Autoconhecimento

O que o Dia Nacional do Choro tem a nos ensinar?

Mulher chora e enxuga as lágrimas com a mão.
Katarzyna Białasiewicz / 123RF

“Chorar lava a alma”; a máxima não poderia ser mais verdadeira. Há situações na vida em que somente as lágrimas conseguem nos acalmar. Choramos, principalmente por tristeza, mas também por raiva, por alegria… Chorar é, talvez, a atitude que primeiro aprendemos a executar nesse plano, visto os bebês, que já nascem chorando por deixarem o ventre quentinho e protegido! Então podemos comemorar o Dia Nacional do Choro, o dia 23 de abril?

Creio que podemos. Lágrimas são formadas por proteínas, lipídios e mucina, a glicoproteína principal do muco. Seu gosto salgado se deve aos sais minerais que ajudam a manter o equilíbrio do corpo. A lágrima é preventiva contra infecções, é antisséptica, é calmante. Chorar faz bem! Chore sempre que precisar, sem culpa. Quando a tristeza bater, quando a decepção se assolar, quando nossos sonhos desmoronarem… Derrame lágrimas sinceras, verta água salgada e lenta para que o descontentamento não nos consuma por inteiro.

Chorar de raiva? Às vezes, por que não? O choro da ira nos impede de tomar medidas drásticas e violentas. Dá-nos o time para dizer: “Opa! Pera lá! Eu não devo me exaltar além do aceitável!”. Quantos de nós já não dissemos: “Que ódio! Por que isso tem de acontecer justo comigo?”. E, após a inconformidade, as lágrimas secam, retomamos a consciência e passa nossa exasperação.

Chore de alegria, de emoção! Chore porque reencontrou um parente ou amigo distante, chore porque obteve uma grande conquista, chore porque se sentiu renovado, eufórico, bem-afortunado! Somos privilegiados por manifestar saúde, isso já nos é motivo de gratidão. E mesmo enfrentando transtornos, como doenças, somos fortes por não nos abatermos. Chore por ser um guerreiro ou uma guerreira! Vicissitudes não nos abalarão.

Mulher chora e enxuga as próprias lágrimas com o dedo indicador.
Elijah O’Donnell / Pexels

“Escute essas músicas quando quiser chorar”, “músicas para chorar” – até trilha sonora têm os players de atualmente! Algumas canções nos remetem mesmo à reflexão e fazem brotar nossas mais sinceras lágrimas, o “abrir a torneirinha”. Mas lembre-se! Chorar faz bem, até certo tempo. Não choremos demasiado, pois, como comentei em outro artigo por aqui, não queremos nos afundar em nossa poça de lágrimas. Queremos adubar o terreno, caminhar à frente, sempre!

Por muito tempo, enxergamos o choro como algo negativo, culposo, ruim. “Engole o choro!”, diziam os pais às crianças travessas. “Homem não chora”, ditame ainda mais sem discernimento, pois não existe gênero permitido a chorar. Há provas de que até mesmo os animais choram, então não há nem espécie para chorar! Permita-se lacrimejar, lamentar, sofrer. Permita-se o luto. Viva o sofrimento, viva a angústia, viva o (des)contentamento, pois somos arquitetados de razão e de emoção também. É a harmonia dessas duas medidas que constituirá nosso “eu”. Com os objetivos traçados, iremos buscar nossos sonhos. Precisando chorar, choraremos. E seguiremos.

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Comemorar o Dia Nacional do Choro chorando? Talvez. Mas refletindo, certamente. O pesar é parte do ser humano. Você poderá chorar sozinho, no privado, ou chorar para que todos vejam, mas apenas não se culpe; fazer despontar lágrimas é a prova mais real de que estamos vivos.

Sobre o autor

Caroline Gonçalves Chaves

Caroline Gonçalves Chaves

Sou pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em psicopedagogia e TICs, também pela UFRGS. Como educadora, atuei na educação infantil e na educação de jovens e adultos (EJA). Sempre gostei de escrever, e nos últimos anos tenho me aventurado à escrita de contos infantis (meu primeiro livro, "Dorminhoca", foi lançado em 2019). Tenho afinidade, ainda, por temas como direitos dos animais, abolicionismo animal e veganismo, por acreditar que os animais não humanos são merecedores de respeito e possuem direitos como os animais humanos – eles são nossos irmãos nesta caminhada de evolução. Sou também estudante do espiritismo kardecista, trabalhando em uma sociedade espírita da minha região.

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