Comportamento

Sintomas de fobia social: saiba quais são e como lidar com eles

Mulher de pé na rua com mãos no rosto e o fundo desfocado indicando tontura ou pavor
Antonio Guillem / Shutterstock
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A fobia social, também chamada de sociofobia ou Transtorno de Ansiedade Social, é um transtorno psicológico que consiste em um medo excessivo em torno de situações de interação social, que leva o indivíduo a temer, irracionalmente, julgamentos, rejeições e avaliações negativas que possa sofrer de outras pessoas.

Os sintomas de fobia social podem se confundir com outros transtornos ou até mesmo com a timidez. Dessa forma, é importante diferenciar para saber quando procurar ajuda profissional. Neste artigo, então, procuramos informar tudo o que você precisa saber sobre fobia social, seus sintomas, comorbidades relacionadas e outras informações importantes para sanar todas as suas dúvidas. Aproveite a leitura!

Tipos de fobia social: da leve à grave

Existem dois tipos de fobia social, que se diferenciam em seu nível de gravidade. A mais leve, conhecida como ansiedade social circunscrita, ocorre quando o medo é sentido na realização de tarefas diante de outras pessoas, como apresentações de trabalhos escolares ou falar em público.

Já em seu nível mais grave, tida como fobia social generalizada, existe um alto nível de ansiedade em relação a interações sociais simples, que vão desde uma conversa ao telefone até ir a uma festa.

Quais são os sintomas da fobia social?

Os sintomas desse transtorno podem ser divididos entre os de ordem cognitiva, comportamental e fisiológica.

Sintomas cognitivos: os mais comuns são ansiedade extrema, medo irracional, baixa autoestima, pessimismo e angústia.

Sintomas comportamentais: o indivíduo apresenta isolamento social, evita contato visual ou atender ligações, procura não expressar suas opiniões ou interagir com figuras de autoridade’ ou desconhecidos.

Sintomas fisiológicos: taquicardia, mãos geladas, tontura, sudorese, rubor nas faces, dor de barriga, falta de ar e náuseas são alguns dos sintomas.

A seguir, vamos entender um pouco mais sobre 5 dos principais sintomas da fobia social:

1. Ansiedade extrema

É comum que o indivíduo acometido de fobia social sinta uma ansiedade fora do comum antes mesmo de se expor a situações de interação social. Por exemplo, um aluno pode se sentir terrivelmente ansioso ao imaginar seus colegas de classe julgando sua apresentação no seminário. Essa ansiedade pode acabar atrapalhando o próprio desempenho do aluno, que pode sequer conseguir se apresentar devido a uma crise de ansiedade.

2. Baixa autoestima

A pessoa que sofre com fobia social possivelmente vai apresentar autoestima baixa. Em situações de convívio social, seus medos podem levá-la a se autojulgar como inferior às demais pessoas, seja na aparência ou no comportamento. Até mesmo o próprio fato de não lidar bem com interações sociais pode afetar sua autoestima.

Garota pensativa sentada no peitoril abraçando joelhos olhando para a janela, adolescente triste deprimido passar tempo sozinho em casa, jovem mulher pensativa perturbada sentindo-se solitária
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3. Não expressar suas opiniões

Em decorrência do medo de ser julgado, o indivíduo pode desenvolver uma espécie de autodefesa ao evitar tornar conhecidas as suas opiniões pessoais em uma roda de amigos. Aqui, a autoestima baixa também pode ser um fator relacionado, pois esse indivíduo pode considerar suas opiniões menos importantes que a de seus companheiros.

4. Falta de ar

Esse é um sintoma típico da ansiedade e que está muito presente na fobia social, como já apontamos. Em situações de exposição social temidas pelo indivíduo, pode ocorrer uma crise de ansiedade e, então, a falta de ar pode se fazer presente. Ele pode sentir como se não fosse capaz de respirar diante daquele desconforto, acarretando a impossibilidade de manter aquele momento de interação.

5. Taquicardia

Outro sintoma muito comum é o de batimentos cardíacos acelerados. Por estar ansiosa, a pessoa pode sentir palpitações que podem até mesmo ser confundidas com um problema de saúde física. Só de entrar em uma sala de reuniões, no seu trabalho, já é possível que o indivíduo sinta seu coração acelerado, gerando um desconforto que vai além do físico.

Fobia social nas diferentes fases da vida

Os sintomas da fobia social podem se expressar de forma distinta em diferentes fases. Durante a infância, o bullying e o relacionamento com os pais podem ser as causas do transtorno, então a criança com fobia social pode mostrar comportamentos como inibição, evitamento das visitas ou se esconder atrás da figura dos pais.

