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Resiliência – Como Criar Esse Poder Interno – Parte 1

Mulher apoiada sobre base de madeira olha para o horizonte.
Antonio Guillem / 123RF
Rafael Gonçalves
Escrito por Rafael Gonçalves
Capa do Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa.
Amazon

Esse é um dicionário. E muitas, mas muitas pessoas, ficam presas aos significados das palavras, principalmente quando não sabem, recorrem a ele para saber. (foi assim que nós aprendemos)

Isso é óbvio, mas hoje eu quero que você SAIA um pouco do dicionário e se permita conhecer algo novo.

Se permita ‘não saber’, ‘desconhecer’, desaprender para reaprender.

Como você se comporta diante das adversidades da sua vida?

Como você enfrenta desafios e dificuldades que surgem no seu caminho?

O que é resiliência ALÉM do dicionário?

É possível TER resiliência? Praticar resiliência?

Como ser resiliente para conquistar o que você quiser na sua vida?

É exatamente isso que você vai aprender hoje!

A resiliência por uma abordagem BEM diferente…

Preparada(o)? Então, vamos lá!

A resiliência segundo o dicionário online Michaelis significa…

Michaelis / Uol

Em outras palavras, Capacidade para suportar situações difíceis e superar desafios, “voltando ao estado normal” de antes de ter começado esses desafios

Ou mesmo, capacidade de apanhar da vida e seguir em frente no caminho escolhido por você.

Mas que capacidade é essa? Quais desafios são esses?

Seria andar numa corda bamba amarrada entre 2 prédios? Nadar com crocodilos? Superar as serpentes, como fez o Indiana Jones?

Cena do filme Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida.
Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida / Paramount Pictures / Reprodução

É tudo muito vago e passível de muitas interpretações diferentes!

E eu quero começar do começo…

Só que vamos usar algo que muitos já conhecem sobre resiliência.

A capacidade de apanhar da vida e persistir no caminho.

E vamos separar essa frase em 2 partes.

(I) A capacidade de apanhar da vida e (II) persistir no caminho.

A capacidade de apanhar da vida

Quando a gente fala “capacidade de apanhar da vida”, geralmente queremos dizer: 

fracassar, errar, perder, quebrar, tomar muito ‘não’ na cara, sofrer perdas, e outras coisas mais que consideramos negativas.

Mas quem disse que devem ser negativas?

Nós aprendemos que perder é algo negativo.

Aprendemos que quando temos um sentimento ou emoção que nos faz chorar, sentir medo, raiva, ódio, ansiedade, depressão, e outras mais, são sentimentos e emoções negativos.

Isso está tão enraizado em nós e na nossa cultura que fica até difícil acreditar no contrário.

E é exatamente aí que vamos começar a nos aprofundar.

Tudo isso que acreditamos e achamos que é verdade vêm de pensamentos.

E o que são pensamentos? São memórias armazenadas que aprendemos principalmente na infância.

Por exemplo…

Criança tenta alcançar uma panela que está sobre o fogão.
Pinterest / eBay

Uma criança que NUNCA tenha visto uma panela no fogo, ao encostar na panela, se queima.

Isso cria uma memória nela e sempre que a criança ver qualquer outra panela em qualquer outro fogão, vai saber que pode queimar, e assim, vai evitar tocar na panela.

Ou seja, a criança NÃO TEM MEDO de encostar na panela. O que ela tem é CERTEZA de que vai se queimar caso encoste na panela com o fogo aceso, por isso ela não encosta.

É uma memória que ela trouxe do passado e usa no seu presente, acionando todo o conjunto de reações que aprendeu no momento dessa “configuração”.

E vai carregar isso, de maneira inconsciente, por toda sua vida.

Da mesma maneira, tudo aquilo que vimos, ouvimos, sentimos e vivenciamos, formaram um conjunto de memórias em nós, associados às emoções e sentimentos que vivemos naquele exato momento de aprendizado de algo que não sabíamos.

Por exemplo:

– Quando o seu pai ou mãe grita ‘não’ para você e ameaça te bater ou aplicar algum castigo.

– Quando a gente vê algum adulto chorando, em desespero, porque não tem dinheiro para colocar comida na mesa.

– Quando somos ‘obrigados’ a ir em enterros e ver algumas pessoas chorando demais, sofrendo uma gigantesca dor emocional por causa da perda.

