Convivendo Educação

Obrigada Paulo Freire

Paulo Freire
Slobodan Dimitrov / Wikicommons
Escrito por Fernanda Colli

Infelizmente, o que vemos atualmente são discursos vagos e muitas vezes de ódio, criticando os pilares que regem o que somos, como cultura e, principalmente, a educação. Pilares esses que há anos estão se rompendo e que, às vezes, ameaçam sucumbir; outra hora, pende para um lado e para o outro, mas ele está lá. E resiste. Para nós, professores, falta apoio, falta tanta coisa, mas em meios a tantas faltas nos embasamos na coragem de quem existiu e lutou bravamente deixando seu legado.

Ser um dos maiores filósofos do mundo apenas nos enche de orgulho e, sim, isso é ser patriota, quando nos orgulhamos de referências de nosso país.

Paulo Freire deixou como legado um discurso de amor, de diálogo e, principalmente, do protagonismo discente, que, muitas vezes, é distorcido, atacado, confundido e tristemente confrontado. A democracia, porém, permite que isso ocorra, pois somente por meio de debates é possível um posicionamento plausível sobre tudo o que acontece.

Para quem acha que atacar Paulo Freire fere sua história, na verdade só acaba reafirmando-a, considerando que em sua trajetória de luta sempre houve a defesa da diversidade, inclusive de ideias.

Gostaria de deixar minha gratidão pela sua vida, pela sua dedicação e pelo seu empenho. Acho que também agradeço um pouco pela sua fé, porque, inconscientemente, seu método tem despertado a consciência e a criticidade de todos, tem oportunizado a voz do oprimido para reflexão do opressor, tem instigado a participação política da sociedade da sua própria política e a criação de cidadãos de bem, e não apenas de bens.

livro aberto com um globo em cima
CherriesJD / Getty Images Pro / Canva

Obrigada por honrar e defender o nosso lugar de trabalho como um lugar de ensino e de aprendizagem, um lugar em que a convivência permita estar continuamente se superando, porque a escola é o espaço privilegiado para se pensar.

Atualmente, encontramos tantos filósofos e especialistas em crise humanitária que desenvolvem receitas, métodos, metodologias, mas que se esquecem que a causa de tudo isso é a falta de consciência. E mais uma vez, recaio na palavra falta…

A nós nos faltam tantas coisas e, hoje, quando nos lembramos de Paulo Freire, lembramo-nos principalmente de sua importância para o desenvolvimento da educação, de sua metodologia de alfabetização de adultos, o que, inclusive é fantástico, porque antes de seu legado nada se fazia para reverter o analfabetismo e, atualmente, temos agora nossas universidades tomadas por freireanos.

Falta muita coisa ainda, como consciência de classe, empatia, respeito, mas Paulo Freire nos encoraja quando ele fala para não perdermos a esperança, mas a esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar.

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E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, juntar-se com outros para fazer de outo modo.

Que não nos falte esperança de esperançar, tampouco nos falte a fé, porque a nossa maior arma é a educação.

Obrigada, Paulo Freire, por nos fazer levantar e acreditar.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli é pedagoga, arte-educadora, escritora e pesquisadora da cultura popular brasileira, com atuação destacada na valorização das tradições caipiras. Especialista em Arte Educação, folclore e cultura popular, desenvolve projetos socioculturais voltados à inclusão, à identidade e ao pertencimento, especialmente em contextos escolares.

Idealizadora do Projeto Folclorear, atua na inserção de manifestações tradicionais, como a catira, no ambiente educacional, promovendo o diálogo entre saberes populares e práticas pedagógicas contemporâneas. Coordenadora de projetos no Centro de Tradições de Araçatuba e integrante de grupo de pesquisa na área cultural, também exerce papel de liderança como presidente da comissão infantopedagógica da IOV Brasil.

Como colunista, Fernanda escreve sobre cultura popular, educação, arte e identidade, trazendo reflexões sensíveis e críticas sobre a importância da memória, das tradições e da formação cultural na sociedade atual. Sua escrita se caracteriza pela defesa da cultura como instrumento de transformação social e fortalecimento das raízes coletivas.