Saúde Integral

Educação Nutricional Infantil – a hora é agora!

Mulher comendo comida saudável
Travis Yewell/ Unsplash
Lilian Custodio
Escrito por Lilian Custodio

Educação nutricional é algo que deva ser focado e aplicado em crianças e no ambiente escolar?

R: Poderia responder essa simples pergunta de modo técnico e objetivo, mas prefiro reportar uma experiência vivida, que mudaria toda minha forma de pensar e aplicar nutrição.

Pois bem, era um dia normal, o hospital cheio e eu estava passando visitas, prescrevendo dietas de alta, lendo prontuários, me inteirando de novos casos…

Quando um médico se aproximou e pediu que eu fizesse uma orientação dietética a uma paciente dele, uma jovem senhora, que havia passado por uma amputação de membro inferior (cortou a perna do joelho para baixo), decorrência das complicações da diabetes.

Meu coração apertou… e não consegui mais estabelecer uma conexão equilibrada com meu cérebro.

Eu me perguntava mentalmente: “E agora o que vou falar para ela? Não faz sentido algum… nada que eu disser ou fizer vai reparar a dor que ela deve estar sentindo… ainda terei que passar uma listinha terrível e interminável de tudo que ela deverá evitar comer, quantas dores e perdas”.

Entrei no quarto, e me deparei com aquela senhora que ainda não tinha seus 60 anos, sentada numa cadeira, com a cabeça apoiada em um dos braços sobre a cama. Quando me viu entrando, cumprimentou e esboçou um triste sorriso. Meus olhos rapidamente percorreram o vazio onde um dia esteve uma perna, e parei nos olhos dela.

Doutor de braços cruzados
Unsplash

Puxei uma cadeira, e assentei ao seu lado.

Não sabia como começar aquela conversa, então algum anjo passou naquele momento e sugeriu que eu fizesse o seguinte: “Que tal motivá-la a contar sobre a história dela?

E assim eu fiz…

Fiquei por algum tempo absorta naquela história de vida, e percebi na fala simplória que faltaram muitas informações ao longo de sua vida. De como aquela doença crônica, ainda sem cura, pode ser devastadora quando sai cortando pernas e cegando.

Ouvi respeitosamente todas as suas dores, e perguntei se ela gostaria de entender sobre a diabetes e sua fisiopatologia. Ela respondeu que sim, mas percebi que sua resposta se dava por educação à minha paciência e gentileza em tê-la ouvido primeiro.

Suporte de soro do hospital
Marcelo Leal/ Unsplash

Assim eu fiz.

E no final ouviria aquilo que mudaria minha vida para sempre…

“Dra., nunca antes pude entender como hoje como essa doença acontece dentro do corpo da gente, e como ela poderia ter sido controlada, eu sou da roça e tenho poucos recursos (teve um breve silêncio). Eu daria tudo para voltar a ser criança e aprender tudo o que a sra. me ensinou agora, com certeza estaria com minhas duas pernas.”

Naquele dia, eu ainda não sabia o que faria.

Mas de algo eu tinha certeza, estava no lugar errado.

Foi desse ponto que a educadora alimentar surgiu, e depois, dia após dia, nasceria a Fada Lilly. Teve toda uma trajetória, mas não vem ao caso agora. O que importa é apenas o propósito. Eu tinha que fazer algo que fizesse sentido para mim.

Criança andando em uma passagem de madeira vestida de fada
Daniel Kampe/ Unsplash

Educar

Nutrir

Encantar

Essas três palavras se fundiram no meu âmago, e algo muito mágico aconteceu.

A cada dia ficava mais claro que era preciso levar informações a um grupo-alvo, que estaria sempre disponível ao aprendizado. Na sua maioria essas pessoas são possuidoras de uma curiosidade e imaginação inesgotável e também donas de uma capacidade incrível de compreensão. Na escola, é onde estariam agrupadas maciçamente, e no coletivo o ensinamento poderia ser mais divertido, leve e muito motivador. Levariam ainda aquilo
que foi compreendido adiante, e depois, com toda a certeza, repassariam às próximas gerações…

Sem contar que com mudanças sutis e não menos eficazes no comportamento alimentar ainda na infância poderiam garantir para si próprias uma vida adulta plena e produtiva.

