Saúde Integral

Gastrite alérgica: O que é, como se manifesta e como tratar?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
A gastrite é a inflamação aguda ou crônica da mucosa que reveste as paredes internas do estômago. De acordo com o gastroenterologista Reinaldo Robalinho, a gastrite alérgica é uma patologia recente. Ela é mais frequente no intestino, porém, pode se espalhar para todo o sistema digestivo. Ele esclarece que hoje o diagnóstico é mais preciso, porque houve uma melhora nos exames endoscópicos.

O exame mais eficaz no diagnóstico é a endoscopia digestiva alta. O endoscópio, um tubo flexível com fibras óticas e uma microcâmera é introduzido pela boca, passa pelo esôfago, chega ao estômago e segue para o duodeno. Essa microcâmera ilumina as mucosas desses órgãos. A endoscopia digestiva alta ainda permite a realização de biopsia. É retirado um fragmento de três milímetros, para estudar as lesões do estômago, principalmente aquelas originadas por bactérias. O diagnóstico de gastrite alérgica se confirma quando existe uma anormalidade nos níveis de eosinófilos, células sanguíneas, cuja função é defender a imunidade do organismo, junto com outras células que integram a parte sólida do sangue. Os valores normais dessas células sanguíneas variam entre 50 a 400/microl. Pessoas que apresentam um processo alérgico, os níveis de eosinófilos são superiores a 400/microl. Tal anormalidade é conhecida como eosinofilia, comum em doenças como dermatite e artrite reumatoide.

O “exame do hálito” que também é realizado para o diagnóstico. O paciente ingere uma solução líquida, sem gosto, que contém doses de carbono radioativo. O paciente assopra em um saco, se o hálito tiver amostras desse carbono, o diagnóstico de gastrite é confirmado. Existem outros exames realizados para diagnosticar a gastrite. O exame de fezes serve para verificar a presença de parasitoses e de sangue nas fezes, o que caracteriza sangramento no estômago. Também é possível detectar a existência da bactéria helicobacter pylori. O exame de sangue verifica a existência de anticorpos para o helicobacter pylori. O resultado positivo indica que a pessoa teve contato com a bactéria em algum momento da vida, porém, pode não indicar uma infecção atual. Outra função do exame de sangue é analisar a presença de anemia, geralmente resultado de sangramento estomacal ligado à gastrite.

shutterstock_132709256A gastrite alérgica é mais comum em pessoas que têm outros quadros alérgicos, como bronquite, rinite ou sinusite. A doença causa uma sensibilização estomacal, desencadeando uma reação imunológica nos órgãos alvos: estômago e esôfago.  O que difere a gastrite alérgica da gastrite infecciosa são as causas. Enquanto a de origem alérgica caracteriza-se por uma alteração celular, a de origem infecciosa caracteriza-se pelo contato com fezes, comida mal higienizada, usar banheiros públicos e em seguida colocar a mão na boca, contato com pessoas que falam expelindo saliva.

Geralmente, encontra-se a bactéria Helicobacter pylori no estômago nos pacientes com gastrite ou úlcera. Ela é encontrada em todos os seres vivos, porém, apenas no ser humano a helicobacter pylori se instala. Vale ressaltar que ainda não existem evidências que comprovem a relação entre essa bactéria com a gastrite e a úlcera. Não está claro se esse micro-organismo é responsável ou se ela encontra ambientes favoráveis para seu desenvolvimento. Mas, os médicos são unânimes em relação sobre alguns fatores:

  • Estresse;
  • Infecções (bactérias ou vírus);
  • Tabagismo: Aumenta em 40% os riscos de gastrite. Eleva a produção de ácido no estômago;
  • Excessos (de comida ou jejum);
  • Frituras e comidas gordurosas;
  • Bebidas alcoólicas: O álcool irrita o revestimento estomacal, aumentando os danos causados pelos sucos gástricos, produzidos pelo estômago para a digestão;
  • Café: Não há comprovação que o café provoque gastrite, mas, ele irritante local que aumenta a secreção ácida;
  • Medicamentos: Os analgésicos impedem a proteção do revestimento estomacal. O conhecido omeprazol atrofia o estômago e mascara sintomas. Outro remédio muito usado, o ácido acetilsalicílico também é um veneno;
  • Idade: O revestimento estomacal fica mais flácido com o passar dos anos. Idosos são mais propensos a infecções por bactérias e a desenvolver doenças autoimunes que prejudicam a parede estomacal;
  • Doenças autoimunes: As doenças autoimunes caracterizam-se pelo ataque das células que deveriam defender o corpo. Na gastrite, os anticorpos atacam as células que revestem o estômago.

