Autoconhecimento Psicanálise

Como decidir/agir melhor em nossas vidas? Parte 2

lidando com a culpa
Carlos Henrique
Escrito por Carlos Henrique



Culpa…

Por que sentimos culpa? De onde ela vem? Para que serve? 

A culpa é consequência da censura interna consciente. É o sofrimento emocional que o indivíduo se impõe quando toma consciência de que fez algo em desacordo com os respectivos padrões morais que aprendemos/acreditamos durante a nossa infância, com os nossos pais (ou cuidadores) e a sociedade.

Ela serve somente para alertar que há um problema e que, principalmente, algo precisa ser feito… Mas o que fazer? 

A culpa faz parte de um processo evolutivo de autoconhecimento e para realizar esse processo com sucesso, é necessário que o indivíduo olhe para dentro si mesmo.

Exemplo genérico:

Um indivíduo com elevados padrões morais de: 

  • Honestidade;
  • Honradez;
  • Imparcialidade (justiça);
  • Ética;
  • Humildade;
  • Empatia;
  • Desapego (material, afetivo e tempo), etc…

Para se proteger ou obter algum ganho (real ou emocional), esse indivíduo age: 

  • Acusando injustamente alguém;
  • Mentindo;
  • Traindo;
  • Infringindo leis, etc…

Apesar de obter (ou não) os ganhos pretendidos, as ações acima estão em desacordo com os padrões morais do indivíduo e ele sofre a censura interna consciente… A culpa se instalada e esse indivíduo fica desarmonizado.

Para o indivíduo se harmonizar com a solução da culpa, ele cumprirá sozinho (instintivamente) ou com a ajuda de um profissional da área (direcionadamente) um processo evolutivo de autoconhecimento, o qual se realiza basicamente em 4 etapas (modelo teórico):

lidando com a culpa

• Etapa 1: Admitir que há um problema 

É necessário admitir que existe um problema e não negá-lo. Devido ao orgulho e idealização pessoal (acha-se quase na perfeição humana), o indivíduo pode ter muitas dificuldades em admitir que fez algo que não deveria (agrediu seus padrões morais) e/ou fica tentando justificar para si mesmo (sem sucesso) o que fez…

O indivíduo precisa compreender que a culpa que experimenta advém de alguma coisa que ele fez, que está lhe causando um problema (culpa) e que isso precisa ser resolvido.

Sem admitir o problema, o processo evolutivo do indivíduo se interrompe e a culpa persistirá, impondo-lhe sofrimento emocional indefinidamente.

• Etapa 2: Admitir imperfeições 

Ao se olhar internamente para procurar descobrir o porquê da ação fora dos seus padrões morais, fatalmente o indivíduo se confrontará com as suas estruturas egocêntricas reprováveis, as quais ele teme, não admite para si e tampouco quer expô-las, mas que fazem parte das suas imperfeições humanas, tais como:

  • Orgulho;
  • Vingança;
  • Inveja;
  • Prepotência;
  • Presunção;
  • Covardia;
  • Cobiça, etc…

Trata-se de um processo doloroso, pois o indivíduo precisa resgatar sua humildade para compreender que não é tão perfeito como gostaria de ser, ou seja, ele tem as imperfeições humanas em um grau acima do que ele gostaria ou idealiza para si e, devido a isso, agiu contra os seus padrões morais.

Alerta-se novamente que o orgulho é um grande adversário nesse processo evolutivo de autoconhecimento, pois se contrapõe ao reconhecimento das imperfeições pessoais. Não é raro alguém dizer: “Jamais me perdoarei por ter feito isso”. 

Sem admitir as respectivas imperfeições, o processo evolutivo do indivíduo também se interrompe e a culpa persistirá, impondo-lhe sofrimento emocional indefinidamente.

lidando com a culpa

• Etapa 3: Autoperdão 

Após a compreensão da causa que o levou a agir em desacordo com os seus padrões morais e respectiva admissão de suas imperfeições no grau real de sua natureza humana, o indivíduo incorporará em sua história de vida essa experiência e experimentará o autoperdão, dissolvendo a culpa e se rearmonizando.

Adicionalmente, se for o caso, suportado pela humildade, buscará reparar o mal que causou (se possível) e/ou pedirá o perdão aos prejudicados pela sua ação (se possível).

• Etapa 4: Não repetir a ação 

Com a compreensão dos fatos, o indivíduo adquire consciência do que fez, as causas e as respectivas consequências para si, para os outros e se preocupa em não repetir a ação em desacordo com os seus padrões morais que disparou a culpa. Dessa forma, ele evolui em seu autoconhecimento e na sua condição humana.

Alerto que não tenho a intenção de aqui esgotar esse assunto, o qual é extenso e complexo, e tampouco dizer o que está certo ou errado, mas discutir a condição humana.

(Continua…)

Confira a primeira parte deste artigo:  https://www.eusemfronteiras.com.br/como-decidir-agir-melhor-em-nossas-vidas-parte-1/

Sobre o autor

Carlos Henrique

Carlos Henrique

Sou engenheiro de formação e por muitos anos trabalhei em uma grande multinacional alemã de autopeças ate minha aposentadoria. Em 2008, num treinamento ministrado na empresa tive contato com a psicanálise. Numa conversa de coffe break , divagando com o consultor (psicanalista) sobre um serio problemas pessoal o qual eu estava passando, ele me presenteou com algumas palavras sobre humildade, perdão, compreensão e amor. Obviamente, não são palavras desconhecidas mas da forma que me foram propostas e que posteriormente acolhi na minha vida, me fizeram perceber o efeito impactante e benéfico que a psicanálise pode proporcionar em nossas vidas. Hoje, formado em psicanálise e pós graduando na área, procuro ajudar as pessoas a serem mais felizes.

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