Autoconhecimento

O que a psicologia diz sobre infidelidade?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O amor é lindo. Chega quando você menos espera. Quando você acorda atrasado e derrama café na roupa. Quando você corre para pegar o ônibus e o motorista fecha a porta na sua cara. O cupido adora agir em dias que prometem ser uma catástrofe. O amor da sua vida pode estar em um vagão de trem super lotado às 6 da tarde. O amor é maravilhoso.

Espremidos no transporte público os pombinhos conversam. Desembarcam no mesmo ponto/estação (é claro, afinal o destino não dá ponto sem nó!) e trocam Whatsapp. Acompanhar as atualizações nas redes sociais é a principal atividade do dia para ambos. Conversam muito e decidem se encontrar em um local mais civilizado que um ônibus ou vagão.

Pouco tempo depois, o casal começa namorar. Trocam juras de amor e fidelidade eternas. Baladas e programas com amigos ficam cada vez mais raros. Começam a fazer tudo juntos. Maratonas de séries, curso de culinária, viagens. É um grude só. O simples fato de estarem juntos é a razão para tanta felicidade.

Mas… O tempo passa, o tempo voa e as coisas não continuam mais numa boa. As conversas, os programas, a companhia, tudo muito insosso.  Até uma lata de ervilha brilha mais que o olhar desses dois. O conto de fadas moderno ficou mais desbotado que camisa lavada sem alvejante. O que aconteceu? Será que a insatisfação pessoal pode colocar tudo a perder?

Insatisfação pessoal: primeiro passo para a traição

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Às vezes, a insatisfação não é com o outro. Quando um vive um momento de fracasso profissional ou descontentamento com a aparência, ele não consegue enxergar mais nada além da sua insatisfação pessoal. A mente e o coração abarrotados de sentimentos ruins cegam e aprisionam o indivíduo. Este mergulha profundamente em suas insatisfações e esquece que tem alguém ao seu lado para ajudá-lo a suportar as dificuldades.

Entretanto, a insatisfação pessoal não é o único elemento capaz de estremecer uma relação. Após algum tempo, as partes sentem que o jogo está ganho. Descuidos com a aparência. A delicadeza vira estupidez.  Quem era atencioso, hoje vive para o trabalho, ou para si. O sexo hoje é para cumprir protocolo.

A chegada de um filho também é pano de fundo. Muitos homens não entendem que o bebê depende exclusivamente da mãe. Não ajudam nos cuidados com a criança. Não cooperam nas tarefas domésticas. Ignoram as mudanças hormonais e psicológicas da mulher. Fazem cobranças o tempo todo e disputam atenção com o recém nascido.

A rotina pode colocar uma história de amor na UTI. O remédio? Enfrentar a situação. Expor as insatisfações e buscar soluções. Se não houver entendimento, colocar um ponto final. Porém, há quem prefira conjugar o verbo amar em terceira pessoa.

Mitos sobre a traição

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Assunto cercado por mitos é a traição. Para amenizarem a dor, muitos acreditam nessas “verdades”. Vejam quais são as principais lendas sobre a infidelidade:

– Quem ama não trai

Quem consegue separar amor de sexo não vê problemas em trair.

– Mulheres só traem por vingança

Nem sempre. Algumas querem mais emoção em suas vidas.

– Homens traem mais

Sim, eles têm mais facilidade para separar as coisas. A ciência explica a infidelidade masculina e nós explicaremos isso.

– Amante é sempre melhor na cama? 

Para quem nunca está satisfeito, o amante perde a graça logo.

– Traiu uma vez, traiu sempre?

Cada caso é um caso.

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Olhar psicológico sobre a infidelidade

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Transgressão da fé matrimonial. A melhor definição da palavra infidelidade. Mas, podemos ir além neste exercício linguístico. Transgressão tem por sinônimos pecado e pecar. No ponto de vista religioso, a infidelidade é um grande pecado. O que Deus uniu, o homem não separa.

Segundo a psicologia, ao entramos em um relacionamento, depositamos expectativas muitas vezes irreais. A música e as comédias românticas são os primeiros passos para construirmos nosso protótipo de homem/mulher ideal. O toque final desta construção são as experiências frustradas. Pegamos as falhas do ex e convertemos em virtudes. Colocamos tudo isso no liquidificador e temos um ser perfeito. Nesta fantasia, o ser amado viverá exclusivamente para o romance.

