Saúde Integral

Será que é normal não gostar de sexo?

Upset young couple having problems with sex.
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Nesse mundo tão sexual, não gostar de sexo é algo esquisito. Quando alguém “não gosta daquilo”, encontra várias fórmulas para trazer o desejo de volta. Antes de qualquer coisa, é preciso esclarecer que fatores como violência física e sexual, problemas hormonais, tabus religiosos, ejaculação precoce ou retardada, problemas físicos como o vaginismo, alterações na próstata, entre outros, podem diminuir ou até mesmo tirar a vontade de transar. Questões psicológicas estão por trás da maioria dos casos de ausência de libido, entretanto, a falta de desejo pode ter origem psicofisiológica (junção de problemas físicos e psicológicos).

No divã

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Quem não sente vontade deve recorrer a um psicólogo, caso esteja incomodando. Pessoas que estão em um relacionamento precisam envolver o parceiro. As sessões duram de 45 minutos a uma hora e são feitas individualmente e também em conjunto. O psicólogo traz à tona a criação, questões religiosas e o passado sexual, para desvendar as raízes do problema.

Exercícios para o vaginismo e práticas de autocontrole masculino pela masturbação são transmitidos para o indivíduo ou casal. Problemas psicofisiológicos exigem tratamento multidisciplinar, com o trabalho de psicólogo, psiquiatra, ginecologista e urologista.

O tratamento psicológico pode durar dez sessões ou anos. Casos envolvendo vaginismo ou disfunção erétil costumam durar seis meses e os relacionados à falta de libido podem levar de dois a três anos, explica o psicólogo Oswaldo Rodrigues.

Assexualidade

E as pessoas que não querem saber de sexo sem ter problemas psicológicos ou físicos? Elas são chamadas de assexuadas, característica de quem não tem ou sente atração sexual mínima. A assexualidade é a quarta sexualidade (hétero, homo e bissexualidade são as outras).

As discussões sobre o assunto ganharam força no início dos anos 2000, por força de organizações como a Aven (Asexual Visibility and Education Network) fundada em 2001 pelo americano David Jay. A Aven é considerada a mais importante comunidade virtual sobre o assunto. No Brasil, o site Tab debate essa orientação sexual com depoimentos de pessoas assexuadas e a colaboração da mestre e doutoranda em sociologia da educação, Elisabete Regina de Oliveira e da psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, responsável pelo Prosex (Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo).

O DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), obra da associação americana de psiquiatria que classifica doenças mentais classifica a assexualidade como a “síndrome do desejo sexual hipoativo”. Carmita rebate o DSM, dizendo que “para o DSM, ninguém é normal”. A psiquiatra explica que a visão do DSM vem do contexto social hipersexualizado, porém, que a intervenção psicológica é bem vinda apenas quando a falta de libido causar sofrimento.

Pistas

Se você ou alguém que conhece apresenta esses comportamentos, é sinal de assexualidade:

→ É possível viver um relacionamento amoroso sem sexo

→ Não ter atração sexual

→ Não sentir vontade de transar

→ Não entende o alvoroço em torno do sexo

→ Acha que beijar na boca ou o ato sexual são coisas nojentas

Perguntas e respostas

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A assexualidade ainda é pouco estudada. Para você entender o 1% da população mundial que não gosta de sexo, reunimos as principais dúvidas e as respostas dessa orientação sexual.

Como sei que tenho essa orientação?

Essa descoberta é uma jornada de autoconhecimento, analise seu passado sexual e veja se você se encaixa nos itens do tópico Pistas.

Assexualidade é igual a celibato?

Não, pois a assexualidade não é uma escolha como o celibato, onde o indivíduo decide não fazer sexo por questões religioso-espirituais.

Uma pessoa vira assexual devido a traumas?

Ninguém vira assexual, como qualquer orientação sexual, é algo que nasce com a pessoa. Traumas vindos de experiências ruins ou por violência não são traços de assexualidade, por isso, podem ser tratados com um psicólogo.

Os assexuados amam?

Depende, os assexuados romantic se apaixonam, gostam de namorar, beijar e abraçar, enquanto os arromantic não sentem vontade de viver um relacionamento, nem de contato físico.

Assexualidade é a mesma coisa que homossexualidade?

Uma coisa é diferente da outra, entretanto, existem assexuados que se apaixonam por pessoas do mesmo sexo.

Assexuais se masturbam?

Quem possui essa orientação pode se masturbar, porém, sem fantasias.

Dá para ser feliz sendo assexuado?

Sim, o que irrita uma pessoa assexuada é a pressão por serem diferentes do comportamento imposto pela sociedade.

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Tipos de assexualidade

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A quarta sexualidade é complexa e possui várias ramificações. Elas são diferenciadas pelo sufixo romantic (romântico) para diferenciar a assexualidade das orientações sexuais conhecidas. Conheça as particularidades de cada tipo:

Romantic

Pessoa que se apaixona e gosta de contato físico.

Arromantic

Os arromantics não sentem necessidade de viver relacionamentos amorosos, não gostam de abraços e beijos.

Heteroromantic, homoromantic e biromantic

Indivíduos que sentem atração romântica por pessoas de outro sexo, do mesmo sexo e por ambos os gêneros, respectivamente.

Dimesexual

Pessoa que sente atração sexual apenas com quem possui laços afetivos.

De fases

O assexuado de fases fica mais de seis meses sem transar, recupera o desejo e perde a vontade logo depois.

Autossexuais

Não sentem atração romântica, entretanto, sentem prazer na masturbação.

Platônicos

Esses indivíduos se apaixonam por pessoas inatingíveis, que podem ser famosas, vizinhos ou colegas de trabalho e se masturbam pensando nessas pessoas.

Frustrados

Acreditam ter desejo sexual, contudo, param de fazer sexo porque nunca sentem prazer.

É normal não gostar de sexo?

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Embora o sexo seja visto como algo fundamental, é totalmente possível ser feliz sem o ato sexual. Se você, algum familiar ou amigo possui características apresentadas ao longo desse texto, saiba que a assexualidade não é doença, e sim uma condição sexual que deve ser respeitada, assim como a homo e a bissexualidade.

Para quem ainda acha que assexualidade é algo estranho, saiba que em uma pesquisa do Datafolha feita em 2009 com 1.888 pessoas entre 18 e 60 anos, em 125 municípios do país, foi constatado que 5% dos jovens entre 18 e 24 anos não veem graça no sexo.

O problema não é não gostar de sexo, e sim o preconceito. Caso você seja ou conheça alguém com essa orientação, compartilhe ou convide para compartilhar a experiência.

Escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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