Autoconhecimento Comportamento

Você não é os seus pensamentos

Mulher branca de olhos fechados.
antonioguillem / 123rf
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Você já parou para analisar sobre o que vive pensando durante o dia inteiro? Como anda a sua cabeça? Como andam seus pensamentos? Em tempos em que as notícias vistas não são das melhores, nossos pensamentos acabam sendo atingidos por toda essa enxurrada de informações, seja por crises pontuais, seja por posicionamentos opostos que geram polarização de ideias e opiniões, seja pelo que muitos meios de comunicação enfatizam – de forma tendenciosa até. E isso acaba mexendo com nossas ações, pois tendemos a agir quase que de forma automática com base no que pensamos.

Organicamente pessimistas

E se pensamos negativo, as nossas ações podem até seguir esse mesmo caminho. E as pesquisas também não ajudam o nosso lado mais positivo. Segundo um artigo publicado pela National Science Foundation (EUA) em 2005, o cérebro humano produz de 12 mil a 50 mil pensamentos por dia e, pasme, 80% deles são negativos.

Para a nossa mente, o nosso lado pessimista nos influencia mais do que o otimista. Sentimos mais uma perda do que comemoramos um ganho. E não é difícil viver apreensivo e com ideias derrotistas quando as circunstâncias externas também não ajudam (violência, crise econômica, doenças, desigualdades sociais). Isso também ajuda, de alguma forma, a moldar nossa perspectiva sobre as coisas. Mas não devemos deixar que nossos pensamentos nos dominem ou ditem a nossa forma de agir e interagir no mundo.

Imagem de uma linda mulher deitada sobre um chão forrado de folhas de outono. Ela está pensativa e olhando para o céu.
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Pensamentos automáticos

Nossa mente é bastante complexa e nem sempre conseguiremos controlar nossos pensamentos, pois isso não depende somente da nossa vontade, mas, sim, de um esforço em desfazer alguns pensamentos que adotamos quase que de forma automática. Eles parecem ficar “armazenados” e são reproduzidos sem a nossa autocrítica, sem um filtro.

Por essa razão, é necessário um caminho de desconstrução, na contramão da automatização que é feita pelo nosso cérebro sobre tudo que é exposto com grande frequência.

Como agir?

A nossa mente, muitas vezes, reage pela automação. Nem sempre expressamos aquilo que sentimos ou em que acreditamos. É por isso que não podemos nos deixar acreditar que “somos aquilo que pensamos”, mas temos que ter a consciência de que podemos agir de acordo com o que nossa mente reproduz.

É difícil parar para analisar, mas, ao mesmo tempo em que nos habituamos com o que é automático, também podemos treinar nossa mente a analisar criticamente uma reação. Precisamos avaliar cada comportamento que é baseado por esses pensamentos: entender o porquê de cada reação, parar, analisar se aquele comportamento condiz com o que somos e com as nossas convicções. É aí que entra a força do autocontrole, da busca pela autocrítica e pelo autoconhecimento.

Imagem de um  homem sentado sozinho no chão, segurando entre as suas mãos um livro de capa preta. Ele está encostado em uma parede de tijolos e está pensativo.
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Dicas para tentar

Não é uma tarefa fácil, nem temos a pretensão de trazer soluções científicas, mas a orientação aqui é tentar olhar para dentro de nós mesmos e resgatarmos nossa essência. Não só isso, mas também corrigir impulsos negativos e até mesmo prejudiciais.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudar você a lidar com os seus pensamentos e tentar afastar os mais negativos, evitando que eles o levem a agir sob a influência pessimista que eles exercem sobre seu comportamento.

Identifique pensamento e contexto

Toda vez que um pensamento negativo começar a tomar conta da sua mente, tente identificar quando ele surgiu, que situação o fez pensar dessa forma, qual foi o gatilho.

Tente analisar se se trata de um pensamento recorrente e observe se ele surge sempre sob as mesmas circunstâncias. Tente agir na fonte do problema, assim é mais fácil controlar o pessimismo decorrente dela.

