Autoconhecimento

50 tons de utopia

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Se falar sobre sexualidade é um tabu na sociedade contemporânea, então dá para imaginar a polêmica que levantava no passado. “Sexo somente para reprodução”, “aborto é pecado” e muitas outras opiniões são debatidas constantemente até hoje. Até mesmo o lugar para se discutir sexo é motivo para questionamento, afinal, este é um dever dos pais, da sociedade, da escola e/ou da igreja? Ao mesmo tempo que se discute bastante há também, por ironia, muita falta de informação e entendimento sobre doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc.

Saindo um pouco desses debates, a indústria cinematográfica, ou seja, com fins de lucro no entretenimento, tem trazido a sexualidade cada vez mais à tona nos filmes. O campo da literatura já explorou e tem bastante experiência nesse campo, porém a censura e a opinião pública sempre foram mais severas com as produções audiovisuais. Entre diversos filmes recentes que tem feito sucesso, destaque para justamente uma adaptação literária para o cinema: 50 tons de cinza.

Primeiramente, o livro jamais seria adaptado no século XX. Caso fosse, a censura com certeza não permitiria um retrato fiel ao texto presente na obra. E se fosse na primeira metade do século XX, em um país como o Brasil, o livro sofreria resistência e não seria publicado devido aos regimes da época.

No que diz respeito às adaptações de filmes eróticos para o público prioritariamente masculino há dezenas, centenas e até milhares de títulos variados. Até mesmo um estilo para filmes brasileiros do gênero recebeu uma nomenclatura própria: pornochanchada, que era uma história com cenas “lights” de sexo. Basicamente muitos seios, nádegas, raramente vaginas e nunca, absolutamente nunca, pênis. O corpo da mulher é exposto em demasia na cultura em geral, inclusive em festas, mas o mesmo não acontece com a física masculina.

“Cinquenta tons de cinza é o retrato de como a maioria de nós gostaria que as nossas vidas sexuais fossem, mas que, na verdade, não passa de uma obra de ficção erótica”

Recentemente, o espaço para filmes que exploram o erotismo masculino e focado ao público feminino tem ganhado espaço no cinema. Enquanto mulheres sofreram décadas assistindo seios empinados perfeitos na televisão e lamentando os seus próprios, atualmente homens se preocupam com o tamanho do pênis e também com o apetite sexual voraz dos personagens das histórias.

Um lado disso é que a insegurança das mulheres começa a ser compartilhada também aos homens. E a outra faceta é que a imaginação e a ousadia masculina começam a ser mais aceitas na sociedade para as mulheres. Independente se essa mudança de padrões é boa ou ruim, o lado bom é que mais argumentos surgem e novas opções de modos de vida afloram para as mulheres também. Cinquenta tons de cinza é o retrato de como a maioria de nós gostaria que as nossas vidas sexuais fossem, mas que, na verdade, não passa de uma obra de ficção erótica. Da mesma forma que as mulheres dos filmes eróticos masculinos não possuem corpos perfeitos, o apetite voraz de Grey também não é verdade. Isso traz uma desilusão, mas também possibilita uma aceitação maior dos casais e desperta a necessidade das relações sexuais se reinventarem. A ficção não é realidade, mas pode fazer parte dela.


Escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Referência: 50 Shades Of Grey: a Sex Therapist Perspective

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