Convivendo

O medo de ser feliz – Parte 1

Sol Felix
Escrito por Sol Felix

Existem pessoas que têm medo de aranhas, outras têm medo da violência. Há pessoas com medo de palhaços, de ficarem pobres, e outras lamentavelmente com traumas bem tristes.

Conheci uma mãe e seu filho. Ambos possuem medo de gatos e cachorros…  até desses bonitinhos e fofinhos que costumamos ter domesticados em casa. Medo é medo.

Quem explica o medo de sermos felizes? Não se trata aqui da alegria passageira, como acontece quando encontramos um querido ou recebemos uma boa notícia profissional.

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Felicidade real (diferente daquela que vai embora depois de 30 minutos): satisfação somada à plenitude, onde o indivíduo se torna tão pleno que é invadido por uma gratidão imensa de ser quem é. Possivelmente, essa sensação reverberará em seu portador, por toda a sua existência.

Muitos falarão sobre a transcendência do ego, dos processos de iluminação e da necessidade de olhar para dentro de si. Muitos falarão sobre simplesmente ser, no presente. Entretanto, todas as teorias apenas disfarçam um pouco o vazio existencial que a maioria de nós sente.

Como eu sei que há um vazio existencial generalizado?

1º) Porque poucos se olham, e quando olhares entre estranhos se cruzam, as pessoas baixam a cabeça, ou desviam o olhar, ou se comparam. Algumas pessoas atravessam a rua também.

2º) Nossos olhos não brilham, nossa pele não tem viço e nossa aura está tímida. (E a culpa não é da água).

3º) Os dois itens acima são potencializados às segundas-feiras.

O ser humano é um ser relacional. Em filmes como ‘Náufrago’ e ‘As aventuras de Pi’, ou até mesmo quando deixamos a TV ligada quando estamos sozinhos à noite, fica clara a importância do outro na nossa vida e, no entanto, vivemos a temê-lo.

Penso que a senha para identificar pessoas realmente preenchidas de felicidade é que elas transbordam luz pelos olhos e iluminam o caminho dos outros, em todos os dias da semana. Se não somos felizes numa realidade tão cheia de pessoas e opções, é porque estamos a fugir constantemente dela.

(a brisa continua…)

Leia a segunda parte deste artigo.

Sobre o autor

Sol Felix

Sol Felix

Atriz formada pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul e Designer Gráfico (Universidade Paulista). Nesta vida, resido em São Paulo desde sempre. Não sou viciada em tecnologia e amo chocolate amargo. Acredito, de forma encantada, que o ser humano é, por excelência, Arte e Artista.