Autoconhecimento

Sobre amor próprio

Mulher feliz abraçando a si mesmo
Anne Moon
Escrito por Anne Moon
Por Anne Moon. São Paulo, 26 de junho de 2019.

Vamos falar sobre amor-próprio? Hoje em dia, esse assunto tem sido muito discutido, o que é maravilhoso, ainda mais porque não era tão discutido… As pessoas simplesmente não falavam sobre. As pessoas têm demonstrado interesse em saber mais sobre esse assunto, ainda mais nessa era em que as coisas se tornaram muito instantâneas, influenciando o nosso ritmo tanto no trabalho quanto na vida pessoal, mas percebo que as pessoas têm uma ideia muito equivocada do que é o amor-próprio. Isso acontece porque algumas confundem amor-próprio com autoestima e com ego, então entram numa dualidade. Umas dizem ser importante ter amor-próprio para ter uma autoestima lá em cima, outras dizem que o saudável é não ter tanto amor-próprio, senão a pessoa fica “se achando a última bolacha do pacote”, mas isso não tem sentido algum! Amor-próprio é essencial para que você construa uma boa imagem de si mesmo (autoestima), porque você demonstra para si mesmo o mesmo carinho e cuidado que dá aos outros, então constrói uma imagem positiva de si mesmo, que é externada para as pessoas ao seu redor.

O ego (que, em grego, significa “eu”) faz parte da construção da nossa personalidade desde o instinto mais primitivo, que é o de “autopreservação”. O grande psicólogo e biólogo Jean Piaget menciona em seus estudos sociais que nós passamos por uma estágio na infância em que saímos da fase sensório-motor, que dura até os dois anos de idade, e então começamos a conhecer as diferentes formas no mundo, como o próprio corpo, tudo ainda muito concreto.

Em seguida, alcançamos a fase em que nos centramos em nós mesmos e o estágio simbólico em que começamos a associar cores às formas, então nos centramos em nós mesmos, o que os psicólogos chamam de “começo de construção de personalidade”. Sim, a psicanálise já confirmou que algumas pessoas não conseguem passar dessa fase do egocentrismo na infância, então trazem isso para o estágio conceptual (dos 7 aos 11 anos). Se os pais ou cuidadores não trabalham para dosar esse lado da criança, a pessoa leva isso para a fase adulta, no último estágio do desenvolvimento cognitivo: o da operações formais. É isso o que explica algumas pessoas se deixarem levar pelo ego, mas quem pode explicar melhor sobre esse assunto são os psicanalistas.

Peão de Xadrez em frente a um espelho

Mas a verdade é que quando alguém sente essa necessidade de se afirmar para a sociedade, para os outros, é porque na verdade ela não tem nenhum amor-próprio! Uma coisa é você se sentir bem consigo mesmo, outra é se afirmar para os outros ao redor, para que haja uma validação e/ou uma aceitação, o que se afasta muito do verdadeiro sentido disso. Amor-próprio e autoestima boa não exigem validação externa, mas interna, pois ninguém pode te dar ou tirar seu valor, pois só você pode definir o seu valor pelo modo como se porta na sociedade – desde a forma como anda até o modo como fala. As pessoas respeitam mais aqueles que se mostram mais fortes, têm controle sobre a própria vida; gente que, quando acontece alguma adversidade, sabe contornar tudo isso lindamente. Gente mais confiante, que se mostra mais, que é forte… Nós achamos isso mais interessante e sempre nos inspiramos em pessoas assim, não é verdade?

Então vamos lá: o que é o tão famoso “amor-próprio”? Amor-próprio é quando você se conhece, se aceita com qualidades e defeitos, quando se valoriza e respeita, no sentido de não se julgar, de não se submeter a coisas e a pessoas que te desagradam e de se olhar com compaixão e empatia, cuidando-se em todos os âmbitos da vida – físico, emocional, psicológico e espiritual também, seja lá qual for a sua crença, filosofia de vida – e tendo em mente que estamos todos aqui nesse mundo para aprender. A vida é conhecimento. Ter amor-próprio é não se olhar com olhos de julgamento diante de equívocos e falhas que você cometeu ou comete na vida, pois os erros não deveriam ser considerados inaceitáveis, já que fazem parte da nossa evolução, e não é cultivando o pensamento de “não posso errar, não posso cometer erros” que evoluiremos, então pare de se pressionar para não errar e de surtar toda vez que erra. Comece a cultivar o pensamento de “se eu errar, não tem problema, porque eu vou aprender com os erros”. Isso é viver mais leve. Quando você cometer algum erro, não ligue para as pessoas que te julgarem, porque todos erramos e é fato que é muito mais fácil apontar o dedo para algum deslize do que mostrar o erro e ensinar a contornar essa situação, até porque muitas vezes fazemos coisas que não são tão legais com os outros, o que exige que alguém nos dê um toque.

