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Curiosidades sobre o natal dos bruxos e as origens pagãs do Natal

Brownies de chocolate em formato de árvores de natal
123RF | Oksana Bratanova

Muita gente não sabe, mas o Natal tem origem no Yule pagão, e sim, ele é originalmente uma festa de inverno. No calendário pagão, o Natal encontra seu momento mítico na Roda do Ano, em que o Rei do Azevinho, como Senhor das Sombras, cede lugar ao Rei do Carvalho, arquétipo solar representado pela Criança Divina: a Criança da Promessa, e em várias culturas, temos a representação deste símbolo de renascimento.

É praticamente impossível falar sobre a tradição natalina sem mencionar o Yule, pois muitos costumes do Yule foram absorvidos pelo Cristianismo enquanto este tentava se estabelecer como sede do poder na Europa. O Natal cristão já foi festejado em muitas datas diferentes, mas se estabeleceu no dia 25 de dezembro porque não conseguiu reprimir completamente as práticas celebrativas da antiga religião, principalmente a celebração do Solstício de Inverno dos povos europeus, que ocorre por volta de 21 de dezembro no Hemisfério Norte. A tradição cristã traz o mito de Maria dando à luz a Jesus no vigésimo quinto dia, sem, no entanto, confirmar o mês. Foi em 320 EC, que a Igreja Católica tomou a decisão de celebrar o nascimento de sua Criança da Promessa em dezembro, no intuito de absorver o poder do culto dos celtas e saxões. Assim, o nascimento de um Novo Deus no Solstício de Inverno não é exclusivo do Cristianismo, como muitos podem pensar, pois muitos bebês divinos nasceram nesta época nos tempos antigos.

Sala com árvore de natal iluminada e presentes pela sala
Brett Sayles / Pexels

Muitas práticas dos cristãos de hoje possuem origens essencialmente pagãs

A Árvore de Natal, por exemplo, decorada com bolas e uma estrela no topo, é uma releitura da antiga Árvore de Yule que os pagãos dos tempos ancestrais decoravam, no intuito de agradecer e atrair abundância, com velas, alimentos, flores, frutas, bolas coloridas, símbolos fálicos relacionados ao Deus e o Pentagrama (que atualmente é tido como símbolo da Bruxaria, mas que, na verdade, não é exclusivo desta, pois ele é usado por diversas tradições espirituais e religiosas).

As guirlandas, o azevinho, a Tora de Yule queimada no fogo (Yule Log), são costumes pagãos. A Árvore de Yule é uma maneira celebrativa de homenagear os elementos, agradecer ao Espírito do local e pedir Sua proteção. É, na verdade, um ato de puja. Na noite do Yule, é costume acender todas as velas da árvore, fazendo um pedido para cada vela acesa de acordo com sua cor, cantar e dançar ao seu redor, festejando e honrando os Espíritos da Natureza e o Deus em Sua forma infantil, a Criança da Promessa, que renasce nesse dia. Então, podemos dizer que o “natal pagão” tem um significado completamente diferente do natal civil/cristão. Sabe por qual motivo as famílias traziam uma árvore verde para dentro de casa nessa época?

Para acolher os Espíritos da Natureza para que não sentissem o frio do inverno. Isso é amor à Natureza, é hospitalidade, é consideração, é compaixão. Sinos eram colocados nos galhos dessa árvore para o seu embelezamento, os elementais recebiam essas oferendas e retribuíam com vida, saúde e sustento durante o inverno.

Para os celtas, celebrar o Solstício de Inverno era uma reafirmação de continuidade da vida, pois era o tempo de celebrar o Espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que poderiam aparecer até a Primavera. Era um ótimo momento para contar histórias, cantar e dançar com a família e os amigos, celebrando a vida e a união.

Como o Yule nasceu com os povos do Hemisfério Norte, ocorrendo durante o Solstício de Inverno, quando o Sol está em nadir, é a noite a mais escura e longa do ano. Daí vem a ideia de muitos pagãos o celebrarem como o Festival da Luz, porque este raciocínio evoca a Deusa como a Mãe que dá nascimento ao Deus Sol, a Criança da Promessa (alguma semelhança com o nascimento de crianças sagradas em outras culturas, nesta mesma época do ano?). Neste sentido, os povos antigos entendiam que era a vitória do Deus da Luz (Rei do Carvalho) sobre o Rei das Sombras (Rei do Azevinho), pois a partir desse momento os dias se tornariam mais longos com o tempo, portanto, mais luz.

