Convivendo

Presença Real, Transformação Natural

Silhueta de mulher sentada com as pernas cruzadas, meditando e uma praia durante o pôr do sol.
Anand Nisargan
Escrito por Anand Nisargan
Olá, uma pergunta: se você concluísse que assistir televisão, os programas normais de televisão, prejudica a sua elevação de consciência, você deixaria de assistir ou você continuaria assistindo?

Eu disse se você concluir. Se você concluir que comer carne não faz bem, você vai deixar de comer ou não.. se você concluir que falar de uma forma agressiva, prejudica a sua própria consciência e elevação de consciência, você vai deixar ou não de falar dessa maneira. Se você concluir que o chamado estilo de vida mundano, que é até um termo já pejorativo, crítico, já existe uma crítica embutida a esse estilo. Se você concluir que o estilo de vida mundano ele é prejudicial ao processo de meditação, por exemplo, você vai mudar ou não esse estilo de vida?

Quando eu falo concluir, é porque a pessoa deduziu pelo que observa, pelo que leu, pelo o que assistiu, que aquilo não é legal, que aquilo é prejudicial, então ela força um comportamento dela mesma, uma atitude dela mesma, ela se molda, ela muda a sua roupagem, ela muda o seu programa de comportamento. Essa é uma maneira, e essa é a maneira prevalente em termos de mudança que ocorre. O que eu observo é que esse tipo de mudança normalmente não é permanente.

Acontece a mudança, depois a pessoa volta atrás e volta ao padrão antigo, depois volta de novo ao padrão supostamente ideal e volta ao padrão antigo. É como se fosse os pais querendo que uma criança que está aprendendo a andar, ande logo, aprenda a andar logo, então ela compra um andador, coloca a criança no andador, a criança fica em pé, se desloca pela casa e aparentemente ela está andando.

bebê em andador

Mas o andador, na verdade retarda o processo de fortalecimento das musculaturas adequadas para que a pessoa ande com os seus próprios pés, sem necessidade de andador. O andador atrapalha o processo natural de andar naturalmente.. Essa ideia de concluir alguma coisa, condenar coisas externas que ela faz ou do mundo e tentar moldar-se para que não haja ou que ela não faça determinadas coisas, é como se ela estivesse andando em um andador porque a mudança não foi natural, não veio das suas entranhas, a pessoa não deixou de assistir televisão porque ela não aguenta mais, não é mais agradável, essa é a mudança real… mais ela pode em algum outro momento assistir, mas sem condenar, ela não condena, mas ela flui de acordo com o que ela percebe dentro de si mesma, é a sua própria consciência penetrante, que dá um fluir que desencadeia ações naturais.

Mulher meditando

Então é uma outra maneira de desencadear a mudança, uma é a roupagem externa, os comportamentos externos forçados. Outro é colocando ênfase não em não condenar nada, em não escolher nada, mas em ficar cada vez mais com a consciência desperta, perceptivo à realidade, tal qual ela é. A realidade externa e a realidade interna, o que ela sente.. dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, das suas reações internas, do seu ego. Quando ela coloca consciência nisso, as mudanças verdadeiras e profundas brotam… Ela começa a ficar surpresa, por exemplo, ela pode falar… pô… uma pessoa que eu tinha grande amizade, hoje já eu não sou nem a fim de ser amigo… não foi porque ela forçou uma separação. Algo dentro dela impulsiona a determinada atitude. Em relação, por exemplo a comer carne. Se a pessoa tem uma consciência realmente penetrante a respeito de tudo envolvido em comer carne, se ela realmente enxerga, profundamente, sente aquilo, a probabilidade dela nunca mais comer é enorme e mais ainda, de nem ter vontade.

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Porque se tem vontade ainda é algo mental.. Se ela não faz, mas tem vontade… quando existe uma consciência profunda, a vontade de determinadas ações, simplesmente deixam de existir. Por isso que a mudança é real… então essa é uma outra maneira de desencadear mudanças.

É uma maneira delicada, é uma maneira até certo ponto, enganosa para algumas pessoas. Algumas pessoas concluem novamente, concluem que essa abordagem é melhor, de que a mudança ela deve vir de dentro das entranhas, a partir de uma consciência mais penetrante.

Então ela deixa de forçar mudanças externas. Mas não é porque ela sabe ou teve um vislumbre de que essa atitude do aumento de consciência realmente é mais confiável que de fato ela vai colocar energia em aprofundar a sua consciência, em aflorar a sua presença, ela pode não fazer isso, ela pode só apreciar intelectualmente, mas não coloca energia em realmente ser um observador, imparcial, penetrante de si mesmo e do mundo.

mulher deitada em sofá ouvindo música

Ela nem medita por exemplo, e nem se mobiliza na vida a ser uma pessoa mais desperta. Então ela não faz nem uma coisa e nem outra. E acha que está fazendo o processo de mudança da elevação de consciência, mas sem colocar nenhuma energia de fato em elevação de consciência.

Então isso é perigoso também. Adianta concordar com isso, porque de novo vai entrar no mesmo erro. É vivenciar e a pessoa passa a confiar nesse processo. Não porque eu estou falando, não porque Osho falou, não porque fulano de tal falou, mas porque ela comprovou em si mesmo, que essa abordagem, essa maneira é mais efetiva. Eu gosto muito de uma frase que representa essa abordagem da elevação de consciência como fator de transformação: “Presença real, transformação natural”.

Sobre o autor

Anand Nisargan

Anand Nisargan

Anand Nisargan é o criador do ESPAÇO PRESENÇA e focalizador de seus Retiros de Meditação.

Formado em Medicina na Unicamp, em 1994 abandonou seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação.

Bebeu da fonte do Mestre Osho em sua própria presença física e foi membro de suas comunas na Alemanha, Itália e Brasil, sendo tradutor de dezenas de seus livros e vídeos. Autor do livro “A Arte de Estar Presente”.

Site: espacopresenca.com.br
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