Convivendo

Layla Maria – a Saga de uma Mulher Mal Vista

Mulher negra deitada.
KALZ📸🇺🇬 / Pexels
Andrews Amoramar
Escrito por Andrews Amoramar

Layla Maria só queria ser bem-vista. Layla Maria era como toda jovem de vinte e poucos, ela queria ser querida e alcançar algo melhor na vida. Porém Layla Maria não era vista como toda jovem de vinte e poucos se descobrindo na vida.

Não, Layla Maria nem sequer era vista, não bem-vista.

Ela vivia em cidade pequena, em uma época em que mulher boa era mulher na cozinha. “Certo”, talvez você pense, “mas isso não mudou”, porém a época de Layla Maria era de antes da nossa e lá tudo era ainda mais difícil, para uma jovem que não era bem-vista.

Como dizia, mulher boa era mulher na cozinha, mas Layla Maria odiava fogão, e sua receita principal era um ovo frito e mesmo seu ovo frito recebia duras críticas. “Não quebra a gema”, era o que sempre ouvia.

E na cidade Layla Maria era falada, a moça era tão querida com toda a vida, simpática e comunicativa. Layla Maria era diferente, logo não era bem-vista.

A moça se apertava na vida para caber no padrão estreito em que seu pai querido e tradicional duramente lhe espremia. Porém de nada adiantava, Layla não era só Maria, e seus moldes “descabidos” não cabiam na forma já untada de seu querido paizinho.

E Layla Maria no cuidado de agradar o pai tentava, mas, coitada, Layla Maria nem pelo pai era bem-vista.

Layla Maria queria ser diferente, mas se ajustava ao que dela esperavam, para quem sabe assim ser aceita. A jovem tinha cabelo armado, todo embolado, uma floresta negra cheia de vida. Quando solto se enchia alto caindo em mechas crespas bem desenhadas, muito bonitas.

Mulher sentada no chão com as mãos na cabeça.
Alex Green / Pexels

Porém houve tempo em que Layla Maria passou a deixá-las iguais às demais mechas escorridas que as mulheres desfilavam por aí, ela não se viu mais tão bonita. Porém seu cabelo crespo não era bem-visto, então se adaptou Layla Maria.

Layla Maria tinha a cara bem-formada. Maçã do rosto alta e bem-delineada, lábios carnudos e sensuais, olhos amendoados escuros como obsidiana, mas o nariz e a pele não agradavam muito as pessoas que preferiam algo, digamos, mais suave. Assim tinha baixa autoestima Layla Maria, no entanto não porque se achava feia, mas só porque sua beleza não era bem-vista.

Layla Maria tinha um corpo bonito, quadril largo, com curvas sinuosas, mas as outras mulheres e todos da cidade decidiram que para ser bonita a mulher tinha de ser fina e desenhada como um violino. Layla Maria estava longe de ser gorda, mas seu desenho estava mais para um violoncelo, então um ponto a menos para Layla Maria.

Layla Maria queria mesmo era ser como as atrizes que na televisão assistia, mas sua mãe sendo sempre a voz sensata a lhe guiar, lhe disse que uma mulher como ela deveria arranjar um bom marido, lhe dar bons filhos e cuidar bem da casa. Como a mãe sempre lhe ensinou o que é certo, achou melhor lhe dar ouvidos Layla Maria.

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Layla Maria tentava e tentava, mas de nada adiantava, porque mesmo que ela fizesse de tudo sua pele ainda não seria bem-vista, pois a única pele bem-vista na cidade e por todo lado na verdade era pele clara e de boa família.

Desse modo vivia Layla Maria dia após dia se virando como podia. Mas não desista, Layla Maria, sua voz será ouvida. Na hora certa sua hora chega, e a hora certa é feita agora.

Poder às Laylas Marias…

A história não acabou. Aguarde a reviravolta de Layla Maria.

Sobre o autor

Andrews Amoramar

Andrews Amoramar

Anos atrás surgia por estas terras um pequeno garoto, um garoto que amou logo de cara o que viu. Um pequeno sonhador, explorador do quintal de casa, curioso pelas coisas afora. Esse pequeno amava desde cedo criar, e explorava sua criatividade com uma folha e lápis na mão, desenhando seus personagens preferidos.

Os anos passaram e o pequeno esticou em tamanho, porém a curiosidade e a ânsia em criar se mantiveram as mesmas. Hoje o garoto tem novas ferramentas e conhecimento para explorar mais e mais. Hoje o quintal é maior, relativamente maior. As experiências muito mais desafiadoras e às vezes assustadoras, mas o desafio maior é manter viva a alegria do garoto, mesmo em meio a tantos obstáculos.

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