Problemas sempre existirão

Entenda que problemas e situações desfavoráveis sempre vão existir e não há o que possamos fazer para evitar que eles apareçam. O que podemos fazer é aprender a lidar com os fatos e com a nossa reação diante eles. Autocontrole é um caminho.

Imagem de uma mulher olhando para frente do mar em  uma tarde fria de outono. Ela veste saia longa e um cardigan cinza e um chapéu na cor vermelha.
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Cuide de você

Cuide das suas emoções. Do seu corpo, da sua mente e dos seus sentimentos. Alie tudo que possa fazer-lhe bem e que o ajude a manter sua saúde mental e emocional equilibrada. Pratique exercícios físicos, alimente-se bem.

Valorize-se

Você precisa de amor-próprio em primeiro lugar. Valorize-se, trate-se como seu melhor amigo. Não se deprecie nem se menospreze. Não subestime sua essência, olhe para você mesmo com compaixão, amor e autoperdão. Seja bom com você mesmo.

Aprenda com as adversidades

Em vez de se travar diante dos desafios e das adversidades, enxergue-os como experiências. Tire o máximo de lições sobre cada dificuldade, cada erro, cada coisa que não corre conforme o esperado. Aprenda também a analisar, no caso de um erro cometido por você, onde você falhou e o que pode corrigir para que não aconteça novamente. Isso o ajuda a encarar coisas ruins como parte da nossa realidade e também como uma oportunidade de aprender, corrigir e melhorar como pessoas.

Imagem de um jovem homem debruçado sobre uma mesa olhando para a chama de uma vela.
Benjamin Balazs / Pixabay

Repare nas coisas boas da vida

Quando situações ruins vierem à tona, tente fazer uma lista das coisas boas da vida. De tudo de bom que você já deu, já recebeu. De tudo que a vida tem de agradável e que a gente acaba esquecendo no dia a dia. Aquele pôr do sol lindo, o vento balançando as árvores, os pássaros cantando e sobrevoando a sua varanda. Esses pequenos detalhes alegram o nosso dia e distraem a nossa mente.

Conte com alguém

No momento em que a crise negativa tiver início, fale com um amigo, uma pessoa com quem você sabe que pode contar. Assim, vocês dividem as angústias, conversam sobre coisas mais leves e amenizam os problemas com algum momento de diversão. Ter alguém em quem confiar é fundamental. Ainda mais quando essa pessoa também pode contar conosco.

Não fique obcecado por notícias ruins

Você precisa ficar informado, mas não é por isso que vai ter uma “overdose” de notícias – em especial as ruins. Em épocas de tragédias, crises, pandemias globais, guerras e conflitos, é comum que os meios de comunicação bombardeiem seus canais com informações somente sobre o problema da vez, como se nada mais estivesse acontecendo no mundo – nem de ruim nem de bom. Aprenda a filtrar essa enxurrada de notícias. Informe-se, sim, porque é preciso estar atento a qualquer mudança de porte global e que possa afetar a sua vida e a de quem você ama. Mas não fique obcecado por “caçar” notícias sobre os acontecimentos. Isso mexe com a sua cabeça e acaba condicionando seu cérebro a absorver apenas o que é negativo.

Imagem de uma jovem mulher em uma floresta. Ela está encostada em uma árvore. Está com a fisionomia alegre e relaxada. Ela usa uma trouca de lã rosa e um cachecol cinza.
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Relaxe

Aprenda a relaxar mais. Seja na forma de não ligar tanto para todas as coisas, seja com a prática de atividades que lhe permitam um descanso físico e mental, como ioga, meditação ou técnicas de respiração.

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Busque ajuda

Se os pensamentos negativos são muito frequentes a ponto de prejudicar o seu dia ou se trazem algum problema como crises de ansiedade ou de pânico, considere a hipótese de procurar um especialista. Não tem problema nenhum pedir ajuda e eles estão prontos para isso mesmo.

Lembre-se de que você não é os seus pensamentos. Você é uma soma de experiências, de valores e de complexidades que não podem ser resumidos por atitudes muitas vezes automáticas e que não refletem quem você é de verdade. Reencontre-se, reconecte-se com seu eu e esforce-se no caminho da desconstrução e da reconstrução.

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