Enfim, existem muitas situações que presenciamos no passado (e ainda também no presente), que nos configuraram para ter um certo tipo de pensamento JUNTO com uma reação emocional.

E a isso colocamos um rótulo, um nome, um significado…bom, ruim, positivo, negativo.

É praticamente um junto do outro, como um amálgama. Se você pensa de uma maneira, certamente vai ter aquele tipo de emoção.

E o que é emoção?

Emoção é um conjunto de 4 atividades :

1 – Pensamento

2 – Sentimento

3 – Impulso

4 – Sensações

Por exemplo:

Imagine uma pessoa estressada (o estresse é um sentimento)

Os pensamentos dela podem ser o seguinte:

“Não posso falhar”

“Por que não consigo relaxar?”

“Não consigo me divertir sem pensar no que ainda precisa ser feito”

“Nunca devo decepcionar as pessoas”

“Devo ser forte”

“Todos confiam em mim”

“Sou o único capaz de fazer isso”

“Não suporto mais isso”

“Gostaria de ser outra pessoa”

“Não posso desperdiçar um minuto sequer”

“Por que não estou mais gostando disso?”

“Por que eles não fazem isso?”

“Não posso desistir”

“Algo precisa mudar”

“Deve haver algo errado comigo”

“Sem mim tudo vai desmoronar”

“Por que eu não consigo desligar?”

Ela pode ter um impulso de reação ou fuga, como gritar com os outros, reduzir ou menosprezar alguém (porque ela está se sentindo menor ou ameaçada) com julgamentos ou mesmo querer ficar isolada e não falar com ninguém.

E ainda pode ter sensações de agitação, aceleramento dos batimentos cardíacos, suor…

Logo, a emoção condicionada a todos esses estímulos configurados podemos chamar de:

  • Raiva
  • Medo
  • Irritação
  • Nojo
  • Ódio
  • Frustração
  • Inveja
  • Ansiedade
  • Insegurança…

Ou seja, a raiva tem um tipo de configuração na sua mente que dispara todo o conjunto de pensamento, sentimento, impulso e sensação.

Assim como também a irritação, o nojo, o ódio, o medo, a frustração…

Isso tudo está CONDICIONADO em nossa mente, está “configurado”. E assim, REAGIMOS às situações de maneira INCONSCIENTE.

Acreditamos que estamos fazendo a melhor escolha naquele momento, quando na verdade, estamos é reagindo de maneira inconsciente, logo, não podemos realmente escolher algo de maneira inconsciente, pois se é inconsciente já está predeterminado a ser escolhido.

Portanto, quando falamos de “A capacidade de apanhar da vida”, eu quero fazer algumas reflexões com você…

Como você foi configurado? Ou melhor, como você está condicionado?

Quando alguém nega ou recusa te ajudar?

Quando alguém diz não para você? Ou vários nãos?

Quando você precisa fazer networking ou vender o seu produto/serviço?

Quando alguém fala mal de você, te ofende ou te menospreza? 

Quando você faz, faz, faz, faz e faz e não tem resultado?

Além disso,

Corrente de aço.
Martin Vorel / Libreshot

Esse condicionamento é reforçado por algo mais profundo, conhecido como FALSO EU.

O falso eu é uma falsa identidade que criamos lá trás, na nossa infância, de quem nós deveríamos ou poderíamos ser para garantir o bom relacionamento com nossos pais e assim garantir a aprovação, aceitação e satisfação das nossas necessidades emocionais e biológicas.

É uma falsa identidade que serve como base de quem acreditamos que somos, e não de quem realmente somos.

Têm profissionais que usam o nome de falso eu, outros de ego. Aqui eu vou usar o Falso Eu.

Uma pessoa identificada com o Falso Eu, ou seja, uma pessoa que realmente acredita que é essa falsa identidade, ela se identifica com os rótulos que ela mesma se coloca e com os rótulos que outras pessoas colocam nela.

O que são rótulos, Rafa?

Profissão, nacionalidade, cargo, religião, etnia, cor de pele, papéis sociais, adjetivos..

Por exemplo:

Maria, casada, mãe, filha, médica, funcionária pública, católica, perfeccionista, magra/gorda/feia/bonita…etc

Tudo isso são rótulos que são impostos e nos quais nós acreditamos que somos isso. 

E se alguém falar mal ou criticar “esses rótulos”, então ficamos irritados, nervosos, tristes, porque é como se a pessoa estivesse atingindo a nossa essência, mas na verdade é a nossa “falsa essência”.