Relacionamento amoroso é um contrato. Duas pessoas estabelecem regras de convivência. A infidelidade nasce quando o outro quebra esta projeção. Porém, a traição não é apenas física. Ela desmembra-se em vários subtipos. A intensidade do sofrimento é a mesma em todas as modalidades.

  • Infidelidade emocional

Os sites de relacionamento são cada vez mais comuns. Tem muita gente comprometida inscrita. Mesmo que fique apenas no virtual, o flerte é visto por alguns como traição, pois, houve interesse, ainda que platônico em experimentar emoções.

  • Infidelidade sexual

Outros consideram traição quando o (a) parceiro (a) tem contato íntimo com outra pessoa. A infidelidade sexual, geralmente torna-se mais grave quando a terceira pessoa é da família ou círculo de amizades.

  • Infidelidade mista

Aqui, o flerte sai do virtual e há contato sexual. Algumas vezes, o (a) parceiro (a) se apaixona. Deste encontro surge uma nova relação. Nova no sentido de começar, e também na sensação de plenitude.

Infidelidade e ciência

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Segundo pesquisa realizada na Universidade de Queensland (Austrália), em 2014, a infidelidade pode ser hereditária. Coordenada por Brendan Zietsch, os pesquisadores entrevistaram 7 mil pares de gêmeos finlandeses idênticos e não idênticos, entre 18 e 49 anos em relacionamentos estáveis. O estudo divulgado na revista científica Evolution & Human Behaviour aponta que 10% dos homens e 6,4 % das mulheres traíram seus pares um ano antes da pesquisa. Os cientistas revelam que 63% da infidelidade masculina e 40% da infidelidade feminina podem ter origem genética. Alterações no gene AVPRIA foram apontadas como causas da infidelidade feminina. O AVPRIA está relacionado à produção da arginina vasopressina, hormônio responsável ao comportamento social.

Homens traem mais, diz a ciência

Já ouviu falar que os homens traem mais? Pois é, esta máxima comportamental tem amparo científico. Natasha Tidwell, doutoranda em psicologia pela Universidade do Texas A&M concluiu que a infidelidade masculina não é fruto da falta de autocontrole, e sim porque os impulsos sexuais são mais intensos. As descobertas foram publicadas em 2013 no periódico Personality and Social Psychology Bulletin.

Natasha e Paul Eastwick, coautor da pesquisa e professor assistente na Universidade do Texas em Austin entrevistaram mais de 800 universitários. Eles descreveram como é desejar alguém solteiro ou comprometido. A seguir, responderam mais perguntas para avaliar os impulsos sexuais. Os homens demonstraram ter impulsos mais fortes, contudo, os pesquisadores não viram diferenças em relação ao autocontrole. Homens têm autocontrole na mesma medida que as mulheres.

Traição feminina, o que diz a ciência

As mulheres conquistaram seu espaço. Estudam mais que os homens e ocupam cargos de liderança. A emancipação emocional é outra característica dessa nova geração de mulheres. Mesmo em relacionamentos satisfatórios, elas querem experimentar novos prazeres. A ciência também explica a infidelidade feminina. Estudos de neurociência e psiquiatria divulgados no Congresso Internacional do Cérebro, Comportamento e Emoções que aconteceu em Porto Alegre (RS) neste ano trazem conclusões interessantes. A modernidade provoca alterações no cérebro feminino. Tais mudanças fazem muitas mulheres insaciáveis.  

Já é sabido que a infidelidade tem relação com o sistema de recompensa do cérebro. Esta área produz dopamina, substância responsável pelo prazer. Ela é ativada durante o ato sexual e ao comer alimentos gostosos. Ou seja, quando fazemos algo que gostamos, queremos repetir. O sistema de recompensa funciona da mesma forma em homens e mulheres. Segundo Diogo Lara, professor de psiquiatria da PUC-RS, especialista em neurobiologia, as mulheres respondem mais intensamente aos estímulos. Isso explica porque elas estão cada vez mais entregues ao prazer.

Infidelidade feminina: sob o viés da psicologia

Poderíamos falar horas sobre infidelidade feminina. As mulheres que sempre foram vítimas, cada vez mais traem não por vingança, mas, para satisfazer seus desejos. A antropóloga Olívia von der Weid pesquisou o assunto. Ela entrevistou 166 mulheres e todas afirmaram que já traíram ou tinham vontade. Olívia constatou ainda que as mulheres com até 20 anos são 60% mais infiéis  do que as mais velhas. Já vimos as explicações científicas sobre a traição feminina. Mas, o que a psicologia tem a dizer? Por que elas cada vez mais traem por desejo?

