Energia em Equilíbrio

Um pedaço de argila na mão, foco e presença

Vania Kipriadis Ferro
Você já ouviu falar dos efeitos terapêuticos da argila? Bem, não estou falando daquela que a gente espalha pelo corpo para rejuvenescer ou tratar da artrose, essa via também me parece boa, mas gostaria de falar de aspectos mais profundos.

Em geral, todas as formas de Arte conduzem a um estado de bem-estar, realização, prazer, concentração e ajudam a limpar a mente de problemas e conflitos, pelo menos durante o tempo em que nos dedicamos às atividades criativas. Mas mexer com a argila para criar Arte, seja esta utilitária ou simplesmente uma expressão do Belo, nos conduz a outro universo, outra dimensão.

Pesquisas recentes comprovam que usar o barro como forma de expressão reduz consideravelmente os níveis de estresse, ansiedade e depressão, além de fazer com que o indivíduo olhe para si mesmo, para dentro, em busca de autoconhecimento. A argila com certeza facilita essa jornada, e falo por experiência própria.

Em um tempo onde as conexões estão cada vez mais instantâneas, em que o conhecimento global nos chega em segundos a partir de um simples ‘clic’ na tela de um smartphone, onde as pessoas parecem cada vez mais ansiosas, sem tempo, com relações superficiais e passageiras, se torna necessário um “voltar para dentro”, um tempo para olhar no espelho d’alma e entender o que se passa conosco, do que precisamos, o que nos faz feliz ou infeliz… PARAR é fundamental.

Os monges budistas fazem isso há milênios, nos ensinaram a meditar, parar, refletir e cantar mantras, e através dos anos essa sabedoria foi adquirindo outras nuances, ganhando outros nomes de batismo e milhares de adeptos ao redor do planeta.

Assim, a partir de vivências, estudos, observações de casos e relatos pessoais, descobriu-se que a argila é uma ferramenta muito potente para ajudar a se reconectar com si mesmo e com os outros.

A argila nos ajuda a…

  • focar a mente no momento Presente, e como a Dança, faz com que você use os cinco sentidos, a musculatura, a atenção, a tensão, a respiração, os movimentos, todo seu corpo, aliado à sua mente, em prol de um objetivo final. É o tal do Meio que justifica o Fim, já ouviram falar, né!? Aqui, o principal é o Processo, e não necessariamente o resultado final, onde tudo trabalha em harmonia e de forma solidária.
  • perder a noção do Tempo, no bom sentido, distrair a mente (nossa companheira às vezes tão ativa e cansativa), abrir espaço para o novo, relaxar, fazer uma faxina geral nas preocupações e silenciar os “macaquinhos” mentais que ficam pulando sem parar, nos distraem e perturbam.
  • exercer a criatividade, a liberdade de criar sem censura, dar forma ao pensamento, tornar a imaginação uma realidade e desfrutá-la com tudo que temos direito.

Mas também, e propriamente a argila, nos ensina a lidar com muitos aspectos de nossas vidas com os quais nem sempre conseguimos em condições normais, por exemplo, ela nos ensina a…

  • lidar com as frustrações, na medida em que nem sempre o resultado final corresponde ao projeto planejado, uma vez que no processo de confecção de uma peça, a ideia está exposta a algumas variáveis, como a umidade do ar, a intensidade/direção e temperatura/ou “temperamento” do fogo, e outros fatores da Natureza sobre os quais não temos controle algum.
  • reagir ao inesperado, nos forçando a descobrir e criar recursos para solucionar problemas que surgem durante a criação, secagem e acabamento de uma peça.
  • entender que não temos o controle de tudo, que é humanamente impossível controlar todos os aspectos da Vida, e mesmo assim podemos ser felizes, acolhendo as diferenças, as surpresas e entendendo o outro sobre o qual não temos controle, mas que pode nos somar/acrescentar e nos enriquecer.
  • desenvolver a aceitação, já que sem o controle absoluto, às vezes as forças dos elementos naturais conduzem sua peça para um resultado surpreendente, nem sempre tão “bom/bonito” como você desejaria, mas que pode se tornar admirado e belo, com todas as suas “imperfeições”.
  • não ter apego nas coisas materiais, pois em seus vários momentos de construção a peça passa por situações de extrema fragilidade, e mesmo você fazendo tudo “certo”, ela pode quebrar dentro do forno ou em um dia qualquer de sua existência, o que nos faz entender cada vez mais profundamente que tudo é passageiro, mas pode ser refeito, reconstruído, melhorado, sempre nos abrindo novas possibilidades!

Então, o que você está esperando? Bora lá e mão na massa! Literalmente…

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Sobre o autor

Vania Kipriadis Ferro

Vania Kipriadis Ferro

Formada em Publicidade e Propaganda, presta consultoria na área de pesquisa de mercado, atuando como moderadora e analista de discussões em grupo e entrevistas em profundidade. Atende em consultório exercendo atividade de apoio à terapias convencionais e é Practitioner de Florais de Bach, prescrevendo também para tratamentos de animais. Atuou 4 anos como voluntária no atendimento de mães residentes na comunidade de Paraisópolis, sob a chancela do Centro de Psicossíntese de São Paulo, prescrevendo Florais de Bach.

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