A bactéria helicobacter pylori causa uma lesão destruidora do órgão onde se instala, deforma lentamente a estrutura externa do estômago. O micro-organismo substitui o revestimento interno por um revestimento patológico (metaplasia intestinal), que pode evoluir para displasia, reações que levam ao câncer.

Segundo o gastroenterologista Reinaldo Robalinho, a famosa “gastrite nervosa” não existe. O médico esclarece que a gastrite piora devido ao estresse emocional. O individuo senta à mesa tenso. Esse nervosismo eleva os níveis de cortisona e de adrenalina. A cortisona faz a pessoa ficar mais exposta as enzimas, a adrenalina retém a vasoconstrição gástrica. A adrenalina impede o sangue de realizar a nutrição para as células.

Os sintomas atrapalham bastante vida profissional e social prejudicadas. Vejam quais são os sintomas da gastrite:

  • Dor na boca do estômago parecida com pontadas que se irradia para outras partes;
  • Arrotos frequentes;
  • Dor de cabeça e mal-estar em geral;
  • Queimação, quando há retorno do suco gástrico no esfíncter, estrutura muscular que faz comunicação entre o esôfago e o estômago;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Presença de sangue nas fezes e no vomito (em caso de sangramento da parede do estômago);
  • Fraqueza e insônia.
Tratamentos

O médico determina o tratamento de acordo com as causas. Devido a associação entre a gastrite infecciosa, provocada pela bactéria helicobacter pylori e a gastrite alérgica, é necessário tratá-las simultaneamente. O Dr. Drauzio Varella não recomenda os medicamentos efervescentes, os populares sais de frutas. Segundo ele, tais remédios possuem um analgésico e um antiácido, portanto, sua ação vem do efeito analgésico, porque ele ameniza a dor. Caso exista a produção exagerada dos ácidos estomacais, o mais eficiente é prescrever um medicamento que iniba essa produção e que deve ser tomado até desaparecer a irritação do estômago. Já nos casos de gastrite por exagero de alimentação, o gás carbônico presente nos comprimidos efervescentes dilatam o estômago. Os remédios mais usados são:

  • Bloqueadores de ácido ou bloqueadores H2: A cimetidina, ranitidina, nizatidina ou famotidina ajudam na reduzir a produção dos ácidos estomacais, promovendo o alívio temporário;
  • Medicamentos para matar o helicobacter pylori: Geralmente, os médicos prescrevem uma combinação de antibióticos com bloqueadores da bomba de prótons. O antibiótico destroi bactéria e os bloqueadores amenizam a dor, as náuseas, melhora a inflamação e podem aumentar a eficácia do antibiótico. A combinação é a seguinte: Um inibidor da bomba de prótons (Esomeprazol + Rabeprazol Pantoprazol ou Lanzoprazol) + dois antibióticos, como Claritromicina e Amoxacilina ou Claritromicina e Metronidazol. O tratamento dura entre sete a 14 dias. Após quatro semanas do final do tratamento, o paciente deve submeter-se a exames, a fim de confirmar a eliminação da bactéria.
Hábitos alimentares

Hábitos alimentares saudáveis são fatores importantes para quem tem gastrite. Mesmo com uma rotina agitada, é preciso escolher muito bem o que fará parte do cardápio. O Dr. Drauzio Varella revela cinco passos elementares para cuidar bem do estômago:

Respeitar os horários das refeições: Os horários das refeições devem ser respeitados. Arrume tempo para o café da manhã, almoço e jantar;

Mastigar os alimentos: A digestão começa pela boca, por isso, mastigue muito bem os alimentos. Pessoas com gastrite, geralmente mastigam tão rápido, que precisam tomar água para conseguirem engolir a comida;

Manipulação de alimentos: Lave muito bem os alimentos, para não correr o risco de consumir produtos contaminados;

Alimentação saudável: Frutas, legumes, verduras e carnes magras;

Temperos: Cuidado com temperos industrializados, alimentos com corantes artificiais e sal em excesso. Jamais reaproveite o óleo de cozinha, a croleina presente no óleo usado provocam lesões malignas no estômago;

Menos gordura: A gordura dificulta a digestão. Quando a digestão não é feita como deveria, não aproveitamos os alimentos, e ainda produzimos substâncias cancerígenas ou ateromas que irão depositar-se nas artérias. Isso não significa que ninguém possa comer uma picanha, por exemplo. A palavra de ordem é moderação;

Pegue leve à noite: A refeição da noite deve ser a mais leve do dia, porque, os sintomas da gastrite intensificam-se durante a noite.