Eu não vou entrar mais a fundo nessa questão de rótulos porque eu já abordei esse assunto em outra aula.

Mas o importante aqui para você saber é que, em essência nós não nascemos com esses rótulos, eles são impostos sobre nós, e acreditamos que realmente somos eles para dar um sentido de quem acreditamos que somos, um sentido de um falso eu, e não do verdadeiro eu.

Assim, quando estamos identificados com esse falso eu, POR EXEMPLO, podemos nos achar bons demais para ter que fazer um serviço que alguém de um “cargo inferior” possa fazer.

“Isso é coisa para estagiário fazer”

“Eu sou Diretor, não um gerente”

“Eu sou um médico, não um enfermeiro”.

“Eu sou gerente, não auxiliar de limpeza”.

E esse é o momento de você entender “A capacidade de apanhar da vida”

Imagina que você tenha sido muito criticada na infância e isso criou em você um medo de não ser boa o bastante, e assim você evita expor sua opinião, com medo de ser criticada ou ridicularizada de novo.

Então, para compensar essas críticas, você se tornou uma ótima aluna, aplicada, acima da média, que prefere mais livros e estudos do que ter que lidar com pessoas.

E então você se forma na faculdade e vai para o mercado de trabalho.

Porém, está identificada com o seu falso eu, que acredita ser boa demais, perfeccionista, acima da média, disciplinada, organizada, produtiva…

E depois de 5 anos percebe pouco avanço na sua carreira e começa a ficar frustrada, desmotivada, triste, sem propósito na vida….

Afinal, “eu sou tão boa, disciplinada, produtiva, organizada, acima da média, tenho pós-graduação, e ainda assim eu não consigo prosperar, nem ter um bom relacionamento”.

E percebe que enquanto você estava ajudando os outros era bem-vinda, mas quando foi pedir ajuda, os outros fecharam a cara, disseram não.

Quando você contou o que pensava em fazer para crescer, para aquelas amigas que eram tão próximas, você foi criticada, ridicularizada, riram de você.

Então, por mais capaz, acima da média, organizada, produtiva que seja, você começa a ficar frustrada, sem ação, decepcionada…e aquele condicionamento de crítica que está configurado em você volta a tona.

“Poxa, eu sou tão isso e tão aquilo…o crescimento deveria ser algo natural! Eu não nasci para isso. Devo ser muito ruim mesmo. Acho que me iludi todo esse tempo. Eu sou uma farsa. Eu sou pequena, fraca, não consigo nada na minha vida…”

 E os pensamentos condicionados para essa emoção entram em ação.

Você percebe agora que a “A capacidade de apanhar da vida” é algo mais profundo do que um “passo a passo para ser mais resiliente”?

Isso está condicionado em você e intimamente ligado ao seu falso eu.

E isso você deve descobrir. Cada pessoa é única e diferente.

Tem pessoas que não ligam se forem rejeitadas, criticadas, caluniadas e seguem em frente.

Tem pessoas que desistem na primeira ou segunda dificuldade porque não suportam a dor da rejeição, das críticas, da calúnia ou do grande esforço que precisam fazer no começo para decolar.

Tem pessoas que sofrem com tudo isso e mesmo tristes ou desmotivadas, conseguem “ficar de pé” e persistir no caminho.

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E aqui termino a PRIMEIRA PARTE deste conteúdo com o meu muito obrigado de coração pela sua atenção.

Na Segunda parte você vai ver o “Persistir no Caminho” + 5 Passos Fabulosos Para Criar Esse Poder Interno na Sua Vida.

Desejo muita plenitude e prosperidade na sua vida.

Conte sempre comigo.

Um forte abraço

Sobre o autor

Rafael Gonçalves

Rafael Gonçalves

Rafa Gonçalves ajuda pessoas (profissionais, empreendedores, executivos, mães, pais...) a transformar emoções negativas e comportamentos limitantes em degraus para obter conquistas pessoal e profissional.

Entende que as pessoas podem fazer tudo o que já fazem (ou talvez mais!) de uma forma muito diferente, com mais leveza, autorrespeito, flexibilidade e muito menos ansiedade, estresse ou cansaço mental.

Sua missão é ajudar 5 milhões de pessoas (até 2030) a obter mais conquistas pessoal e profissional, tendo uma vida com plenitude, liberdade mental e menos ansiedade, estresse ou depressão, por meio de mentorias e treinamentos.

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