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Setembro Amarelo: morrer ou parar de sofrer?

Duas pessoas de mãos dadas e um letreiro em frente escrito "setembro amarelo"
Eu Sem Fronteiras

Neste mês de Setembro, contemplamos a Campanha de Prevenção ao Suicídio, o chamado Setembro Amarelo, um movimento lindo de conscientização, que desmistifica e mobiliza as pessoas sobre um tema tão delicado e que foi tabu por tanto tempo.

Vamos falar sobre suicídio?

Segundo o Prof. Dr. Neury J. Botega, referência em psiquiatria na UNICAMP, a grande maioria das pessoas que cometem a tentativa de suicídio relatam que não queriam acabar com suas vidas, e sim acabar com o sofrimento. Foi num momento de desespero, no qual nao viam outra saída para suas dores, que tomaram tal atitude.

O professor aponta que 50% das pessoas conseguem atingir seu objetivo no momento de desespero na primeira tentativa… Puxa… É muita coisa!

São muitas pessoas que por desesperança, desamparo, desespero, depressão, dependência química, chegam ao ponto de tirar suas vidas, sem que essa fosse sua real intenção.

É preciso um olhar amoroso e delicado com nossos amigos, pacientes, familiares, que demonstram esse estado de desamparo.

O pensamento Dicotômico: ou tudo, ou nada! “Ou ela fica comigo ou prefiro morrer!” é fruto das idealizações, dos modelos e crenças que nos foram passados vida afora e nos quais acreditamos, mas que nem sempre refletem a nossa realidade, possibilidades e até mesmo nosso real desejo.

Resultado: mágoas,  culpas, dores emocionais…

Mulher olhando para baixo com seu reflexo na janela em sua frente
Tiago Bandeira/ Unsplash

A dor na alma da pessoa, o sofrimento psíquico são tão grandes que ela passa por um estreitamento cognitivo, uma constrição e não consegue mais pensar, raciocinar e encontrar formas de lidar com a situação dolorosa.

Desesperado, o suicida não pensa em mais ninguém…

Isso é resposta às perguntas tão sofridas dos familiares que ficam: “será que ele não pensou em nós?”

Eu, como psicanalista, por muitas vezes considerei algum exagero na medicação e que muitas vezes o uso de psicofármacos evitava o contato do paciente com suas dores, o que de fato, às vezes acontece quando o uso fica restrito a tornar-se barreira de contenção de dores emocionais. Mas hoje revejo minha postura e acredito que em situação depressiva o paciente deve sempre buscar a ajuda do médico e, paralelamente, fazer seu trabalho psicoterapêutico, pois são tratamentos complementares e funcionam muito bem juntos. Conforme o paciente melhora, o médico revê o tratamento… Tudo bem tranquilo…

O paciente medicado tem mais condições de enfrentar suas dores e assim poder trabalhar seus conteúdos conflitivos em terapia, libertando-se deles.

Homem em frente a uma janela de cabeça baixa
Iz Zy/Unsplash

Cada caso é um caso. O médico ou o terapeuta têm condições de avaliar e orientar o paciente para o tipo de ajuda que ele precisa.

Os estudos mostram que o suicídio no mundo cai, mas em alguns países sobe e, infelizmente, o Brasil é um deles. Estudos também mostram que em 80% – e alguns trabalhos falam em até 100% dos casos de tentativa de suicídio – os pacientes estavam adoentados da mente, seja por depressão, transtorno bipolar, transtornos de personalidade, etc, e estes são fatores predisponentes importantes.

O importante é buscar ajuda! Sempre! Antes que a dor aperte a ponto de não nos deixar pensar.

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Alguns fatores da vida também  podem ser precipitantes, como desilusões amorosas, problemas financeiros, vergonha, desonra, conflitos relacionais e, dependendo da resiliência de cada um, a dor é maior ou menor. Traumas e abuso na infância têm peso enorme!

Em se tratando dos adolescentes, sua impulsividade natural, ligada ao abuso de substâncias, eleva o número de tentativas de suicídio nesta idade tão conflituosa,  na qual eles encontram-se 50% imersos em confusão hormonal e 50% sujeitos às cobranças de aceitação do grupo. É uma fase trabalhosa!

Façamos ao outro o que gostaríamos que nos fizessem…

Diante de tudo isso, é preciso um olhar amoroso e delicado com nossos amigos, pacientes, familiares, que demonstram estar neste estado de desamparo, que mencionam acabar com a própria vida como solução dos problemas… Não devemos ignorar um apelo desses. Esse amigo com certeza está em grande sofrimento.

Façamos ao outro o que gostaríamos que nos fizessem… Já basta de preconceitos contra a saúde mental. De repente, todos deveríamos fazer uma consulta anual com um profissional de saúde mental, assim como fazemos com nossos ginecologistas, oftalmologistas, clínicos geral, etc…

A vida está cada vez mais estressante para a maioria das pessoas e a saúde mental e fundamental!


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Sobre o autor

Monica Marchese Damini

Monica Marchese Damini

Psicanalista Clínica e Editora do Eu Sem Fronteiras

Em certa altura da vida, senti o chamado para descobrir o que havia além da rotina, da vida material, do físico. Foram muitos os caminhos trilhados, muito estudo, muitas vivências e descobertas, muitos desafios, vários mestres. Gratidão a cada um deles.

Autoconhecimento, espiritualidade, física quântica, o universo, yoga, budismo, doutrinas, meditação, retiros, silêncio, corpo, mente, alma, o Ser, o Amor Maior.

Ser livre do mundo externo, do sofrimento de Maya, a ilusão.

Torna-se co-criador da própria realidade.

Colocar em prática o Dharma, o dom e recursos recebidos em prol da sociedade, privilegiar o Todo, trabalhar, estudar, compartilhar, amar, evoluir, sem apego ou aversão.

Despertar para o Divino em cada um de nós. Aprender a enxergar o Ego e deixar que ele apenas trabalhe a favor dos propósitos do Todo, aprender a praticar o desapego e a aceitação… tem que buscar, tem que querer, e eu quero!

Assim como eu, muitos estão nessa jornada, e com este propósito de nos juntar, criamos o Eu Sem Fronteiras, projeto amoroso de compartilhamento e ponte entre quem quer dar e quem busca receber todo tipo de informação e conhecimento, livre de dogmas, julgamentos e crenças, para que cada leitor aproveite o que desejar em cada momento de sua vida.

Transformar conhecimento em sabedoria.

Trabalhoso, mas tem muita gente vibrando na mesma sintonia e disposta a compartilhar o que sabe, e nessa nova era onde o coletivo impera sobre o individual, conseguimos uma equipe linda de profissionais em sinergia com nosso projeto para juntar todo o bem e todo o bom aqui neste portal.

Aprender a perdoar, se perdoar, nos libertar de sentimentos negativos, mágoas, culpas e tudo que gera padrão negativo. Há muitas formas e ferramentas, mas precisa trabalho e enfrentamento.

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