Autoconhecimento Meditação

Amor incondicional

Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro
Como pode ter mais amor no mundo?

A gente sabe que é essa a cura. Amando-se.

Descobrir como aceitar os defeitos. Aceitar até mesmo essa voz interna que quer sempre melhorar. Aperfeiçoar. Fazer mais. Parece que é para realmente ser melhor. Mas na verdade, é cansativo. Mesmo essa voz, eu devo amar.

E como disse um amigo, essa voz que se rebela à entrega e aceitação pode estar guardando uma grande joia. Aceita. Aceita. Porque é mais fácil ter compaixão e entender e perdoar os erros dos outros que os meus próprios.

E justo aí está a questão: trazer esse perdão, paciência e aceitação pra dentro. Não ser tão dura comigo mesma. Aprendendo. Todos são meus mestres. Inclusive o medo. A dor. A dureza.

Resolvi fazer um experimento comigo mesma durante uma semana. Exercitar, na prática, olhando para tudo o que faz parte de mim. A cada dia abri uma pequena porta para iluminar sentimentos e experiências que estavam embaixo do tapete.

Vou resumir aqui os insights da semana. Quem sabe você não se anima a fazer o mesmo e compartilhar seu ponto de vista?

Dia 1: MEDO. Do que eu tenho medo?

Eu sei que no fundo de tudo está o medo da morte. Eu tenho medo de morrer.

Tenho medo de morrer e não ter viajado mais pelo mundo. Tenho medo de ficar sem dinheiro, de não ter onde morar. De passar fome. Tenho medo de ser difamada. Mal vista. Julgada. Tenho medo de ser violentada, estuprada, assaltada. Tenho medo de não ser vista. Esquecida. Não amada. Tenho medo de chorar sozinha. Medo do silêncio. De ser xingada. De brigar. De ser mau entendida. Tenho medo de ser magoada. De magoar. De ser ignorada. Tenho medo de que meus familiares fiquem doentes, sofram algum acidente, morram. Eu morro de medo de perder meus pais.

Tenho medo de ficar muito doente. De me sentir incapaz. Tenho medo pra caralho. Tenho medo mesmo. E eu não gosto muito de ter medo. E eu amo esse medo. Não sou eu. Não é meu. Nada é meu. Faz parte dessa experiência. Gratidão, medo.

Dia 2: ANSIEDADE

Ansiedade tem a ver com medo. Projetar o futuro como sendo muito difícil, desafiador, impossível. O que vai acontecer vai ser muito difícil pra mim e eu não vou aguentar. O que vai acontecer é pior do que imagino. Vai ser correria. Vai ser cansativo. Vai dar errado. É perigoso. Melhor não ir. O coração palpita acelerado e forte no peito. Não me deixa pensar. Não me deixa dormir. Detesto isso. Às vezes, meditando, fico nessa ânsia. Odeio isso. Me queima por dentro. Odeio não dormir. Como vou acordar amanhã?

Ansiedade, minha mestra, gratidão. Eu sei que você não é de todo mal. E tem muito pra ensinar. E eu não sou você. Eu sinto você. Mas você não sou eu. E eu não sou você. Sinto muito. Me perdoa. Te amo. Sou grata. Me ensina. Quero ser tua amiga.

Dia 3: RAIVA

Sou ariana. Sou Pitta. Sou fogo. Sou? Sinto. Falo alto. Perco o controle. Sou grossa. Olho de cara feia. Julgo. Me irrito. Me afasto. Me calo. Xingo. Odeio.

Tenho raiva de ter raiva. Sou professora de Yoga. Medito todos os dias. Sinto raiva. Mas acho que não deveria. Deve ser errado uma professora de yoga sentir raiva. Não pode. Essa eu jogo com força debaixo do tapete. Normalmente ela vem junto com a ansiedade. Com o julgamento. Com o medo. E quando as coisas não acontecem bem como eu queria. Mas essa energia da raiva é a mesma da motivação, do impulso de ir pra frente. É a mesma energia de cantar alto, de sair da cama de manhã, de praticar yoga com devoção e de ser disciplinada. É a força que faz sair do medo. É o fogo digestivo que transmuta. A mesma coisa.

