Mindful Eating Nutrição

Sabia que temos vários tipos de fome?

tipos de comida
Luiza Camargo
Escrito por Luiza Camargo
Sim! Recebemos diversos estímulos para comer, desde os sentidos até os pensamentos e as emoções. Neste artigo, vamos conhecer cada um deles. Perceba como é para você, o que nota em seu corpo, quais sensações, pensamentos ou emoções aparecem.

A fome dos olhos está relacionada à beleza da comida. Você pode experimentar, observar o que irá comer, notar as cores, formas, texturas, apresentação do prato. Pare por alguns momentos e observe.

A fome do nariz está ligada aos aromas, sinta os cheiros da comida. Se você irá em um restaurante em que vai fazer seu prato, note como os cheiros te influenciam para escolher o que comer. Durante a mastigação, note os aromas também, é uma combinação da fome do nariz e da boca.

Já notou os sons dos alimentos? Essa é a fome dos ouvidos, adora perceber os sons presentes. Se vai comer um biscoito, espera-se ouvir o som do crocante, já se ele estiver murcho, perde até o sabor. Ou quando uma bebida gasosa não faz o som ao abrir a garrafa, você no mínimo desconfia antes de provar.

E o tato? Essa fome é usada muito quando comemos com as mãos, como frutas, sanduíches, petiscos. Percebemos a textura dos alimentos, como pegar, se está com uma consistência boa. Em algumas culturas essa fome é mais relevante, pois se come quase tudo com as mãos.

E agora a fome da boca! Hummm… adora as sensações e os sabores! Essa fome gosta de perceber as diferentes texturas dos alimentos, as combinações e os aromas. Para que isso aconteça a mente deve estar presente, por isso, é vital deixar as distrações de lado e saborear a comida.

A fome do estômago está ligada à quantidade de alimentos que ingerimos. Por isso, comece a notar como está seu estômago antes, durante e após as refeições. Esse exercício auxilia a reconhecer melhor seu corpo e, aos poucos, ir notando a quantidade em que fica confortável, sem comer demais ou de menos.

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A fome das células é corporal. Ao comer nutrimos nossas células e elas podem nos influenciar nas escolhas também. Sabe quando vem uma vontade de comer um alimento específico, como feijão, uma carne, um tipo de legumes? Pode ser uma necessidade do seu organismo ou a influência da estação do ano. Enquanto no verão buscamos alimentos mais refrescantes, no inverno queremos os que nos aquecem mais.

A fome da mente notamos pelos pensamentos. Essa fome gosta de dividir, como gosto ou não gosto, devo ou não devo, mereço ou não mereço, quero ou não quero. Está muito ligada às dietas da moda, às crenças, preocupações e os padrões que adquirimos. É importante notar essa fome e não deixá-la dominar, percebendo que é um pensamento, pois alguns podem causar sofrimento. Existe uma sabedoria interna que as demais fomes contribuem muito para escolher e comer com atenção plena.

E a fome do coração? Essa está ligada às memórias e emoções, como quando comemos e recordamos da infância, por exemplo. Você pode notar quantas influências tem da família ou da sua cultura e como percebe em seu corpo quando come uma comida que nutre o afeto, o coração. É uma fome que busca a conexão, está ligada a uma intimidade e nutrimos o coração quando alimentamos essa fome.

As emoções também influenciam no comer, pois quando estão presentes, buscamos por algo. Reconhecer uma emoção e notar o que precisa realmente pode ajudar a fazer escolhas melhores e não comer no piloto automático. Por exemplo, se está ansioso com uma apresentação no escritório para seu chefe, comer o pacote de chocolate não vai mudar a situação. O que poderia fazer para aliviar essa ansiedade, a tensão da situação? O que faz sentido para você?

Algumas ideias: treinar com um colega do trabalho; se for possível, dar uma volta no quarteirão; parar as atividades e levar a atenção a sua respiração; tomar um copo de água devagar e notando as sensações; fazer um alongamento simples no escritório. Esses são apenas exemplos, você deverá notar o que faz sentido e a situação em que está.

Comer pode ser uma opção, se decidir por ela, aproveite para desfrutar de cada pedaço, notando os sabores, as texturas, aromas, formas… Coma ciente das sensações e no momento presente, sem cair no piloto automático.

Quando nos alimentamos temos que levar em consideração todas essas fomes e entender como cada uma atua e nos influencia. Elas estão todas juntas, por isso, é interessante praticar para lhe ajudar a conhecer e se familiarizar. Cada pessoa tem formas de reações diferentes e pode variar dependendo do contexto em que estamos inseridos.

A prática do Mindful Eating é um convite para aprender a perceber e respeitar as fomes. Inserir pequenas práticas no seu dia a dia irá dar força e sustentação para significativas mudanças.

Realizei um Encontro pelo Centro Brasileiro de Mindful Eating em que exploro cada uma das fomes. Existe uma prática para realizar juntos também, se desejar experimentar, separe um alimento de sua preferência e desfrute do momento presente.


Referência: BAYS, J. C. Mindful Eating. Shambhala, 2009.

Sobre o autor

Luiza Camargo

Luiza Camargo

Sou nutricionista e instrutora de mindfulness e mindful eating. Acredito na união da Nutrição, Mindful Eating, Mindfulness e Meditação. O alimento é um veículo para nutrir o corpo e a mente e, também, um reflexo de como lidamos com nossas vidas. Na minha trajetória sou pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento e com especialização em Nutrição Desportiva. Realizei o treinamento em Mindful Eating-Conscious Living pela UCSD e Estratégias de Mindfulness pela MTI.

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