Mindfulness

9 pilares do mindfulness

Mulher branca meditando.
Katerina Jerabkova / Unsplash
Escrito por Luiza Camargo

Você conhece os pilares do mindfulness? Jon Kabat-Zinn descreve esses pilares como atitudes fundamentais para levarmos para a prática de mindfulness, em seu livro” Viver a Catástrofe Total”, da editora Palas Athena.

Essas atitudes e o compromisso com a prática, quando incorporados tanto na meditação como no cotidiano, criam um solo para as flores germinarem, ganharem força e crescerem.

Vamos experimentar?

Não Julgar

Julgar é um hábito mental comum em que rotulamos, dizemos se gostamos ou não da experiência, expressamos nossa opinião, criticamos etc.

Esses julgamentos costumam acontecer no “piloto automático” e acabam embaçando a visão, como se fossem “verdades absolutas”. Muitas vezes, colocamos a lente do julgamento e não enxergamos de outra forma.

Mulher branca olhando pela janela.
Sorin Sîrbu / Unsplash

O convite para praticar é para notar os julgamentos sem se identificar com eles. Reconhecer que existem, e pode ser útil dizer mentalmente “um julgamento”. Aos poucos, vamos tomando consciência desse pensamento e começamos a olhar o que tem por trás e está escondido, como um medo ou preconceito, e também ir soltando esses julgamentos.

Paciência

Uma atitude tão valorizada nestes tempos de incerteza que estamos vivendo.

A paciência envolve o respeito ao ritmo. Como está o ritmo da sua vida?

Cultivar essa atitude é muito benéfico, principalmente quando notamos a mente “animada” demais. Aceitar que a natureza da mente é dispersa e busca algo para preencher a todo momento.

Aprender a perceber que podemos escolher ter paciência e esperar que as coisas aconteçam no seu momento é algo precioso. Você já notou em que momento perde a paciência? E o que tem de aprendizado para você?

“A paciência é uma forma de sabedoria.” Jon Kabat-Zinn

Mente de principiante

Como deixar de lado os pensamentos, ideias, sentimentos e estarmos dispostos a vivenciar o momento como se fosse a primeira vez?

Mulher branca de costas olhando para o mar.
Andrew Ly / Unsplash

Essa atitude nos convida a desenvolver um olhar de abertura e curiosidade para o cotidiano. As crianças têm essa atitude e não precisam de momentos extraordinários, fazem do ordinário momentos únicos. Estão livres das crenças, e os objetos acabam ganham outras funções. É um olhar profundo para o comum do dia a dia.

“A riqueza do momento presente é a riqueza da própria vida.” Jon Kabat-Zinnn

Que tal experimentar a mente de principiante no dia a dia?

Experimente usar a mão não dominante em atividades diárias, como escovar os dentes, pentear o cabelo, abrir a porta etc. O que você nota?

Confiança

Cultivar essa escuta do corpo e da intuição. É uma atitude para fortalecer, pois ajuda a direcionar e escolher o que é melhor. Nos conhecermos e sermos especialistas.

Abrir-se para ouvir o corpo, as mensagens que nos passam e aumentar a percepção. Isso é vital em uma época em que estão muito disponíveis as informações, e acabamos colocando muita atenção ao externo, ao que o outro nos diz, e a voz interna perde força.

Homem e mulher andando de mãos dadas num campo.
Joseph Chan / Unsplash

Quanto mais atenção damos a essa sabedoria interior, mais reforçamos essa atitude e ela se fortalece. Vamos aprendendo com os tropeços e erros e afinando essa percepção.

Que tal se atentar para a confiança no seu corpo? Note as sensações de quando você confiou em seus sinais e também de quando não levou a sério. Em todo momento, podemos aprender.

Não Lutar

Experimentar o não lutar, a ausência de esforço ou não fazer.

Quando praticamos mindfulness, estamos notando o momento a momento, o que surge, as sensações… estar simplesmente prestando atenção ao momento presente. Ter a intenção clara da atitude de Não Lutar é deixar ir os objetivos, metas e expectativas com a prática para vivenciar o agora.

Muitas vezes almejamos algo ao nos sentarmos para meditar, como ficar mais relaxados, menos ansiosos, deixar a tensão, ser mais produtivos… isso acaba indo na contramão do mindfulness – desenvolver essa curiosidade e abertura para o que está acontecendo.

Gato branco deitado num travesseiro listrado.
Jeffrey Blum / Unsplash

O cultivo dessa atitude pode ser muito renovador e requer uma dose extra de disciplina. É abrir mão do apego aos resultados.

