pessoa conquiste a paz interior e se desfaça das mágoas e dos ressentimentos que ela alimenta por pessoas ou por situações que considera ofensivas. É um processo intencional e voluntário no qual se deseja uma transformação de sentimentos e de atitudes. Nele a pessoa consegue transcender as emoções negativas, se libertando do rancor, da raiva e da vingança, não permitindo que danos psíquicos e físicos se estabeleçam para si e para os que a cercam. Trata-se de um grande desafio de maturidade e de compreensão de si e do seu propósito de vida.

A importância de perdoar

Perdoar é importante porque faz com que a pessoa amplie sua capacidade de amar, se desocupando do distanciamento e da desconfiança, resultados da falta do perdão.

Toda a pessoa capaz de perdoar se isenta da possibilidade de ter doenças como gastrite, úlcera, depressão, dermatites, pânico, problemas na coluna, insônia, estresse e baixa autoestima.

É por meio do perdão que a pessoa se liberta do passado, de rememorar e de reviver as emoções negativas que não pode modificar. Ela passa a enxergar o momento presente como o tempo em que pode de fato agir. Com isso, é possível seguir adiante e viver novas oportunidades para ser mais feliz, para buscar coisas positivas e construtivas para si, para evoluir espiritualmente e para prosperar.

O perdão é uma ação pessoal e intransferível, que pode ser sustentado por uma oração de perdão espírita para que se atinja um estado de consciência convergente para ele e se veja à semelhança daquele que precisa ser perdoado.

A sensação gerada pelo perdão é a de tranquilidade, de confiança em si e nos outros, de equilíbrio e de satisfação.

Imagem de duas mãos unidas e sobre elas uma vela acesa, representando a oração do perdão.
Foto por Myriam Zilles no Pixabay

Como perdoar?

Para perdoar é preciso se autoconhecer. Identificar em si os limites do amor, do respeito, da convivência, de tudo que é aceitável e moral para si.

Exercer o perdão envolve desenvolver a inteligência e a maturidade para compreender que, como seres humanos, somos todos suscetíveis de erros, pois, neste plano, estamos num processo evolutivo.

Para perdoar é preciso se exercitar, inicialmente com o uso da razão, analisando o contexto e a característica de erro inerente ao ser humano, já nas pequenas falhas, para depois evoluir para a intuição, mais direcionada ao espírito. Em qualquer situação, fazer uma oração de perdão espírita é uma forma de acessar os recursos necessários para essa ação.

Paradoxo do perdão

Perdoar implica o fato de que houve primeiramente um erro, uma falha, uma ofensa, uma quebra de valor moral. Portanto, mais seria louvável não ter que perdoar. Melhor seria se não houvesse o fator motivador da necessidade do perdão, condição que a Humanidade como um todo ainda não atingiu.

Imagem das mãos em posição de oração. Ao fundo uma floresta, representando a oração do perdão.
Foto por Couleur no Pixabay

O Espiritismo e o perdão

A Doutrina Espírita estabelece a crença na sobrevivência dos espíritos sobre a morte dos corpos, com a possibilidade da comunicação com eles, casual ou intencionalmente, por meio de evocação ou espontaneamente.

A obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo X, discorre sobre o Perdão das Ofensas, como uma virtude necessária à nossa evolução moral.

Propaga que perdoar é uma ação simples e pura, expressão de corações pacíficos. Entretanto, o ser humano tem dificuldade para perdoar porque é imperfeito, ainda sendo a morada de espíritos em evolução, sem de fato conseguir se colocar no lugar do outro.

Para o Espiritismo, perdoar significa compreender o outro, entender os seus limites, os seus motivos, equilibrando com o conhecimento dos próprios direitos e dos próprios limites. Portanto, não se relaciona com ser conivente com condutas inadequadas ou adotar uma postura passiva, mas agir com a capacidade de enxergar a fraternidade espiritual como um caminho para que a sociedade seja pacífica e amorosa.