Em algumas religiões pagãs, como na bruxaria wiccaniana (entre outras tradições com variações celebrativas de uma para a outra), celebra-se essa data em uma reunião conhecida como sabbat, dando boas-vindas ao retorno dessa luz. Trata-se de um ato simbólico das metáforas da psique, que na noite mais escura e fria do ano (o inconsciente), a Deusa (Self) dê nascimento à Criança do Sol (caminho, nutrição), que é uma metáfora do calor, vitalidade e fertilidade que a Terra (consciência) está precisando nessa época do ano: esperanças renascem, novos sonhos são trazidos à tona e crenças são ressignificadas, é deste costume pagão que surgiu a ideia do “ano novo”, onde a política de consumo brinca com as necessidades e esperanças da população para o ano vindouro…

O Ano Novo dos Bruxos é comemorado no mês de outubro, no Samhain, mas é em Yule que eles reforçam os votos de paz, harmonia, abundância, amor e prosperidade dentro na Nova Roda. Yule, para os bruxos, é o tempo de celebrar o nascimento do Deus Cornífero, e isso ainda é um calo para muitos seguidores das religiões abraâmicas. Por que um Deus Cornífero?

Urso de pelúcia de rena natalina
Tim Gouw / Pexels

Veja bem, para quem não sabe, chifres sempre foram símbolo de poder, conexão divina, fertilidade, virilidade, sexualidade, defesa, proteção, sabedoria, provisão e vida. Para os antigos, um Deus Cornífero no inverno, uma época de escassez, traz consigo a ideia de abundância e vitória sobre as adversidades. Isso funciona até mesmo para bruxos e pagãos que vivem aqui, no Hemisfério Sul. Os que seguem a Roda do Norte acreditam que esta egrégora, por ser a original, é considerada como a ancestral mais forte para eles, por seguir o mesmo fluxo energético criado há mais de dez mil anos. E no caso do Brasil, existe a realidade cultural do país sincronizada com as datas comemorativas brasileiras, não tendo como ignorar o fluxo de energia criado pelas crenças de 202 milhões de pessoas…

Uma outra curiosidade é que a Tradição da Árvore de Natal, usa o pinheiro como símbolo, e o pinheiro era associado com a Grande Deusa. As luzes e os ornamentos, como o Sol, a Lua e as estrelas, faziam parte da decoração porque representavam os espíritos que eram lembrados a cada ano. Presentes eram ofertados nos pés da Árvore = Deusa, e também para todos os outros seres e divindades, e daí surge a prática contemporânea de trocar presentes de natal…

E as cores? Até as cores do Natal, verde e vermelho, vêm do Yule: nos sabbats, os bruxos fazem uma Fogueira Sagrada (vermelho) e erguem a Tora de Yule (verde). Essa tora é um tronco que foi cuidadosamente preservado durante todo o ano para ser queimado nessa época, enquanto um outro novo é enfeitado e guardado para proteger toda casa durante a Nova Roda. Os troncos geralmente são decorados com símbolos que representam o que se deseja atrair para si e para o grupo.

Bola de natal pendurada em pinheiro visto de perto
Freestocks.org / Pexels

Correspondências Populares

  • Cores: vermelho, verde, dourado e branco.
  • Nomes Alternativos: Solstício de Inverno, Winter Rite, MidWinter, Alban Arthan, Carr Gomm, Retorno do Sol, Dia de Fionn, Jól (os nomes variam de acordo com a tradição religiosa. Jól, por exemplo, é uma celebração do Ásatrú, que não é bruxaria wiccaniana abordada neste texto. Ok, pessoal?).
  • Representações Divinas: o Deus, como A Criança da Promessa (Horus, Jesus, Dionísio, Mitra, Baldur) e a Deusa em Sua plenitude materna, como A Mãe.
  • Ervas: azevinho, carvalho, visco, alecrim, urze, cedro, pinho, louro.
  • Pedras: rubi, granada, olho-de-gato.
  • Comidas e Bebidas Tradicionais: bolos de frutas, nozes, pães variados, vinho quente e frio, uvas e maçãs, melões, porco ou peru assado.
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Concluindo

O tema principal do Yule, o Natal dos Bruxos, é a Luz em todas as suas manifestações: seja no fogo da lareira, da fogueira, das velas… A Luz torna-se um elemento mágico, de encanto, que burla os mecanismos de defesa do subconsciente, capaz de convencer o Sol Divino (nossa sabedoria arquetípica) a retornar para a terra da consciência humana, fertilizando vidas, mentes e corações.

Puja ou Pooja é uma reverência, honra, uma adoração ou mesmo culto. Oferece-se símbolos de gratidão às divindades ou pessoas ilustres, pode ser realizado em uma variedade de ocasiões, desde uma prática doméstica, para pedir bênçãos a um novo projeto, até as cerimônias de templo e festivais de grande porte.

Samhain: Festa dos Mortos, quando homenageamos os nossos Antepassados em Finados, que também tem origem pagã. Pedimos por maior entendimento, meditamos e refletimos por transformações mais significativas e profundas em nossas vidas. Também conhecido como Halloween.

Sobre o autor

Deva Layo (Luciáurea Coelho)

Deva Layo (Luciáurea Coelho)

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