Gratidão, raiva! Me ensina a te amar. Porque você é minha força. Eu preciso disso.

Deixa o vulcão explodir. Sem machucar ninguém. Sem virar cinzas. Deixa queimar e me levar cada vez mais perto da essência. Me dá força pra seguir e acreditar.

Dia 4: MEU CORPO

Durante muitos anos eu odiei meu corpo. Faltou amor. Me comparando com todas as outras mulheres eu me sentia a mais gorda, a mais feia, a de cabelo mais desajeitado e a mais mal vestida. Não amei meu ventre. Meu cabelo.

Minhas olheiras. Meus seios muito pequenos. Minha bunda com celulite. Meu pêlos.

A cor da minha pele também, não tava boa… Cara, é um processo esse de se amar, hein?! Fala sério! Agora que vou escrevendo me dou conta de como eu sou dura comigo mesma. Me sentindo infeliz dentro do meu corpo. Aqui tem espaço. Aqui gera vida. Aqui tem coração. Tem abraço. Tem movimento. Tem saúde. Tem tudo funcionando perfeitamente. Tem dentes pra sorrir. Olhos pra ver. Ouvidos pra escutar. Tem ossos fortes. Tem sangue limpo. Tem digestão perfeita. Tem massa cinzenta. Tem tensão. E eu estou aprendendo a amar. As cicatrizes. Os pêlos. As pintas. Os calos. Os limites. As cores. Os cheiros. Os sons… Amar o lugar que habito. Gratidão por habitar esse lugar tão perfeito.

Dia 5: Essa voz que diz que nunca tá bom também existe em você? Eu não a amo também

Mas acho que o que ela mais quer é ser amada. Afinal de contas, de onde vem essa voz? E quem sou eu que escuta essa voz e se sente subjugada? Essa voz ditadora. Às vezes, eu chamo de polícia interna. Polícia ou tropa de choque. Vem gritando por dentro e falando que tá tudo errado, inclusive eu escrevendo publicamente sobre tudo isso. Vou ser julgada. Como as pessoas vão reagir? Por que me expor assim? Que voz ouvir? Falando sério, queria que ela calasse a boca e parasse de me dizer que o que eu faço não é bom. Mas to aprendendo a amar.

Pra mim isso é um defeito. Não sou eu, mas tá aí. Impossível tirar. E já que tá aí mesmo, melhor aceitar e entregar pra algo maior. E aprender a amar. Tipo abraçando uma criança rebelde. Ela só quer atenção. A vontade é de ignorar. Mas também não funciona. Então, vou abraçar. Vou te falar, faz bem desabafar e me desnudar aqui.

Dá medo. Mas vai mesmo assim. O amor dissolve tudo.

Dia 6: INVEJA. CIÚMES

Quem gosta de admitir que sente isso? Hahahahaha, eu que não! Mas eu sinto. E não gosto. Ciúmes das pessoas, das coisas. Inveja. Queria estar no lugar do outro e ignoro completamente que esse outro também teve sua luta. Parece que é fácil estar lá. Na verdade, o difícil é querer fazer tudo sozinha.

Fica muito mais fácil junto dos outros. Ver aos outros como irmãos e não seres superiores. Ou inferiores. Eu não gosto dessa crença em mim que repentinamente coloca as pessoas em pedestais e, aí, eu me afasto achando que não sou digna de estar perto delas. Ou me colocando em um pedestal e ignorando outras pessoas.

O que é isso em mim, que categoriza assim e me afasta de tanta gente? Eu não gosto disso em mim. Acabei de descobrir isso. Ainda não sei o que dizer. O amor dissolve tudo. Essa angústia vai passar. Só com amor vai passar.

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée, depois disso fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de 1 ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pelo Yoga e pela meditação. Hoje, ela é professora de Yoga e terapeuta reikiana em Paraty, RJ.

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