Saúde da Mulher

As aventuras de uma recém-mãe

Mulher sentada em sofá amamenta bebê.
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando um bebê nasce, aquele ser é indefeso e precisa de milhões de cuidados para sobreviver por muitos anos. Precisa de ajuda para todas as atividades e vai adquirindo cada vez mais aprendizado até se tornar independente dos cuidados. O recém-nascido tem colo, tem abrigo, tem a paciência de todos à sua volta para lhe ensinar a viver. Mas e a mãe? A recém-mãe que acaba de parir e se vê com seios fartos de leite, doloridos, exausta, reconhecendo-se mais uma vez em seu próprio corpo… Quem ensina à recém-mãe sobre esse novo mundo em que ela entrou?

Essa é uma pergunta delicada de ser respondida, já que o puerpério é uma fase muito íntima da mulher com seu filho e seu próprio corpo. Às vezes boa, às vezes ruim, mas, de maneira geral, é realmente uma aventura.

Primeiramente, vamos pensar nas mães que têm o apoio do parceiro e da família nesse momento. A nova rotina em casa com o bebê, os desafios de dividir o tempo de maternar e ser a parceira, os cuidados com a casa, a atenção à família, que agora só tem olhos para o bebê, e a vaidade. Muitas mulheres se perdem no puerpério pois se veem atropeladas pela nova rotina e não sobra tempo para olhar para si com amor e carinho. Nada mais é igual. Essa mulher nunca mais será a mesma. Não será a mesma mulher, a mesma esposa, a mesma filha, a mesma amiga, a mesma profissional. Agora é hora de se reencontrar e de se reinventar. É aquele momento em que ela vai olhar para o guarda-roupa e pensar: “Nada mais combina comigo!” e vai querer trocar tudo.

Mulher com as mãos sobre o abdômen. Ela veste um suéter grande.
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A parte do guarda-roupa acontece com a maioria das mães após o primeiro filho, mas, olhando para as mães solo, mães que criam seus filhos sem ajuda do pai, os desafios de se reencontrar são muito maiores. É o momento de parar e pensar: Quem dá colo para essa mãe? A sociedade machista em que vivemos já diminui as mulheres e o ato de maternar ao simples (e infeliz) comentário: “Ela não faz nada, só é mãe!”. Ser mãe nunca é só sobre ser mãe, é ser coisa demais, principalmente quando se é mãe solo.

Poucas são as pessoas que param para entender que a mãe solo assume uma carga de responsabilidade muito maior do que a mãe que tem a participação integral do parceiro na rotina — e isso não diminui nenhuma das duas em nada, porém a mãe solo precisa lidar com o(a) filho(a) e com a sua vida, sua volta para o mercado de trabalho ou para os estudos, sua casa e seu tempo de lazer, o que é quase impossível sem uma rotina estruturada e uma rede de apoio.

Saúde mental da mãe

A mãe que deixa o filho na escola para trabalhar está errada? Claro que não, porque ambos precisam disso. A mãe que deixa o filho com alguém de sua rede de apoio para se divertir e ter um momento de lazer longe da rotina da criança está errada? Também não. A saúde mental da mãe solo também precisa estar em dia para aguentar dar conta de tudo de forma mais leve e agradável.

Como se não bastassem as dificuldades da recolocação das mulheres no mercado de trabalho após se tornarem mães, imaginem para as mães solo. Esse cenário difícil acaba sendo cada vez pior, já que empresas querem funcionários cada vez menos humanos e mais robotizados, que trabalham muito e têm poucos problemas com a vida pessoal. E isso também acontece em outros aspectos da vida, como encontrar um novo parceiro, já que, por algum motivo, homens parecem acreditar que mulheres com filhos são mais férteis do que outras. Sério? O que isso tem a ver? Então é assim? Virou mãe é uma profissional pior, uma mulher pior, uma namorada pior? Que horror! Não existe saúde mental que aguente isso, só terapia e meditação mesmo para acalmar o coração.

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Por fim, caso você seja uma mãe, solo ou não, saiba que ser mãe é viver se culpando por algo pelo qual não deve se culpar, por coisas que a sociedade fala mas que sabemos que não é verdade. Não desista dos seus sonhos, não pare de sorrir, aceite essa nova rotina e se adapte ao que vier pela frente para superar os desafios. E nunca deixe que te digam o que é melhor para o seu filho, pois só você sabe disso. Namastê!

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