Espiritualidade

Sri Ramana Maharshi: aprendendo a alcançar a iluminação

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras



Há 500 anos antes de Cristo, o filósofo grego Sócrates já falava sobre a importância do autoconhecimento ao pregar o “conhece-te a ti mesmo”. Tempos depois, mais precisamente no começo do século XX, um dos grandes gurus indianos dos últimos cem anos tornaria esse princípio a base de uma nova religião que buscava o “Eu real”. Sri Raman Maharshi ficou conhecido por sua vida em santidade, plenitude e por transmitir esse e outros preceitos, bem como uma poderosa energia transformadora aos seus visitantes.

Ramana Maharshi nasceu com o nome de Venkateshwara, em 30 de dezembro de 1879, numa aldeia chamada Tirucculi, localizada no sul da Índia. Membro de uma família de classe média e da casta Brâmane Tamil, o garoto, então com 12 anos, foi morar com seu tio em Madurai, onde frequentou uma escola norte-americana, a Mission High School.

Nessa época ele levava a vida como qualquer adolescente de sua vizinhança, praticava esportes e brincava com seus amigos normalmente. Isso até os 16 anos, quando ouviu alguém mencionar Arunachala, nome de um monte sagrado associado com o deus Shiva. Embora ele não conhecesse o significado daquela palavra, ficou curioso para ir até o local. Mais ou menos ao mesmo tempo, ele leu uma cópia do Periyapuranam de Sekkilar, um livro que descreve a vida dos santos Shaivite, e ficou fascinado pela obra.

Após esses sinais do destino, ele estava em casa e foi subitamente tomado pela sensação de estar prestes a morrer. Deitou-se no chão, endureceu o corpo e prendeu a respiração. “Meu corpo está morto agora”, disse Venkateshwara para si mesmo, “mas eu ainda estou vivo”. Em um fluxo de consciência espiritual ele percebeu que já não era o mesmo. Naquele momento ele começava a se tornar Ramana Maharshi.

Na terminologia espiritual, ele havia “realizado o eu”, ou “alcançado a Iluminação/Libertação”, o que normalmente só acontece após anos de intensa prática espiritual (sadhana).  Ou seja,  um jovem Sábio surgiu espontaneamente, sem nenhuma prática ou desejo prévio.

Seis semanas depois, ele fugiu para a colina sagrada de Arunachala, onde permaneceria pelo resto de sua vida. Movido por um chamado interior, largou tudo o que tinha e durante vários anos parou de falar, passando horas por dia em “samadhi”, sintonia estreita com o espírito e estado mais elevado que se consegue atingir por meio de prolongada e profunda meditação. Tempos depois, quando começou a falar novamente, as pessoas passaram a fazer-lhe perguntas e ele logo adquiriu status de sábio.

Em 1907, quando tinha 28 anos, um de seus primeiros seguidores o nomeou Bhagavan Sri Ramana Maharshi, título dado a grandes mestres iluminados. “Sri” é um prefixo de respeito; “Ramana” é contração de seu nome de batismo; e “Maharshi” quer dizer “Grande Sábio”. Ele tornou-se mundialmente famoso e um “ashram”, uma  espécie de santuário, foi construído em torno do sábio.

Infelizmente, em  1950, com 70 anos,  Sri Ramana Maharshi faleceu vítima de câncer. Mas  seus preceitos estão vivos até hoje. Um de seus principais ensinamentos é o constante questionamento “quem sou eu”, que deve ser feito sempre para se alcançar a verdade, paz e bem aventurança.

Entretanto, segundo o próprio Sri Ramana Maharshi , seu ensinamento mais importante era transmitido sem proferir nenhuma palavra ou som, quando emanava uma força silenciosa capaz de transmitir paz. Bastava entrar em sintonia com a presença do mestre para sentir a experiência direta do estado no qual o guru estava imerso.  Essa poderosa energia foi descrita por milhares de pessoas e retratada em artigos e livros. Um deles é o The Power of the Presence (O poder da presença, em sua tradução) escrito por David Godman, um escritor norte-americano que se tornou um discípulo.

Mesmo dotado de um poder sobrenatural, o mestre Ramana Maharshi tratava seus visitantes de modo igual, independentemente da classe social, raça, sexo e idade,  e não gostava de ser considerado um ser superior.

Seus bens eram só a roupa do corpo, uma vasilha com água e sua bengala, mas sua riqueza interior era incalculável. Ela foi distribuída a milhares de pessoas que tiveram suas vidas transformadas por suas palavras e até mesmo, pelo silêncio, que vinha de seu poderoso “Eu” interior.


Texto escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras

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