Energia em Equilíbrio Yoga

Processos de purificação do Yoga

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Além da higiene física e simples que conhecemos, o nosso corpo precisa higienizar-se internamente, ou seja, nosso espírito e nossa mente precisam sempre passar por uma reciclagem. E alguns processos de purificação do Yoga podem proporcionar isso.

São eles: kapálabháti, trátaka, nauli, neti, dhauti e vasti. 

1 – KAPÁLABHÁTI

O nome significa “crânio brilhante”. No kapálabháti enviamos uma carga extra de oxigênio ao cérebro, causando sensação de brilho. O exercício em questão proporciona limpeza total das vias respiratórias.

Relaxe e elimine todo o ar dos pulmões. Após isso, inspire lentamente e, sem reter o ar, expire pelas narinas, fazendo bastante barulho e ruído e contraindo com força o abdômen.

Volte a inspirar de forma completa, de forma suave e solte o ar outra vez com força, porém sem contrair a musculatura facial e nem movimentar os ombros. O recomendável é que se faça o exercício dez vezes;

2 – TRÁTAKA

“Além da higiene física e simples que conhecemos, o nosso corpo precisa higienizar-se internamente”

Você precisará sentar-se em posição de meditação, esticando o seu braço direito à frente com a mão fechada e o dedo polegar virado para cima. Fixe o olhar para a unha do polegar e movimente seu braço lentamente para o lado, para cima e para baixo, mantendo o olhar em seu dedo, sem mover a cabeça. Faça o mesmo movimento para o lado oposto.

Agora leve a mão para cima, depois desça com ela pelo lado e chegando no chão, troque de braço, subindo então pelo lado e completando o círculo, fazendo o movimento oposto também. Execute diversas vezes, o movimento deve ser lento. Lembre-se que somente os olhos acompanham o movimento da mão e a cabeça permanece sem mexer.

Aproxime o polegar de seus olhos e focalize-o de perto, mantendo os seus olhos fixos neles. Depois, foque em algum ponto um pouco afastado da sua frente e rapidamente volte o olhar para o polegar, várias vezes. Depois fixe o olhar em algum objeto mais próximo sem piscar, até sentir os olhos lacrimejarem.

Finalizando, junte as palmas das mãos uma na outra até sentir que está produzindo calor. Cubra os olhos com as palmas, de maneira leve, porém fixe firmemente, a fim de que nenhuma luz entre nos olhos luz e permitindo que os globos oculares assimilem o calor.

“Nosso espírito e nossa mente precisam sempre passar por uma reciclagem. E alguns processos de purificação do Yoga podem proporcionar isso”

3 – NAULI

 Inspire profundamente, exale todo o ar e contraia a parede abdominal para cima e para trás, forçando assim os músculos abdominais para projetar-se para frente. Apoie-se na força do tronco e transfira-o para o braço direito, não esquecendo de manter o abdômen contraído. Em seguida, mude o lado do apoio, para a esquerda. Depois, pressione ambos os lados, forçando o músculo para frente. Faça repetidas vezes, até conseguir efetivamente isolá-lo.

Depois expire e contraia o abdômen, de modo a fixar o movimento, num movimento ondulante e girando o reto para os dois lados: faça primeiramente no sentido horário, deslocando e movimentando o reto para o lado direito, depois para o centro e para a esquerda, provocando forte massagem nos órgãos internos. Repita o movimento o máximo de vezes que conseguir, sempre mantendo os pulmões vazios e a respiração ordenada.

4 – NETI


” Neti kriyá, trata-se de uma atividade de purificação e limpeza das mucosas nasais, feito com água, cordões, leite e manteiga indiana clarificada”

O Neti kriyá, trata-se de uma atividade de purificação e limpeza das mucosas nasais, subdividido em:

  • jala neti, que se faz com água,
  • sútra neti, que se faz usando um cordão,
  • dugdha neti, com leite,
  • ghrita neti, na qual usa-se ghee, manteiga (indiana) clarificada.

