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Os excessos de quem começa a despertar

Um homem jovem está com uma mão na cabeça, aparentando estar confuso.
Golubovy / Getty Images / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Quando o despertar começa, por que surgem excessos, julgamentos e contradições? Será consciência… ou apenas o ego trocando de roupa? Entre espiritualidade, incoerência e humildade, algo se revela. Continue a leitura e aprofunde essa reflexão.

Quando alguém começa a despertar para questões mais profundas, quase sempre escorrega. É um terreno novo, instável, e o ego não desaparece só porque a pessoa começou a meditar, ler filosofia ou falar sobre consciência.

Um dos primeiros escorregões é se achar mais desperto do que os outros. A pessoa muda algumas referências internas e, de repente, passa a olhar o mundo como se tivesse entendido algo que ninguém mais entendeu. Tudo vira superficial, atrasado, inconsciente. Amigos antigos parecem rasos. Conversas comuns passam a incomodar. Surge uma sensação de superioridade que começa a contaminar a forma de olhar para os outros.

Outro tropeço comum é a necessidade de convencer. Quem está nesse início costuma falar demais. Quer explicar sua nova visão de mundo, indicar livros, corrigir comportamentos, dar lição de presença e desapego para quem não pediu. A intenção pode até parecer boa, mas carrega uma ansiedade de validação. Se o outro não concorda, vira resistência. Se discorda, vira ignorância.

O julgamento aparece rápido, quem não medita está perdido, quem não questiona o ego está dormindo, quem vive diferente está errado. A realidade vira um grande teste de consciência onde só existe um jeito certo de viver. E, curiosamente, esse jeito quase sempre coincide com o jeito da própria pessoa.

Um casal composto por um homem e uma mulher estão discutindo.
Yan Krukau / Pexels / Canva

Também existe a incoerência prática. De manhã, fala em paz, silêncio interior, amorosidade. À tarde, se envolve em conflitos desnecessários, cria tensão, reage com agressividade, alimenta fofoca, entra em disputa. A espiritualidade fica bonita nas palavras, mas não aparece no comportamento. Vai de mantra a confusão em minutos, de presença a reatividade sem perceber.

Esses escorregões não invalidam a busca de ninguém, fazem parte dela. O problema começa quando a pessoa não reconhece que está escorregando. Quando confunde despertar com estar pronto. Quando usa conceitos elevados para justificar atitudes pequenas, quando troca autoconhecimento por identidade espiritual.

Despertar não é se tornar alguém especial. Na maioria das vezes, é perceber o quanto ainda falta olhar, notar contradições, incoerências, impulsos antigos vestidos com palavras novas. É entender que a consciência não impede seus erros, apenas torna mais difícil fingir que eles não existem.

Quem realmente aprofunda começa a falar menos e observar mais. Aprende a conviver com diferenças sem precisar corrigir ninguém. Percebe que viver em coerência dá mais trabalho do que repetir ideias bonitas. E entende que humildade não é um conceito, é uma prática diária, consigo mesmo.

O despertar verdadeiro aproxima as pessoas, em vez de afastá-las. Não gera superioridade, gera responsabilidade. Não transforma ninguém em referência moral, torna a pessoa mais cuidadosa com o próprio impacto no mundo.

Escorregar faz parte. Permanecer no escorregão, não!

O caminho começa a ficar mais honesto quando a pessoa percebe que ainda erra, ainda julga, ainda reage, e mesmo assim continua olhando para isso sem recorrer a conceitos para evitar o próprio comportamento.

Talvez esse seja um dos sinais mais claros de maturidade nesse processo. Quando a busca deixa de ser sobre parecer consciente e passa a ser sobre viver com mais lucidez, mesmo sendo imperfeito.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

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Meditação para quem não sabe meditar

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