Como podemos vivenciar o “deixar as coisas serem como são”?

É um desafio colocar na prática diária e tremendamente nutritivo quando experimentamos.

Aceitação

Essa atitude é vital para estes tempos que estamos vivendo.

Percebo que, quando tento resistir e quero que as coisas sejam como imaginei, acabo escolhendo um caminho mais difícil e cansativo, causando ainda mais tensão e gastando energia.

É uma prática diária. É o cultivo diário. É uma disciplina.

Note como gastamos energia tentando resistir, negando uma situação ou imaginando como poderia ser, em vez de aceitá-la. Quanto maior essa resistência, mais difícil será mudar algo ou ter disposição para surgir algo novo. Para dar o primeiro passo, é preciso aceitar.

É bom lembrar que aceitação não significa passividade, muito pelo contrário. É um processo ativo. Ao aceitar, você se permite ver com clareza e busca as mudanças necessárias, como, por exemplo, deixar um hábito nocivo para transformá-lo e se liberar do sofrimento.

Ao que está resistindo? Pare e experimente aceitar as coisas como são.

Soltar

Soltar, deixar ir ou não apego.

Essa é uma atitude muito rica para nos conhecermos. Notar a quais pensamentos, sentimentos, acontecimentos queremos nos manter apegados, sem soltar. Grande parte tem uma sensação agradável, e forçamos para se prolongar.

Do outro lado, tem aqueles eventos que são desagradáveis e não queremos nem ver de perto. Evitamos ao máximo.

Mulher branca com o braço levantado para o lado.
Hannah Busing / Unsplash

Notar esses condicionamentos, hábitos do dia a dia, e em quais estamos nos agarrando pode trazer um caminho para trilhar e cultivar o desapego. Aceitar as coisas como são.

Notar o que não conseguimos soltar também é a prática, pois ao investigar esse desafio, podemos descobrir ao que realmente estamos apegados e trazer lindos aprendizados.

A respiração é ótima para vivenciar o soltar. Após inspirar, temos que soltar o ar para expirar e poder chegar à nova inspiração. Perceba como você sente ao soltar a cada inspiração.

Gratidão

Essa atitude da gratidão nos lembra de notar como tem tanta coisa acontecendo no corpo e nem nos damos conta. A respiração acontecendo. O coração batendo. O estômago digerindo. Os olhos lendo este texto. Os ouvidos percebendo os sons. O nariz sentindo os cheiros…

Ser grato ao corpo. Ser grato à vida. Ser grato ao momento.

Mulher branca de olhos fechados e mãos juntas.
Amadeo Valar / Unsplash

O cultivo da gratidão nos ajuda a integrar as demais atitudes.

Ao expressar a gratidão pelos acontecimentos do dia, o repertório vai se ampliando, e reconhecemos os momentos positivos para nutrir e florescerem.

Experimente refletir e anotar ao que foi grato no dia.

Generosidade

Generosidade, a última das nove proposta por Jon Kabat-Zinn.

O cultivo da generosidade é para ampliar essa conexão com você e com os demais a sua volta – essa interconexão.

Uma das maneiras de estar conectado é dedicar sua atenção e presença ao outro (e a você também), demonstrando interesse genuíno e coração aberto.

Oferecer mais momentos que geram alegria para fortalecer o outro e essa inter-relação.

Vivenciar essas atitudes me ajudam muito a cuidar e nutrir a relação com os filhos. Cultivar a generosidade é estar com eles de corpo, coração e mente. Quando estou na presença deles por completo, a relação flui e se fortalece. O contrário também é verdadeiro: quando estou desatenta ou com o foco em outra coisa, rapidamente eles me chamam a atenção para estar ali com eles.

Que tal oferecer sua presença e atenção a uma pessoa hoje?

Vamos cultivar mais generosidade?

Referência: 

KABAT-ZINN, JON. Viver a Catástrofe Total. São Paulo: Palas Athena, 2017.

Sobre o autor

Luiza Camargo

Sou nutricionista e instrutora de mindfulness e mindful eating. Acredito na união da Nutrição, Mindful Eating, Mindfulness e Meditação. O alimento é um veículo para nutrir o corpo e a mente e, também, um reflexo de como lidamos com nossas vidas. Na minha trajetória sou pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento e com especialização em Nutrição Desportiva. Realizei o treinamento em Mindful Eating-Conscious Living pela UCSD e Estratégias de Mindfulness pela MTI.

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