O neti kriyá limpa as narinas, elimina o excesso de mucosidade acumulado nos seios nasais e frontais, estimula o ájña chakra e desenvolve a clarividência, é ótimo contra males dos seios frontais e nasais, como sinusite, enxaquecas, rinites, corizas ou resfriados e ainda favorece a saúde das regiões cerebrais, cervical e escapular. Para pessoas que sofrem de hemorragias nasais frequentes devem usar água em temperatura ambiente e com cuidado.

Jala neti

Jala significa água. Jala neti é a ação da limpeza das narinas realizada com água salgada.

Para fazer este kriyá você utilizará um bule de cerâmica de tamanho pequeno, chamado lota. Pode ser feito com soro fisiológico aquecido com água mineral, morna e salgada na medida de uma colher de sopa para um litro de água.

Fique em pé, com o tronco ligeiramente inclinado para frente e vire levemente a cabeça para o lado direito. Coloque o bico da lota na narina esquerda e vire-o, deixando que a água entre por essa fossa e saia pela outra. A passagem da água deve ser com calma e sem esforços. Mantenha a boca entreaberta e respire por ela calmamente. Esvaziado o recipiente, deixe o tronco na mesma posição e vire seu rosto agora para baixo. Execute kapálabháti para extrair o restante da água. Em seguida, realizando as mesmas instruções, faça fluir a água da fossa nasal esquerda para a direita.

Sútra neti

“Sútra significa cordão ou fio. Nos dias atuais a prática pode ser feita com uma sonda fina”

Sútra significa cordão ou fio. Nos dias atuais a prática pode ser feita com uma sonda fina, de até 4mm de espessura e 36cm de cumprimento, lubrificada com ghee.

Introduza uma das pontas da sonda em uma das fossas nasais. Empurre-a com cuidado e devagar até que alcance a garganta. Neste momento, coloque os dedos polegar e indicador da outra mão na boca, pegue a extremidade da sonda e puxe-a para fora bem devagar e com cuidado. Agora segurando-a por cada extremidade, movimente-a para cima e para baixo várias vezes. Após isso, faça o mesmo processo com a outra narina. Importante: este exercício está reservado somente aos praticantes experientes. Se você sentir que pode ser difícil para si, prefira o jala neti, que utiliza somente água levemente salgada, ok?

Para fazer o dugdha neti você utilizará leite morno em vez de água e o procedimento é o mesmo do jala neti.

O ghrita neti se faz passando ghee no interior das narinas com o dedo indicador devagar. Isso é muito utilizado na Índia, pois o ar na região é muito seco e é preciso lubrificar as narinas para facilitar a respiração dos habitantes.

  5 – ANTAR DHAUTI

Antar significa, literalmente, interno. É um dhauti que são quatro técnicas para a desintoxicação dos órgãos internos: vátasára, na qual utiliza-se o elemento ar; várisára, onde utiliza-se o elemento água; vahnisára ou agnisára, a desintoxicação e limpeza feita através do elemento fogo e bahiskrita, a lavagem do reto.

Vátasára dhauti: Este é um método de execução difícil, em que somente é recomendado para praticantes que adquiriram um bom conhecimento e domínio do próprio corpo. Váta é ar em sânscrito. Vátasára dhauti kriyá é a purificação do estômago, feita utilizando ar.

“Antar significa, literalmente, interno. É um dhauti que são quatro técnicas para a desintoxicação dos órgãos internos”

A técnica funciona da seguinte maneira: sorvendo ar pela boca, através do bico de corvo (kaki mudrá, gesto que o praticante deve fechar os lábios, deixar uma abertura circular para fluir o ar), até encher todo o estômago. Faça o ar circular por ele e em seguida execute uma posição de inversão. A melhor delas é o sarvangásana, invertida sobre os ombros, com os joelhos flexionados tocando a testa ou o chão. Desta forma o ar será totalmente pressionado, empurrado para os intestinos e expelido naturalmente. Caso surja alguma dificuldade, é possível eliminar o ar através da permanência no mayurásana. O Gheranda Samhitá, diz que este dhauti purifica o corpo, evita várias enfermidades no corpo e aumenta a secreção do suco gástrico, facilitando o organismo.