Cansar de ser trouxa

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Mulheres extremamente românticas e dedicadas aos relacionamentos, que chegam a abrir mão dos seus interesses em nome do amor costumam ser traídas, exatamente por serem boazinhas demais. A submissão faz esses parceiros buscarem estímulos na rua. Elas perdoam a traição, porém, a sensação que o esforço não valeu à pena as persegue. Elas passam a acreditar que ser certinha não está com nada. Com a autoestima abalada, elas precisam provar que são atraentes e traem.

→ Pergunta que não quer calar: Pagar na mesma moeda é a solução? A vingança pode até trazer algum prazer, mas é perda de tempo. Não há problemas em dar uma segunda chance. Entretanto, isso deve ser algo sincero. É preciso acreditar que o relacionamento tem salvação. Manter a relação só para dar o troco é um atraso de vida.

Chove não molha

Entramos nos relacionamentos cheios de expectativas. Talvez as mulheres exagerem na dose. Fazem milhões de planos, mas, às vezes os parceiros não demonstram empolgação. Essas mulheres não estão dentro dos planos. Elas não conseguem nem mesmo ir ao cinema, ou fazer qualquer outro programa a dois. Essas mulheres sentem-se desvalorizadas e procuram alguém que enxergue algo bom nelas.

→ Pergunta que não quer calar: Procurar alguém que veja algo bom em você? Se você não vê suas qualidades, ninguém o fará.

Relacionamento tumultuado

Brigas causadas pela interferência familiar, ciúmes, insensibilidade minam o relacionamento. Mulheres nesta situação buscam homens carinhosos que as valorizem.

→ Pergunta que não quer calar: Por que deixou o relacionamento chegar neste ponto? Mesmo que não exista vontade de trair, relacionamentos marcados por brigas podem tornar-se fisicamente violentos.

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Curtir a vida

Mulheres que começam a namorar muito jovens, geralmente têm medo de não curtir a vida. Elas querem sentir novamente o friozinho na barriga, adrenalina que relacionamentos longos costumam perder. Ao entrar na faculdade, as festas e os barzinhos viram rotina. As pessoas parecem ser mais interessantes e essas mulheres querem aproveitar a liberdade da juventude, sem dissolver seus relacionamentos.

→ Pergunta que não quer calar: Curtir a vida? Você gostaria que seu namorado ficasse com outras mulheres no pretexto de curtir a vida? Pense nisso!

Discutimos aqui as visões da psicologia e da ciência sobre a traição. Alterações genéticas e emancipação feminina foram citadas. Entretanto, algo não foi dito. Será que a traição é uma questão de falta de caráter? Quem trai o faz pelo prazer de provocar sofrimento? Sim e não. Algumas pessoas não sabem lidar com as crises no relacionamento. Não conseguem expor suas insatisfações e fogem da realidade. Outras são infiéis de caso pensado. Buscam o prazer em outras pessoas e continuará fazendo.

Quem é o culpado? Quem traiu, por ser uma pessoa insensível e sem caráter? Ou quem foi traída, pois, não soube cuidar do que “é seu”? A discussão é longa. Mas, analisando friamente a situação, podemos dizer que ninguém é responsável pelas suas expectativas. Cada um fantasia o que bem entender. A traição é um misto de incapacidade em racionalizar os instintos e a inocência de acreditar que existem pessoas perfeitas.

Será que existe uma fórmula para evitar uma traição? Não! Mas, tem uma dica para manter a harmonia no relacionamento:

Diálogo

Expor suas dúvidas, medos e insatisfações é o primeiro passo para uma relação saudável. Quando sentir que o parceiro está diferente, que o sexo não é mais a mesma coisa coloque as cartas na mesa. Conversando, a gente sempre se entende.

Quando descobrir que foi traído, não perca tempo arquitetando vinganças. Por mais tentador que seja devolver o sofrimento, isso não fará bem a sua mente, nem a sua alma. A dor da infidelidade é profunda, mas, não pode dilacerar sua vida. Converse. Puxe o histórico do relacionamento. Caso sinta que deve dar mais uma chance, faça-o. Do contrário, coloque um ponto final e siga em frente.

A dica para o próximo relacionamento: espere o melhor, mas, não crie expectativas irreais. Nem mesmo as novelas e filmes apostam mais em mocinhos e mocinhas sem defeitos.

Escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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