Como espíritos encarnados e em evolução, trazemos conhecimentos que adquirimos ao longo do tempo, e para perdoar é preciso avaliar o que pensamos e o que falamos. É um exercício de sintonia com esse conteúdo, com o nosso propósito, com a iluminação, com a centelha divina, que pode ser iniciado com uma oração do perdão espírita, para que o espírito não caia na condição de não conseguir a evolução que veio obter neste plano.

O autoconhecimento nos serve como instrumento para identificarmos principalmente os nossos limites racionais, enquanto a oração nos serve como recurso para acessar o nosso legado espiritual. Os dois juntos enriquecem e garantem o processo do perdão com um resultado verdadeiro, ligado à evolução do espírito.

Imagem de uma mão feminina e ao centro uma luz amarela. A imagem tem um fundo iluminado com bolas vermelhas, representando a oração do perdão.
Foto pot Gerd Altmann no Pixabay

Oração Espírita do Perdão

A oração, independentemente da religião, é o meio de estabelecer uma ligação com o Eu Superior para atingir uma resposta intuitiva e espiritual.

Chico Xavier, por meio de sua mediunidade, nos deixou uma oração do perdão espírita para fazermos essa ligação, conforme segue:

Oração do perdão de Chico Xavier

“Senhor Jesus!

Ensina-nos a perdoar, conforme nos perdoaste e nos perdoas, a cada passo da vida.

Auxilia-nos a compreender que o perdão é o poder capaz de extinguir o mal.

Induze-nos a reconhecer nos irmãos que a treva infelicita filhos de Deus, tanto quanto nós, e que nos cabe a obrigação de interpretá-los na condição de doentes, necessitados de assistência e de amor.

Senhor Jesus, sempre que nos sintamos vítimas das atitudes de alguém, faze-nos entender que também somos suscetíveis de erros e que, por isso mesmo, as faltas alheias poderiam ser nossas.

Senhor, sabemos o que seja o perdão das ofensas, mas compadece-te de nós e ensina-nos a praticá-lo.”

As palavras de Chico Xavier para possibilitar a reflexão numa atitude de perdão:

“Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente. Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.”

Imagem de duas mãos segurando uma pequena cruz iluminada. Ao fundo a imagem do sol bem alaranjado, representando a oração do perdão.
Foto por Gerd Altmann no Pixabay

Oração do Perdão – do Espírito André Luiz – Psicografada por Bianor Giordanni

“Mestre, permita que meu coração perdoe. Permita que meu pensamento encontre meios para convencer-se à resignação. Pois, entremeado à dor e ao sofrimento, mesmo assim eu te perdoo… Te perdoo e te peço perdão, assim como Deus nos perdoou.

Peço que aceites o meu perdão, que agora te direciono, e que será levado a ti pelos anjos da justiça divina, que é a justiça de Deus… Por isso é que te peço perdão e te perdoo. Eu perdoo e peço perdão a todos os meus irmãos em Cristo com os que um dia eu possa ter tido atritos sentimentais, sexuais, conjugais, familiares, profissionais, financeiros, religiosos, sociais, ou os que eu tenha ferido fisicamente nesta existência ou em existências passadas que se entrelaçam em minha vida espiritual terrena, e que hoje me adoecem carmicamente.

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Neste momento te perdoo, te libero e te deixo partir, para que possamos assim ser felizes. Desejo a ti paz, saúde e despertar espiritual. Que tua caminhada seja em direção a Deus e que consigas, com o nosso perdão, atingir a transcendência divina espiritual.

Obrigado por esta oportunidade de me retratar diante de ti, agora meu amigo e irmão amado. Muito obrigado!”

Como vimos, perdoar implica cuidar tanto de si quanto do outro. Significa buscar e agir com compreensão ampla e transcendental. Envolve correção e evolução espiritual, que converge para a centelha divina, para a comunhão com Deus. É uma ação que pode ser apoiada pela oração do perdão espírita, com o sentido de ligar o espírito carente ou imperfeito ao Eu Superior para obter a iluminação e chegar ao perdão do outro e de si, reconhecendo a característica de erro a que todos estamos sujeitos e como evoluir enquanto ser espiritual e material.

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