Energia em Equilíbrio Yoga

Meditação nos desejos

Pedro Kupfer
Escrito por Pedro Kupfer

Convido você para iniciar agora a prática da meditação sobre os desejos. Para fazê-la, primeiro sente-se numa postura que seja naturalmente ereta e atente-se a sua respiração por alguns minutos. Em segundo lugar, perceba que quando se tem consciência do fluxo natural da respiração, os seus pensamentos se estabilizam e tudo entra em harmonia.

O ato de desejar é um privilégio dos humanos. É só refletir sobre todas as conquistas e realizações da Humanidade. Tudo isso foi fruto do desejo.

A música, a dança, as línguas, os modos de escrita, as descobertas da ciência e a própria ciência. Tudo isto é fruto do desejo inerente aos humanos, mas também do desejo de autossuperação, desejo de ter mais saúde e uma vida mais longa, desejo de ser mais criativo e de achar respostas para os maiores questionamentos da vida.

shutterstock_230657989Desejar é algo fundamental para a psicologia humana e não há problema em fazê-lo. O real problema está na forma como lidamos com isso. Existe uma grande diferença entre termos desejos e sermos governados por eles. Desejar é natural!

Assim, não há nada de errado em desejar, mas é preciso ter muito cuidado para não nos tornamos escravos dos desejos. É importante notar que sem os desejos não conseguiríamos realizar nada, pois, se não desejássemos, não iríamos sequer conseguir escolher que roupa usar, ou o que comer no dia a dia.

Pensando desta forma, não existe necessidade de negar os desejos, nem mesmo ter sentimento de culpa em relação a eles, quando se decide realizá-los. Mesmo assim, é preciso levar em conta também que, por mais desejáveis que sejam os desejos, eles nunca te levarão à felicidade. Tenha isso claro: ser feliz não depende de quantos desejos você já realizou.

Da mesma forma, os desejos nunca se acabam e fazem parte de um ciclo: um desejo dá origem a outro. Se de fato precisássemos realizar todo e qualquer desejo para enfim sermos felizes, nunca iríamos ser felizes. É preciso entender que, a plenitude não se dá a partir de um desejo, nem de uma ação, ou experiência.

A plenitude é conseguir reconhecer que, em cada pensamento, em cada desejo, em cada ação que fazemos, até mesmo nas nossas emoções, encontra-se uma luz, que ilumina tudo isso. Essa luz é a luz da Consciência que você é.

Existem diversas práticas nas quais podemos aplicar esse pensamento. Como por exemplo, ao dedicarmos tempo e esforço em benefício de outras pessoas. Quando agimos desta maneira, tiramos o foco de nós mesmo e do nosso ego.

Ao dedicarmos tempo, mesmo que pouco, para reduzir o sofrimento do outro, reconhecendo a Consciência que o outro também é, passamos a conseguir dimensionar de forma realista os nossos desejos. E como consequência, eles perderão a sua força.

Desejar é algo fundamental para a psicologia humana e não há problema em fazê-lo.

Existem dois tipos de desejos. Aqueles que estão vinculados ao nosso bem-estar, os quais existem para suprir nossas necessidades básicas, como comer, descansar, ser saudável, etc. E aqueles que não são essenciais para nossa sobrevivência e que apenas nos trazem prazer, conforto ou satisfação.

Nesse sentido, todo e qualquer desejo deve estar alinhado com o bem comum. Ou seja, é preciso refletir se temos o direito de realizar um desejo que possa vir a atropelar o direito de outra pessoa, fazendo-a sofrer. Se isto estiver acontecendo com algum desejo seu, não seria melhor se abster dele?  

Uma maneira de lidar com desejos que não se vão, ou dos quais podemos ter dúvidas, é evitar realizá-los por impulso. Aprenda a resistir, conte até dez antes de se jogar à realização de suas vontades. Quando fazemos isso, tomamos um momento para perceber se estes desejos estão alinhadas ao bem e se precisamos mesmo realizá-los.

Assim, voltando ao que falamos no início, desejar é o que nos faz humanos. É precisa tomá-los como bênção, apreciando-os de forma objetiva e evitando projetá-los como a resposta para a nossa felicidade.

Deem boas vindas aos desejos e reconheça o poder que eles têm sobre nós. Reconheça também que não precisamos realizá-los e muito menos negá-los para chegar à felicidade. Quando fizermos e entendermos isso, seremos felizes antes dos desejos, durante e depois deles.

Concluindo, lentamente, volte a observar a sua respiração, observe as sensações físicas que você está tendo. Abra os olhos e prepare-se para viver com consciência e tranquilidade os próximos momentos.

Eu desejo que você tenha uma relação tranquila com o seus desejos!

Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ Hariḥ Oṁ.

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Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

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