Homem segurando máscara

Não é fácil a jornada do amor-próprio… Você precisa se conhecer, tirar as máscaras, se despir para si mesmo, se despir de rótulos, de pressão e de julgamentos, conectando-se com a sua essência. É parar por um momento, muitas vezes por um tempo mais longo, fazer um diagnóstico sobre si mesmo, sobre o que te agrada, sobre o que não te agrada, sobre como você reage a situações que te agradam, sobre como reage a situações que te desagradam, fazer uma regressão desde a época da infância e pontuar as coisas e pessoas que te fizeram ser quem você é hoje, analisando seus sentimentos e reações em relação a isso, tanto as pessoas e coisas que te fizeram bem quanto as coisas e pessoas que te fizeram mal, porque estas também fizerem parte do seu crescimento e de sua evolução espiritual, emocional e psicológica nesta vida. As coisas e pessoas boas são aprendizados e lembranças gostosas da vida.

O universo vai te trazer mais disso porque você foi grato. Gratidão é a chave. 
Quando você demonstra gratidão pelas coisas mais simples ou pelas extraordinárias, mantém a sua energia vibratória lá em cima nas emoções positivas da escala vibracional, então atrai mais coisas desse tipo. Como você vibra nessas energias, o universo te manda mais disso, pois entende que é isso que você quer. Já as coisas e pessoas ruins (que te fizeram mal) são aprendizados para a vida. Você se dá um período para sentir essas emoções negativas, mas imponha um limite (que não pode passar de 20 minutos). Durante esse tempo, mergulhe nesse sentimento inferior, expresse, coloque para fora nem que seja escrevendo em um diário, caso você, assim como eu, não se sinta muito confortável para falar sobre sentimentos. Isso é sério! Hoje em dia, ansiedade, depressão, Infartos, AVC e quedas bruscas nas defesas imunológicas têm aumentado cada vez mais em pessoas muito jovens, por causa de emoções reprimidas, por perder o controle sobre si e sobre a própria vida, e isso independe de questões financeiras e sociais. Em um estudo feito pela UNESP, é mencionado o quanto as emoções podem afetar não somente a vida pessoal, mas também a vida profissional. Os entrevistados disseram que 10 anos antes de adquirirem essas doenças, passaram por problemas afetivos.

Então não ignore esses sinais, pois, quando você menos perceber, já estará em uma bolha de autodestruição. Quando vierem esses sentimentos negativos, não os deixe passar em branco. Permita-se sentir essas emoções, imponha um tempo limite para externar da melhor forma e depois, quando atingir o seu tempo limite para desabafar, não se fala mais nisso. Respire, inspire, expire e não pire. Não vibre nessa emoção inferior e cancele esse sentimento racionalizando, mudando sua percepção sobre isso e a sua reação. Procure ver os ensinamentos que esta situação te trouxe. Tome consciência de que você não pode alterar coisas que aconteceram e as ações dos outros, somente a sua reação quanto a isso e as suas ações daqui em diante. Trocar uma lembrança negativa por uma que te traga emoções positivas é a “tacada final” que você deve dar para elevar sua energia e vibrar coisas boas. Novamente: NÃO! NÃO fique vibrando nessas emoções negativas, pois rapidamente essas emoções tomam conta, baixando muito a sua energia vibratória.

Um ponto importante sobre o amor-próprio é assumir a responsabilidade sobre sua vida e ter a consciência de que você não pode mudar suas ações e escolhas passadas, então não resolverá nada se culpar e remoer o passado, porque não há como voltar e fazer diferente. Cancele o pensamento de querer voltar no tempo e fazer tudo diferente, porque não, não faria diferente, senão você não seria quem é hoje, porque tudo isso foi parte do seu processo de evolução. Você pode fazer diferente hoje em dia, assumindo responsabilidade pela sua própria vida. Você perdoa essa situação, quem estava envolvido e a si mesmo, para se libertar e libertar o outro, então agradece ao aprendizado que aquilo te trouxe. “Sinto muito, me perdoe, eu te amo, eu agradeço”. Essa parte do perdão é complicada… Há situações e pessoas que são difíceis de perdoar, mas precisamos perdoar, para que nossa vida não fique estagnada por causa de um ciclo não fechado e para que as coisas fluam e mudem.

Assumindo as rédeas da própria vida e assumindo também a responsabilidade por si mesmo, você abandona o papel de vítima que nada pode fazer para alterar sua própria realidade, para entrar no de autor da própria vida, aquele que constrói a própria realidade, que leva a vida, e não o contrário.