Várisára dhauti Vári significa água. Com o estômago vazio, tome um litro e meio de água um pouco morna e levemente salgada. Depois, faça alguns ciclos de rajas uddiyana bandha ou nauli kriyá e uma invertida. Finalmente expila a água pela boca, colocando dois dedos na garganta para provocar o vômito.

Agnisára ou vahnisára dhauti: Esta técnica utiliza o elemento fogo no interior do corpo do praticante, associado ao váyu samána, o ar responsável pela correta assimilação dos alimentos. Agni significa fogo. O agnisára dhauti consiste em executar exatas cem contrações abdominais em um só shúnyaka (técnica de retenção com os pulmões vazios).

Sentando-se em posição de meditação e apoiando as mãos nos joelhos, deixe o tronco um pouco inclinado para frente. Elimine todo o ar dos pulmões, execute jalándhara bandha e contraia com força o abdômen, como se quisesse tocar com o umbigo através da coluna vertebral. Depois, relaxe a sua musculatura. Contraia e relaxe várias vezes de forma rápida e intensa, enquanto mantém os pulmões vazios. Este dhauti aumenta a força de vontade e energia corporal.

Bahiskrita dhauti é o procedimento de limpeza do reto. Essa limpeza é realizada com água: fique submerso na água até a altura do umbigo e lave o reto com os dedos. Você também pode utilizar-se de ar em lugar de água.

6 – VASTI

O vasti inclui dois métodos para a realização da purificação dos intestinos: um é feito com água, denominado jala vasti e outro com a utilização do ar, chamado sthala vasti. No caso do primeiro exercício, você precisará apenas de disponibilidade de tempo, pois este terá a duração de uma a duas horas aproximadamente, dependendo das condições dos intestinos da pessoa que o praticar. A segunda técnica exige total domínio da musculatura do abdômen pelo praticante.

Jala Vasti

“O vasti inclui dois métodos para a realização da purificação dos intestinos: um é feito com água e outro com a utilização do ar”

Jala é água. Jala vasti é a lavagem dos intestinos com água. O método exige uma cânula ou tubo de bambu de cinco dedos de comprimento por um de espessura. Breve histórico: Antigamente, quando as fontes de água não eram poluídas, os praticantes ficavam dentro de um rio, com a água na altura do umbigo e usava o bambu para sugar através dele a água e fazê-la penetrar e percorrer nos intestinos. Depois expelia-se tudo. Dominando a técnica, as pessoas tinham condições de realizar a técnica sem o bambu.

Nos dias atuais, na falta de rios límpidos, pode-se realizar o jala vasti com um clister que tenha capacidade para dois litros de água. A água deve ser mineral, morna e salgada, em proporção igual à utilizada no jala neti.

Utiliza-se dois litros de água pelo reto. Deve-se executar numa posição de inversão até sentir forte vontade de evacuar. O processo deve ser contínuo até que a água saia bem clareada. A prática de jala vasti aumenta a saúde, o vigor físico e a imunidade. Não se preocupe com a perda que ocorre da flora intestinal durante a lavagem, pois ela se regenera e renova rapidamente, sendo assim muito benéfico. Beba coalhada ou iogurte e está tudo bem.

Sthala Vasti

Ficando em viparíta karanyásana, com as costas em um ângulo de 60 graus ao chão, coloque os joelhos no peito, puxe ar pelo reto, provocando o vazio no abdômen através do nauli kriyá ou uddiyana bandha. Após alguns minutos, até não aguentar, expila-o fazendo diversas contrações abdominais.


Texto escrito por Bruno da Silva Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras

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