Autoconhecimento Terapia de Regressão

Terapia de Regressão: A Experiência de Quase Morte

Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel

Como já refletimos anteriormente, ainda há controvérsias quanto a definição de morte, pois não se consegue estabelecer com precisão o momento exato em que ela ocorre. Muitos pesquisadores começam a questionar sobre a continuidade ou não da consciência, mesmo quando o corpo não exibe mais sinais vitais.

The dead woman's body. Focus on hand ** Note: Shallow depth of field

A chamada “experiência de quase morte” (EQM – ou near-death experience, NDE em inglês) traz informações que, se não afastam completamente o temor da morte, pelo menos nos fazem refletir sobre outras possibilidades, além da aniquilação total da consciência. E, também confirmam muitos relatos que se ouvem dos clientes em uma terapia de regressão, quando conseguem acessar o período entre vidas.

O fenômeno da experiência de quase morte não é um assunto novo ou desconhecido da humanidade. O mito de Er, narrado pelo filósofo Platão em A República, fornece uma visão da morte e do “além”.

Er era um guerreiro que tombou em uma batalha. Dado como morto, foi colocado em uma pira fúnebre (como de costume, queimavam-se os corpos dos guerreiros mortos em batalha e transportavam as cinzas para as suas respectivas cidades). Porém, Er acorda e conta aos amigos o que presenciou em sua viagem ao mundo das sombras.

Eis algumas das experiências narradas por ele:

  • Ida a um lugar estranho e diferente de todos já vistos;
  • Encontro com outras “almas”;
  • Troca de informações entre as almas recém-chegadas e as mais antigas sobre o mundo e os entes queridos que deixaram para trás;
  • Encontro com seres superiores (juízes, que decidiam onde iria cada alma);
  • Julgamento das almas e destinação das mesmas de acordo com seu merecimento (caminhos ascendentes para os virtuosos; caminhos para o subterrâneo, para os maus);
  • Possibilidade das almas “más” poderem ascender após suportarem o seu castigo no mundo subterrâneo – cada ato ruim praticado em vida correspondia a castigos severos por tempos determinados, mas não havia um lugar de tortura eterna;
  • Certas almas eram destinadas a retornarem à Terra, podendo escolher seu destino – e muitas o faziam sem refletir, aparentemente guiadas por lembranças de vidas anteriores;
  • Após a escolha do novo destino, todas as almas bebiam das águas do rio do esquecimento (rio Lete) antes de se dispersarem, como estrelas cadentes, em direção aos diferentes locais onde deveriam renascer.

Vemos nos relatos atuais que o indivíduo, ao experimentar um estágio iminente de morte, se refere a uma vivência profunda, na qual acredita deixar seu corpo e ingressar em outra esfera ou dimensão além dos limites pessoais.

Para o pesquisador Raymond Moody, a EQM é comum a pacientes terminais (ou situações clínicas como intoxicações, acidentes, etc.) onde a consciência é projetada por causa de traumas orgânicos, físicos, químicos ou psicológicos. Tais relatos se tornam cada vez mais comuns, uma vez que a ciência médica tem avançado muito nas técnicas de ressuscitação.

As pessoas relatam ter visto, ouvido ou sentido tudo o que se passava a sua volta. Muitos relatam a visão de paisagens ou locais muito diferentes dos vistos aqui na Terra. Contam sobre outra realidade, outro plano de existência, para onde são levadas – e coincidem as narrativas de viagens em longos túneis, que se abrem para locais iluminados ao final. Ainda descrevem:

  • Sensações de paz e plenitude (na maioria das vezes; poucos se referem a locais escuros e tenebrosos)
  • Limite ou fronteira entre a vida terrena e a vida além desta;
  • Recapitulação ou revisão da própria vida, da dor e do sofrimento, muitas vezes implicando numa mudança radical do estilo anterior de vida;
  • Encontros com pessoas já falecidas;
  • Encontros com seres de luz e amor;
  • Dissolução da noção de tempo e espaço;
  • Retorno à vida, tendo que dar continuidade a coisas não terminadas.

O assunto é controverso. Algumas teorias explicam o fenômeno como reações neurológicas ou psicológicas diante da morte. Outras teorias evidenciam o caráter espiritual e transcendental. Porém, as EQM nos fazem refletir sobre a morte como um prelúdio da vida, e vice-versa. Ambas fazem parte de um ciclo eterno, são ritos de passagem pelo qual a alma transita em busca de aperfeiçoamento. A sabedoria está em reconhecer nossas responsabilidades e aprender com os erros, extraindo deles o material para guiar nossas ações.


Referências:

“Uma Viagem Através dos Mitos” – Liz Greene e Juliet Sharman-Burke – Jorge Zahar Editor – Rio de Janeiro

Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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