Seja, antes de tudo, aquele que não deixa ninguém te definir e definir sua vida. Não seja aquele que procura culpados pela vida ou que se culpa.

Abandone essa ideia de procurar vilão e vítima, pois a vítima, por ser indefesa, nada pode fazer, enquanto o vilão é o agressor, o culpado. Chega disso! A sua vida é sua e de mais ninguém. Pare de deixar sua vida nas mãos de alguém e assuma o controle dela. Ah, culpa é diferente de autorresponsabilidade. A culpa traz o vilão e a vítima. Na autorresponsabilidade, por sua vez, há a compreensão e a reflexão de que, para que a vida seja o que é hoje, escolhas trouxeram consequências, mesmo quando não havia escolha. Estar indeciso é também uma escolha.

Soa muito simples dessa forma que eu descrevo, mas não é. Nem para mim foi, e nunca vi um caso de pessoa que evoluiu facilmente na vida, que conquistou o amor-próprio rapidamente. Sempre é um longo processo.

Eu, por exemplo, demorei mais de 20 anos para começar a pensar em evolução e amor-próprio. Na verdade, esses eram meus “calcanhares de Aquiles”, porque eu não sabia o que responder sobre.

Na verdade, dos meus 15 aos meus 19 anos, eu não tinha noção alguma sobre quem eu era, no sentido de ter me perdido em relação a sobre quem eu sou.

Desde criança fui fora do padrão, com estatura baixa por causa de uma condição genética chamada “síndrome de Turner” e sempre ouvindo que eu era alguém à frente do meu tempo, precoce. As pessoas achavam que eu era uma mulher adulta em um corpo de menina e até hoje brincam que sou uma reencarnação de uma pessoa de uma época mais antiga. Nunca fui o arquétipo da princesa boazinha, afinal nunca gostei muito das princesas e das “mocinhas”, pois eu nunca acreditei que alguém possa ser 100% bom nem 100% ruim; esse conceito dualista é muito relativo. Não posso me me esquecer de mencionar que essas personagens “boazinhas” que nos traziam eram sempre as do tipo que esperavam alguém ou algo aparecer na vida delas para que fosse um divisor de águas, para que houvesse algum sentido na existência dela. A personalidade delas, a força dessas personagens, só era vista na metade da história ou no final, então eu não conseguia me identificar com elas, porque achava aquilo tudo muito surreal e distante, sabe? Nunca quis ser igual a elas. Não há necessidade de ser igual a elas para ser uma pessoa de boa índole. A vida, por ser minha, não pode ser deixada nas mãos de alguém. Se eu quero que algo aconteça na minha vida, preciso ir atrás para fazer acontecer e ninguém me completa, porque eu já sou completa. As pessoas que eu escolho para estarem em minha vida estão comigo para complementar e para agregar. Ninguém completa ninguém! A completude está dentro de nós, o restante é complemento. Se ficarmos com esse pensamento de que alguém nos completa, novamente estaremos jogando nossas vidas nas mãos de alguém e, é claro, colocando nesse alguém a pressão de nos completar. Pare e pense: se essa pessoa sai da sua vida, acabou tudo? Você só existe porque essa pessoa entrou na sua vida? É claro que não! Você é um ser humano! Esse vazio que você tem, só você pode completar. O ser humano é complexo, tem altos e baixos, o que torna nossa espécie mais interessante.

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Sobre estar fora do padrão, este é um aspecto muito forte, que interfere em nossa autoestima e, consequentemente, em nosso amor-próprio. Quando se trata das mulheres, existe aquela coisa que é ensinada a todas nós, desde a infância: precisamos ser boazinhas (no sentido de sermos submissas) e passivas em qualquer situação. Somos ensinadas a sentirmos repulsa por nós mesmas – do nosso corpo aos aspectos de nossa personalidade. Muitas de nós passam anos sem se conhecerem, desconhecendo o próprio corpo. Quantas vezes não ouvimos de pessoas ao nosso redor que devemos nos comportar de tal forma. Instituem normas que definem o que devemos falar, como falar, nossos gostos pessoais e até em como nos vestimos. Isso nos reprime. Quem nunca ouviu: “Isso não é para garotas/mulheres”? Pois é, somos rotuladas a todo momento. Se falamos sobre sexo e em seguida sobre assuntos mais sérios, as pessoas já ficam confusas, porque têm uma visão fragmentada sobre o ser humano. Isso também vale para quando falamos sobre assuntos sérios e em seguida falamos sobre sexo. Envelhecem meninas de 11 e 12 anos e esperam que mulheres de 50 ou 60 anos não envelheçam, mas mantenham-se jovens e belas. Isso recai na hiperssexualização infantil, que não se enquadra ao tema desse artigo. Envelhecer é natural na vida; não há como evitar, pois é uma das grandes certezas na vida. Não vale a pena lutar contra o tempo e contra o envelhecimento. Isso não é saudável para o físico nem para o psicológico.