Criança evitando de comer pois está desenhando
Reshot

Porém, infelizmente, hoje esse grupo está inserido em dados estatísticos que apontam uma triste realidade.

Estão obesas como nunca antes estiveram, portadoras de doenças crônicas que antes nem eram mencionadas na 1ª e 2ª infância (pré-diabéticos, hipertensos, dislipidêmicos, e até casos de osteoporose com 11 anos de idade. Pode isso?!)

Tudo por quê?

Tolhidas de gastar energia. Deveriam estar brincando, pulando, correndo, andando de bicicleta e recebendo a luz solar, se não fosse a falta de segurança pública. Então, passam boa parte do tempo em cima de sofás, em seus tablets, videogames e smartphones.

Criança mexendo no celular deitado no sofá da sala
Diego Passadori/ Unplash

São o público-alvo da indústria alimentícia, que preocupa apenas em matar a fome enchendo barriguinhas com muitas calorias vazias.

E seus pais? Esses estão trabalhando… para que não falte nada a elas…

Pais que com toda a certeza são de outros tempos…

Existia muitos casos de desnutrição no Brasil, 3 ou 4 décadas atrás, e ser “gordinho” soava quase como um elogio, vindo das tias-avós. Ainda tiveram o privilégio de brincarem livremente na rua, quando retornavam da escola. Naqueles tempos, ter mesa farta era um luxo…

E era luxo mesmo, porque quase todos os alimentos eram naturais de fato, e não fake food (inventei esse termo agora, e gostei dele).

Comida de mentira, que nada nutre. Que vem em pacotinhos bonitinhos ou que traz brinquedinhos e coisinhas assim…

Mesa com diversos pratos de comida
Alex/Reshot

Que atrai a atenção, mas não corresponde à expectativa primordial, que é oferecer elementos necessários para que um organismo possa crescer e desenvolver sadio, de fato.

Hoje, sou basicamente a “garota-propaganda” do Papai do Céu e/ou da Mãe Natureza. Afinal, alguém tem que defender os alimentos in natura, contar sobre suas mágicas e verdadeiras propriedades nutricionais, que geram saúde, crescimento, força, rapidez, inteligência, beleza, entre outros atributos.

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Posso afirmar com toda a certeza que vivo no paraíso planetário do mundo da nutrição, sendo fada nutricionista.

E que lugar de aplicar educação nutricional é na carteira da escola e nunca na cama de um hospital.

Desejo que isso faça sentido a você, como fez para mim…

Acho que finalmente consegui responder à pergunta inicial.

Qual é a próxima pergunta!? (Rsrs)

Fada Lilly, educadora alimentar e nutricionista – antiga dra. Lilian Custodio.

Sobre o autor

Lilian Custodio

Lilian Custodio

Sou, Lilian Custodio.
Nutricionista, Acupunturista, Mãe, Educadora Alimentar Infantil, Escritora e Fada. Exatamente nessa ordem...
Sim.. é isso mesmo - Fada Lilly.
É assim, que eu consigo convencer a futura geração sobre a importância em se alimentar de forma mais equilibrada e saudável, preservando assim a saúde deles.
Simplesmente, essa é a missão que papai do céu me confiou.
Me formou primeiro Nutricionista para que eu pudesse me abastecer do conteúdo cientifico e técnico da Nutrição.
Depois me formatou na Medicina Milenar Chinesa para que eu soubesse utilizar a primeira ciência aprendida com sabedoria e equilíbrio.
Na sequencia me deu dois filhos, para aplicar e aprimorar a teoria na pratica.
E ainda, como Educadora Alimentar para que eu pudesse repassar tudo isso no coletivo
A Escritora surgiu com a finalidade de ampliar ainda mais esses ensinamentos, e auxiliar mães e professores a também se inspirarem, para me ajudar nessa missão.
E por fim, a Fada Lilly para tornar tudo isso mais leve e encantador.
Essa sou eu!

Email: [email protected]
Instagram: @tia.lilian.nutri