Autoconhecimento Sagrado Feminino

Orgasmo feminino

Imagem de Mariangela Castro (Mary) por Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Orgasmo feminino. Em uma sociedade machista e patriarcal, essa expressão tem o mesmo peso que um palavrão teria. Não é difícil imaginar um mundo no qual uma mulher consegue chegar ao ápice de prazer durante todas as relações sexuais que tem? Você já ouviu esse assunto sendo discutido abertamente entre homens e mulheres ou até mesmo entre amigas?

Ainda que o orgasmo feminino seja uma resposta do corpo da mulher a uma atividade sexual prazerosa, que pode acontecer com um parceiro, com uma parceira ou sem companhia, a sociedade prefere ignorar que ele existe, inclusive recriminando-o. Afinal, por que as mulheres deveriam sentir prazer durante o sexo? A resposta parece óbvia, mas a melhor forma de analisá-la é entendendo um pouco mais sobre o que rodeia a sexualidade feminina.

O mito da virgindade

Alguma vez você já ouviu uma mulher ser caracterizada como “virgem”? Talvez até mesmo você já tenha se nomeado assim em algum momento da sua vida. Uma mulher virgem, de acordo com o que a sociedade impõe, é uma mulher que nunca teve uma relação sexual.

Indo mais além, identificamos um conceito heteronormativo e machista: uma mulher só deixaria de ser virgem com uma relação sexual com penetração de um pênis, com todo o sangue e com toda a dor que é esperada desse ato.

Uma mulher que nunca se envolveu com um homem, mas que mantém relações com ou sem penetração com mulheres ainda seria entendida como virgem pela sociedade. Estranho, não é? Por que somente um homem poderia iniciar uma mulher sexualmente?

Em primeiro lugar, é preciso considerar que o relacionamento heterossexual é o único que sempre foi aceito no mundo. Então, é natural que todos os conceitos sejam criados reforçando a necessidade de manter esse padrão, desconsiderando a possibilidade de existirem outras formas de amar. Isso explica a heteronormatividade, mas ainda não traduz o conceito de virgindade.

Imagem de um casal na terceira idade. Eles estão felizes, estão deitados na cama, abraçados e muito felizes. A imagem representa o orgasmo feminino.
Imagem de Brandon Roberts por Pixabay

Na antiguidade, o conceito de uma mulher virgem foi criado para definir as mulheres ideais para o casamento com os homens: nunca tiveram relações sexuais, preservam a pureza e a inocência da juventude e entregar-se-ão totalmente a um só homem, com quem elas passarão toda a vida. Depois do casamento, no entanto, elas perdem a característica mais atraente que têm, perdendo também o valor perante a sociedade.

Observe como a virgindade está presente até mesmo no cristianismo, na figura da Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo: biologicamente, uma mulher não pode engravidar sem ter experienciado uma relação sexual. Porém, para que a Igreja pudesse disseminar os valores morais da antiguidade, de que uma mulher só teria dignidade e pureza se não se envolvesse sexualmente com ninguém, afirmaram que Maria, a mulher escolhida por Deus, deu à luz sem nunca ter transado.

Toda a construção da figura feminina reforça a ideia de que ela é um objeto para o homem. Ela deve servi-lo, dar-lhe prazer e não ter vontade própria. É como se o prazer da mulher não fosse relevante nessa relação, já que ela não é um sujeito. Nesse contexto, o orgasmo feminino não é uma possibilidade. Ele deve ser reprimido, porque só importa o homem.

Considerando todas essas questões, faz sentido continuar usando o termo “virgindade”, que classifica as mulheres em puras e não puras e que reprime o prazer feminino, para se referir a uma mulher que ainda não teve relações sexuais? Reflita sobre o peso que esse termo carrega!

O prazer inalcançável

Você já reparou que o orgasmo masculino é uma regra em qualquer relação sexual? Um homem obrigatoriamente gozará durante o sexo e, normalmente, esse ato definirá o momento de encerrar a relação, independentemente de a mulher ter chegado ou não ao orgasmo. Além de heteronormativo, esse conceito desconsidera a participação da mulher na relação sexual, como se ela estivesse lá apenas para que o homem tivesse um meio de atingir o orgasmo.

Se as mulheres acreditam que o sexo é apenas uma forma de satisfazer um parceiro, desconsiderando a própria vontade ou a possibilidade de se envolver com outras mulheres, por exemplo, o orgasmo feminino será inalcançável. É difícil se libertar desse conceito, porque ele é ensinado a elas desde quando nascem, mas é preciso ir além disso.

Sozinha ou acompanhada, uma mulher tem direito a sentir um orgasmo. Diferentemente de um homem, ela pode, inclusive, sentir vários orgasmos ao mesmo tempo. Você sabia disso? A seguir, aprenda quais são os tipos de orgasmo feminino!

Imagem de um casal jovem. Ele carrega a moça em suas costas. Estão felizes. A imagem retrata a questão da relação entre o casal e o orgasmo feminino.
Imagem de StockSnap por Pixabay

Tipos de orgasmo feminino

Uma mulher não precisa realizar sexo com penetração para chegar ao orgasmo. Existem partes erógenas em muitas partes do corpo feminino. Conheça-as a seguir!

