Autoconhecimento

Solstício de Inverno – tempo de prepararmos para o recolhimento!

Mulher sorrindo segurando caneca de chá
123RF/ Ivan Kruk
Eduardo Rosa
Escrito por Eduardo Rosa

No dia 20 deste mês de junho, terá início a estação do inverno, quando os termômetros marcarão temperaturas mais baixas (podendo variar em cada localidade). O Sol atingirá o Hemisfério Sul por menor tempo, gerando dias mais curtos e noites mais longas. Além de ser a época mais fria do ano, é também um tempo propício para autoconhecimento e amadurecimento interior.

O início do inverno é marcado pelo Solstício de Inverno, que ocorrerá neste ano no Hemisfério Sul no dia 20 de junho. A palavra “solstício” tem sua origem no latim “solstitium”, que significa “ponto onde a trajetória do Sol aparenta não se deslocar”. O Sol atinge a posição mínima de afastamento em relação à Linha do Equador (e no Solstício de Verão atinge a posição máxima de afastamento), proporcionando o dia mais curto do ano e, consequentemente, a noite mais longa, o que propiciava inúmeras comemorações para os povos antigos, como, por exemplo, a comemoração de Yule na cultura celta.

Noite estrelada
Numendil/Unsplash

O rito da comemoração de Yule (dia 21 de dezembro no Hemisfério Norte e 21 de junho no Hemisfério Sul) é o ritual de inverno mais antigo conhecido. Ele serviu como base para a origem dos demais rituais de inverno em religiões posteriores. Segundo a mitologia celta, o Sol (deus Belenus – divindade do Sol e da Luz) morre no inverno, e deve nascer um novo Sol. A Deusa Mãe (deusa da Terra) dá à luz o novo Sol, o que ocorre durante o ritual de Yule (que se inicia em 21 de dezembro e se encerra em 1 de janeiro): é o renascimento do Sol, um menino, que terá a missão de amadurecer durante o inverno para se tornar adulto no próximo verão.

O ritual de Yule é rico em detalhes. Os povos celtas usavam as vestimentas das cores verde, vermelho e dourado para comemorar a data, pois era o início do ano celta e uma época de renascimento, sendo a comemoração mais importante desse povo. Eles enfeitavam as árvores aos redores de suas casas com velas (com o intuito de deixar as ruas mais claras na comemoração devido ao fato de as noites serem mais longas), o que proporcionava um clima totalmente de festa. Além disso, algumas árvores eram enfeitadas com um pentagrama feito de galhos na ponta.

A festa era de muita magnitude e importância, pois marcava o início do ciclo mais difícil do ano para os habitantes das regiões antigas do Oeste europeu (local onde viviam os povos celtas). O inverno era muito rigoroso, faltava alimento devido ao período longo de neve, as plantas não davam frutos e o animais se escondiam ou hibernavam; os povos se recolhiam em suas casas e cabanas para se fortalecer. Assim, o ritual de Yule era a preparação para o inverno, o momento que fortalecia o povo celta para enfrentar essa época.

Neve em árvores, chão e em uma casinha
Bob Caning/ Unsplash

O ritual de Yule da cultura Celta é uma celebração que nos faz refletir sobre os ciclos da vida, as vitórias e as conquistas em meio às dificuldades enfrentadas, e nos ensina sobre como devemos nos recolher em épocas menos propícias (como a da quarentena devido à pandemia da Covid-19), a fim de melhor refletirmos sobre a vida e conhecermos a nós mesmos. Devemos aproveitar o inverno para fazer uma reanálise de nossas escolhas e de nossas atitudes perante a vida, concentrando-nos em amadurecer em todos os âmbitos da vida, da mente, do corpo e do espírito, para melhor enfrentarmos as dificuldades do dia a dia e para viver melhor, mais evoluídos.

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O recolhimento não deve ser somente físico, pois essa é uma modalidade que geralmente não é possível, em razão dos nossos afazeres diários, como trabalho, estudos, entre outros; contudo, interiormente, devemos usar o inverno para ser como o jovem Sol da cultura celta, procurando amadurecer e nos fortalecer, a fim de sermos adultos internos e radiantes após esse período, preparados para mais um ciclo da vida.

(Um fato interessante a ser observado é como a cultura cristã romana adotou, para comemorar o Natal, inúmeros detalhes e significados da comemoração de Yule da cultura celta: desde o nascimento do menino deus – o deus Sol, da Luz, na cultura Celta, e Jesus, na cultura cristã (que também é reconhecido na religião cristã como “Portador da Luz”) – até os enfeites das casas, as árvores com luzes, as vestimentas coloridas com vermelho, verde e dourado. Mesmo em junho podemos usar a magia da época do Natal para renascermos, como uma pessoa nova e mais evoluída.)

Sobre o autor

Eduardo Rosa

Eduardo Rosa

Formado em licenciatura em filosofia, especialista em filosofia e sociologia, assim como em Libras.

Possui vasto conhecimento na área de humanas, história, psicologia e religião.

Efetuou trabalhos sociológicos em religiões como cristã (católica), Islã, judaísmo, budismo, entre outras, e também em segmentos religiosos, como espiritismo e religiões de origem africana.

Possui conhecimento em línguas estrangeiras, como alemão, italiano e inglês, assim como em línguas antigas, como latim, hebraico e grego.

Estudante de gestão industrial.

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