Já que falamos sobre a importância de modificar os hábitos alimentares para controlar a gastrite, confiram quais os alimentos mais recomendados:

Peixe e frango com pouca gordura

Pescada e merluza são peixes com pouca gordura e podem ser consumidos grelhados ou assados. O frango deve ser grelhado, cozido ou refogado. Patinho, coxão mole e lagarto podem ser consumidos, pois, são carnes vermelhas com pouca gordura.

Legumes ou verduras refogadas

Legumes e verduras são sempre bem-vindos, desde que refogados, pois, as folhas muito duras podem irritar as paredes do estômago. A nutricionista Andréia Ceschin de Avelar recomenda evitar o consumo de repolho, escarola, couve crua, alface e agrião in natura no início do tratamento contra gastrite.

Caldo de feijão

O grão do feijão causa fermentação, mas, o caldo pode ser consumido por quem tem gastrite. É facilmente digerido, e ainda é possível aproveitar nutrientes que o feijão oferece. Sopas de legumes e canjas também estão liberadas. 

Frutas

shutterstock_240148378Consuma laranja lima, mamão, maçã, pêra, banana e goiaba in natura ou em forma de suco. São recomendadas quatro ou cinco porções diárias, divididas no lanche da manhã, sobremesa do almoço, lanche intermediário entre almoço e jantar e na sobremesa do jantar.

Biomassa de banana verde

A banana cozida possui um amido chamado prebiótico, responsável por manter os lactobacilos vivos.  Como a gastrite povoa o estômago com bactérias más, a biomassa auxilia na recuperação dos tecidos. Para preparar a biomassa, lave as bananas verdes, não tire a casca e coloque em uma panela de pressão. Cubra com água e cozinhe por 20 minutos, oito deles serão no fogo e os restantes apenas na pressão. Não force a pressão. Tire a casca da polpa aos poucos e passe no processador. O resultado é uma massa espessa que, caso não for consumida imediatamente pode ser congelada em sacos plásticos ou mesmo cubinhos por até quatro meses, mas exigirá um reprocessamento. A biomassa de banana verde também é ótima para a digestão.

Suco verde

Devido à alta concentração de clorofila, substância que contém zinco e oxidantes, vitamina C e magnésio, o suco de salsinha e couve é recomendado. Bata os ingredientes verdes com um suco de fruta, linhaça germinada e água. Para germinar a linhaça, coloque uma colher de sopa em um copo com água. Espere 4 horas para usá-la no suco.

Suco de aloe vera

O suco de aloe vera ou babosa é recomendado, pois, sua ação cicatrizante ajuda a aliviar a irritação estomacal. Para fazê-lo, corte algumas folhas carnudas com uma faca afiada. Corte na base, mas, cuidado para não estragar as folhas que ficarão na planta. Corte as laterais espinhosas e lave cuidadosamente as folhas. Retire a casca e a crosta amarela, que além de amarga, causa diarreia e dor de estômago. Separe a substância gelatinosa do interior da casca e coloque-a em um liquidificador, batedeira ou processador. Ingerir diariamente em jejum ou antes de dormir.

Chás

Chás de hortelã e alecrim são aliados da boa digestão. São calmantes digestivos, já que diminuem a acidez do estômago. Aliviam azias, gases e cólicas. Consuma 30 minutos antes das refeições.

O chá de aroeira é outro conhecido tratamento popular. Acredita-se que ele reduz a acidez estomacal e ajudar no combate à helicobacter pylori. Ferva três ou quatro pedaços de casca de aroeira com um litro de água por 10 minutos. Deixe amornar, coe e beba várias vezes por dia. A aroeira tem propriedades analgésica, anti-inflamatória, depurativa, adstringente, cicatrizante, antiácida, antineuritica, antifúngica e antibactericida. Deve ser tomado diariamente. Caso tenha pele sensível, é bom frisar que o chá de aroeira tem efeitos colaterais, como reações alérgicas na pele e mucosas.

Tomando os remédios corretamente e adotando novos hábitos alimentares, o tratamento para a gastrite é bem sucedido. Em alguns casos, a recuperação pode levar mais tempo. A recomendação é não ignorar sintomas como queimação, dor de estômago, fraqueza e insônia. O corpo sempre emite sinais, portanto, caso note qualquer coisa fora do normal, procure ajuda médica imediatamente. Quando não tratada, a gastrite pode evoluir para uma úlcera e para o câncer.


  • Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras

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