1) Orgasmo clitoriano

O orgasmo feminino clitoriano acontece a partir da estimulação do clitóris, que ocupa as partes inferior e exterior da vulva, sendo visível como uma bolinha. Ele pode ser estimulado do lado de fora com os dedos ou com a língua e pode ser tocado pela parte de dentro com os dedos, atingindo o ponto G.

2) Ponto G

O ponto G é uma região interna da vagina que, quando estimulada corretamente, pode provocar prazer intenso em uma mulher. Existem vibradores que podem ser utilizados para alcançar esse ponto, que também pode ser acessado ao realizar o movimento de “vem cá” com o dedo indicador posicionado dentro do canal vaginal.

3) Orgasmo vaginal

O orgasmo feminino vaginal acontece quando um objeto, um dedo ou um pênis consegue atingir a parte mais profunda da vagina. Não basta encostar lá, é preciso pressionar e manter o ritmo, para estimular a área e, assim, gerar prazer em uma mulher.

4) Ponto U

Menos conhecido que o ponto G, o ponto U está localizado na área externa da região da vulva, na uretra (por onde a urina é liberada), entre o clitóris e a entrada do canal vaginal. Essa região é muito sensível e pode ser estimulada na hora do sexo, com os dedos ou com a língua.

5) Orgasmo anal

O orgasmo feminino anal é o mais difícil de ser atingido, mas é possível. Como o ânus é uma região com muitas terminações nervosas, ao estimulá-lo uma mulher pode chegar ao ápice de prazer. É importante ressaltar que o sexo anal não deve ser dolorido, então, se você estiver pensando em fazê-lo, certifique-se de que está usando um bom lubrificante à base de água e de que tem um(a) companheiro(a) paciente.

6) Orgasmo mamário

Os seios da mulher são uma região erógena que pode ser estimulada para que uma mulher chegue ao orgasmo. Eles podem ser apalpados, lambidos ou chupados para que a zona seja estimulada e deixe a mulher ainda mais excitada. Além disso, é possível ousar e estimular seios e outras regiões ao mesmo tempo, para chegar a um orgasmo feminino múltiplo!

Imagem de três mulheres felizes e celebrando a vida e o amor. A imagem reflete o orgasmo feminino.
Imagem de Sheila Santillan por Pixabay

Orgasmos para todas

Agora que você conhece os tipos de orgasmo feminino, reflita: faz sentido fingir um orgasmo para satisfazer uma pessoa que não entende muito bem como proporcionar-lhe prazer ou você não se preocupa com isso?

É difícil se libertar da ideia de que o prazer não precisa ser alcançado pelas duas pessoas, mas evite mentir para a outra pessoa sobre como você se sente. A única forma de ela saber que está fazendo alguma coisa que pode melhorar é por meio do diálogo. Se você não sente liberdade para falar sobre isso com ela, talvez seja melhor procurar outra parceira!

Envolver-se sexualmente com homens não é a única forma de chegar ao orgasmo feminino. Além da masturbação, a partir da qual você provoca prazer em si, é possível ceder aos seus desejos. Se você sente atração por mulheres ou quer transar com alguma para saber como é essa experiência, faça isso! Não deixe que o seu prazer seja norteado por conceitos ultrapassados de como uma mulher deve agir ou se sentir.

Todas as mulheres podem ter orgasmos. Se a pessoa com quem você se relaciona não sabe como dar-lhe prazer ou se você não consegue atingir um orgasmo sozinha, tudo de que você precisa é de diálogo e de autoconhecimento. Entenda quais são as suas zonas erógenas, quais são seus orgasmos preferidos e qual é a melhor forma de alcançá-lo.

A masturbação é muito importante no processo de conhecer o seu corpo e de obter um orgasmo feminino, porque só assim você vai entender quais são as suas regras, quais estímulos funcionam melhor para o seu corpo e como é possível sentir os fogos de artifício explodindo ao seu redor no ápice do prazer.

Imagem de uma linda jovem de cabelos longos deitada sobre a cama com lençol branco. Ao lado dela uma grande e maravilhosa rosa vermelha. A moça está com os olhos fechados. A imagem representa o orgasmo feminino.
Imagem de Jess Foami por Pixabay
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Liberte-se dos tabus

Se você ainda não se convenceu de que é importante se dedicar ao seu orgasmo, pense sobre os benefícios que o ápice do prazer pode proporcionar-lhe. O primeiro deles é a sensação de relaxamento e de felicidade que a serotonina espalha pelo seu corpo quando é liberada durante o orgasmo.

Além disso, o orgasmo feminino é uma ótima forma de amenizar crises de enxaqueca e cólicas menstruais, justamente pelos hormônios que são liberados no ápice do prazer. Para fechar com chave de ouro, um orgasmo pode fazer você dormir muito melhor e mais rápido, já que seu corpo estará totalmente relaxado.

Aventure-se pelo seu corpo com a masturbação e com uma pessoa em quem você confie. Toque suas regiões íntimas, estimule-se com vibradores ou com os dedos, leia contos que estimulam sua imaginação ou retome as lembranças de momentos de intenso prazer. Permita-se ter um orgasmo feminino e, se tudo der certo, você pode até mesmo ter orgasmos múltiplos!

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