Na adolescência, questões como pressão social, padrões de beleza e decisões sobre o futuro podem ser desencadeadoras do transtorno. Aí teremos, possivelmente, um adolescente com baixa autoestima e que costuma se isolar dos demais, por exemplo.

Quando os transtornos psiquiátricos se confundem

É facilmente possível confundir a fobia social com outros transtornos, visto que alguns ou muitos sintomas podem ser compartilhados. Além disso, muitas vezes existe o fator comorbidade presente.

Fobia social e agorafobia, por exemplo, podem se confundir no medo de locais públicos. Porém há uma grande diferença entre os dois transtornos: na agorafobia, a pessoa sente medo de estar em um ambiente público, de sair de casa, enquanto na fobia social o que existe é um medo do julgamento das pessoas que estarão no ambiente.

Outra confusão comum ocorre entre fobia social e ansiedade. Afinal, a fobia social é um tipo de transtorno de ansiedade, então a confusão é compreensível do ponto de vista leigo. Ambos os transtornos partilham muitos sintomas: falta de ar, taquicardia, ansiedade em determinadas situações, pessimismo, náuseas, entre tantos outros.

Entretanto a fobia social é muito específica: diz respeito ao medo de julgamento em situações sociais. Já a ansiedade, no geral, pode abarcar muitos outros fatores, como um medo referente ao futuro.

Por fim, não podemos deixar de lado a relação entre fobia social e depressão. Como já vimos, um dos sintomas da fobia social é o isolamento social, decorrente de outros sintomas do transtorno que levam a essa necessidade de se manter longe das pessoas tanto quanto for possível. Certo isolamento também pode ser comum em pessoas com depressão, por motivos diferentes.

Mas, mais do que isso, é bem possível ocorrer a comorbidade entre esses dois transtornos. O próprio isolamento social a que o sujeito é levado pela fobia social pode reverberar em uma depressão futura, caso o transtorno não seja tratado.

Assim, vemos que, além de se confundirem em alguns sintomas, esses transtornos psicológicos também podem ser comorbidades associadas à fobia social, o que merece atenção, já que um transtorno acaba influenciando no outro.

Saiba diferenciar fobia social de timidez

Também é comum que se confunda a fobia social com a timidez. Esse erro se deve às características já citadas, como isolamento social, evitar contato visual etc., comportamento que também podem estar presentes em pessoas tímidas. Mas existe um grande abismo entre as duas situações!

Timidez é um aspecto normal na personalidade do ser humano e pode ocorrer com todos em algum momento da vida. Diferentemente dele, a fobia social acarreta mais prejuízos a quem sofre com o transtorno, pois não se trata de apenas superar uma característica da personalidade: a fobia social é um transtorno psicológico que chega a paralisar a pessoa.

Assim, embora possam até ter semelhanças, são duas condições bem distintas e a diferença essencial entre elas está na magnitude em que ocorrem e em suas consequências negativas.

Homem sentado no banco com vista para o mar
Marc Bruxelle / Shutterstock

Como conviver com a fobia social

Estamos falando de um transtorno que não tem cura, mas para o qual existe tratamento efetivo para controlar os sintomas e diminuir o impacto negativo na vida da pessoa. É necessário, antes de tudo, consultar o médico especialista (um psiquiatra, no caso) para conferir o diagnóstico e traçar o tratamento mais adequado para cada caso.

Muitas vezes, alguns medicamentos são prescritos pelo psiquiatra, de modo a atenuar os sintomas, facilitando o autocontrole do paciente diante deles. A psicoterapia também é outra indicação muito relevante, pois ajuda o paciente a enfrentar diretamente seus medos e dificuldades, entendendo mais sobre si mesmo e sobre como lidar com suas questões. Assim, o tratamento combinado entre terapia e medicação costuma ser o indicado em muitos casos.

É claro que, além do acompanhamento profissional, o próprio indivíduo pode adotar outras estratégias saudáveis para lidar com o transtorno no dia a dia. Por exemplo, técnicas de relaxamento, como o Relaxamento Muscular Progressivo de Jacobson, podem ser de grande ajuda para melhorar o autocontrole e amenizar os sintomas.

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O mais importante é, antes de mais nada, reconhecer que algo não anda muito bem e que ajuda é necessária para entender e lidar com isso. Com a devida intervenção profissional, é possível chegar ao diagnóstico correto e ao tratamento mais adequado para cada caso. Lembrando que a automedicação jamais deve ser uma opção! Além de não ajudar, ela pode piorar a situação, pois só com o acompanhamento de um especialista é possível fazer o tratamento da maneira correta.

Afinal, fobia social é um transtorno psicológico muito sério, que pode afetar a vida em diferentes níveis, por isso deve receber a devida atenção e cuidado. Assim é possível alcançar o bem-estar e conviver com ela de forma muito mais saudável.

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