E os homens? Desde criança são ensinados a não externar sentimentos, incentivados a serem mais brutos, a acumularem amantes e a iniciar suas vidas sexuais precoce e forçadamente. Novamente a hiperssexualização infantil… Vocês, homens, com certeza já ouviram a famosa frase: “Vire homem!”.

Somos influenciados por essas regras sem sentido da sociedade. Na tentativa de nos enquadrarmos a estas normas, vamos sendo minados até cairmos na amnésia causal, que é quando nos afastamos de quem somos.

Infelizmente é difícil se desvencilhar deste ciclo vicioso e destas crenças limitantes, pois a mídia trabalha com a insatisfação das pessoas, tanto com a aparência física quanto com a própria personalidade. As pessoas ao nosso redor vão repassando isso tudo de geração em geração, então se espalha como um vírus. Somos induzidos a “correr uma maratona” para que consigamos atingir uma perfeição. Competimos entre nós mesmos para estarmos mais próximos desse padrão em um nível no qual todos sejam iguais ou que sejamos melhores do que os outros. Isto é completamente utópico! Não somos iguais. Cada um tem sua particularidade e são as diferenças que tornam a raça humana tão linda! Seria muito sem graça se fossemos todos 100% iguais. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém, mesmo que você seja uma pessoa de boa índole. Desconstruído desse padrão, não caia nessa ilusão.

Ok, eu mostrei como esse ciclo que mina nosso amor-próprio funciona, mas ainda não falei sobre COMO sair deste ciclo. Sim, há uma forma, mas não é uma fórmula mágica que funciona igual a macarrão instantâneo, que fica pronto em três minutos.

Se você realmente quer mudar, precisará ter coragem para isso. Então vamos lá:

Como sair desse ciclo? 

Quando você dedica um momento para respirar, analisar-se internamente, sem máscaras ou julgamentos, e encontra a pessoa que você é, refletindo sobre si mesmo, sobre suas reações em variadas situações e sobre o que fez você tornar quem você é, é possível listar suas qualidades e procurar aprimorá-las. É possível também listar seus defeitos e as formas de trabalhar cada um, sem buscar ser perfeito, pois ninguém é perfeito. Essa busca incansável da pressão pela perfeição que nunca alcançamos só nos destrói. Esse apego a essa ideia também não é saudável.

Não digo que essa jornada é simples. Dê tempo a si mesmo para trabalhar essa parte do amor-próprio, nem que leve anos; afinal, cada um tem o seu tempo nessa jornada do amor-próprio. E ela leva tempo, é algo processual, que precisa ser trabalhado hoje, amanhã e depois. Eu ouvi uma pessoa dizendo uma vez que se você andou construindo um castelo de lama durante a vida toda, não pode esperar conseguir construir um castelo de diamante em um dia. Ou seja, se você viveu dentro deste ciclo durante toda a vida, não será em um dia que conseguirá se desprender disso. É preciso ter paciência e constância, porque uma hora essas crenças limitantes voltam e precisamos lidar com elas, cancelar, se manter longe delas, cancelando-as ou substituindo-as por uma crença que abre caminho.

Não desista de quem você é. Você é importante. Sua vida é importante. O fato de estar vivendo é um dom pelo qual você deve agradecer. Quantas pessoas não podem dizer o mesmo? E não falo isso no sentido de se sentir superior, mas de ser grato pelo simples ato de estar vivendo e respirando. Quando somos gratos pelas coisas em nossas vidas, o universo entende que, por estarmos nesta vibração, ele nos manda mais motivos para sermos gratos.

Se você busca mais sobre espiritualidade, desenvolvimento pessoal e achou o conteúdo deste site incrível, este é mais um motivo para agradecer, não é mesmo? Desejo boa sorte na sua jornada do amor-próprio.

Gratidão a você que leu esse artigo. Muita luz, amor e paz na sua vida!

Sobre o autor

Anne Moon

Anne Moon

Anne Moon é uma escritora, modelo e estudante de Letras, que nasceu e mora em São Paulo com seus pais e o irmão mais velho. Desde criança adora escrever e contar histórias. Antes dos 10 anos já havia escrito duas histórias de ficção e uma biografia, e aos 14 anos começou a escrever o primeiro volume “The Rise of the Fallen” da série de livros “Dark Wings”

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