Parte I
Fiquei atordoada só de pensar nessa vilania que me tornei para aqui estar e tentar cumprir meu papel sem deixar rastros para o futuro.
O futuro de meus filhos, que vivem hoje a base que estruturará a jornada mais adiante.
Cá estou, pensando no tanto de palavras belas que se lê no Dia das Mães. Minha realidade no momento exige muito mais de meu emocional; são mais provações e desafios do que naquela fase inicial, em que se vive num mergulho de amor e fascinação, igual ao que vivenciei no início da maternidade.
Onde o olhar dos filhos se conecta ao da mãe e se sente na pele, no ar, a sintonia, a conexão, a energia de amor fluindo de um para o outro. Ainda temos essa telepatia no ar; não é à toa que dizem que mãe sabe das coisas, sabe muito mais que a criança, até ela amadurecer consideravelmente.
Depois que fui mãe, comecei a deitar na cama para dormir com um sorriso de orelha a orelha. Senti uma gratidão tão grande que dava gargalhadas por estar sentindo tanto amor e felicidade, que mal cabiam em mim. Essa imensa alegria e esse sorriso seguem comigo, pois tive a oportunidade de ser mãe, e sei que aqui comigo estão essas belas almas que Deus me concedeu como filhos.
Eles estão crescendo e posso ver melhor quem são e quais são as nossas missões juntos. E sinto em dizer que minha mãe também passou por algumas das mesmas provas que estou passando com eles, e eu, como filha, só percebi, após ter minha própria experiência, o quanto exige ser mãe. Ela mesma me dizia: “Tu vai ver só quando tiver os teus”, e dito e feito, minha filha também demora para comer e quer só massa, assim como eu fiz com ela na infância. Hahahah.
A gente se preocupa demais com a saúde deles, se esforça, exige sempre o melhor por eles, mas, no meio disso tudo, me falta muito também. Percebo os próprios erros e não quero repeti-los no “modo robô” inconscientemente. Toda vez que as coisas saem do prumo, em muitas delas deixo passar; noutras, ajo por impulso. Vejo que não surtiu efeito, mas sei que tenho que tentar outra vez, de outra forma, mas perspicaz, ou talvez com mais paciência.
Isso hoje define muito bem o que sinto quando o assunto é ser mãe. Algumas vezes já disse que ser mãe é a coisa mais difícil da minha vida, talvez porque eu procure as maneiras de educar, alimentar e até corrigir a eles e a mim mesma, sempre tentando acertar, e vendo apenas o esforço e o tempo gasto tentando apartar as brigas, amenizando a falta de disciplina.
Preciso agir diante de certas situações. Sabe toda aquela rede que existe nos dias de hoje, em que a neurociência, a psicologia e a nutrição nos mostram os caminhos para conseguir equilibrar de tal maneira que não se seja uma mãe durona demais, mas que saiba dosar com muito amor toda essa rotina que precisa ser muito bem regrada.
Na correria dos dias, parece sobrar pouco tempo para conviver e vivenciar a infância junto a meus filhos. Dito isso, percebo que preciso encaixar mais demonstrações de amor nas tarefas do dia a dia, assim como a contação de história antes de dormir, o momento de oração e de cantar. São pequenos gestos que reforçam o laço de amor a cada dia.
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Sempre que posso, busco ouvir o que eles têm para dizer da forma mais ampliada possível, o significado de certas reações inesperadas, daqueles acontecimentos dos quais não sabemos nem de que forma reagir, como cada palavra dita pode ser interpretada, sempre com aquele ouvido que capta as nuances do universo particular que os habita.
É por isso que fiquei atordoada, sem saber como expressar tudo que é estar nesse lugar que, para mim, é desafiador na mesma dose em que é apaixonante.
