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Transtornos Alimentares: quando comer se torna uma doença

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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Comer pouco, ou quase nada, e ainda se achar acima do peso. Ou então comer muito, muito mesmo, sem se preocupar com o corpo (e com a saúde). Essas seriam as prováveis respostas de uma pessoa leiga sobre os principais transtornos alimentares existentes. Mas, você sabe, realmente, o que é, quais os sintomas e como tratar doenças como Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar?

O que são?

Antes de especificar alguns tipos, é importante entender o que são transtornos alimentares, de forma geral. De acordo com o Genta (Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares):

“são síndromes psiquiátricas caracterizadas por alterações dramáticas do comportamento alimentar que apresentam a maior taxa de mortalidade dentre todos os transtornos psiquiátricos (aproximadamente 15%). São caracterizados pela prática de dietas restritivas e aleatórias e uso de métodos inadequados para perda e manutenção de peso. Há também uma série de cognições disfuncionais sobre conceitos nutricionais e relação complicada com o alimento”.

Ainda deve-se ressaltar que os transtornos são produtos de uma complexa inter-relação entre aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais.

Causas

Não existe uma única causa responsável pelos transtornos alimentares. Por isso, levam-se em conta diversos componentes:

  • Fatores genéticos: pesquisas indicam maior prevalência de transtornos alimentares em algumas famílias, sugerindo uma agregação familiar com possibilidade de um fator genético associado;

  • Fatores biológicos: alterações nos neurotransmissores moduladores da fome e da saciedade como a noradrenalina, serotonina, colecistoquinina e diferentes neuropeptídeos têm sido postuladas como predisponentes para os transtornos alimentares;

  • Fatores socioculturais: a obsessão em ter um corpo magro e perfeito é reforçada no dia a dia da sociedade ocidental. A valorização de atrizes e modelos, geralmente abaixo do peso, em oposição ao escárnio sofrido pelos obesos, é um exemplo disso;

  • Fatores familiares: dificuldades de comunicação entre os membros da família, interações tempestuosas e conflitantes podem ser consideradas mantenedoras dos transtornos alimentares;

  • Fatores psicológicos: algumas alterações características como baixa autoestima, rigidez no comportamento, distorções cognitivas, necessidade de manter controle completo sobre sua vida, falta de confiança podem anteceder o desenvolvimento do quadro clínico.

Tipos mais comuns

Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa, juntamente com a Compulsão Alimentar, são os três tipos mais comuns de transtornos alimentares. Enquanto os dois primeiros têm como características comuns a intensa preocupação com o peso, o medo excessivo de engordar, e uma percepção distorcida da forma corporal, o terceiro é o contrário, caracterizado por episódios frequentes nos quais muitos alimentos são ingeridos sem comportamentos compensatórios para prevenir o ganho de peso.

Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa, juntamente com a Compulsão Alimentar, são os três tipos mais comuns de transtornos alimentares.

Segundo dados Amab (Atendimento Multidisciplinar de Anorexia, Bulimia e outros transtornos alimentares) estima-se que, ao longo da vida, entre 0,5 e 4% das mulheres terá Anorexia Nervosa, de 1 a 4,2% Bulimia Nervosa e 2,5% transtorno do Comer Compulsivo. Quadros mais leves, que não preenchem todos os critérios para as doenças, mas que marcam uma profunda insatisfação com o corpo – como busca incessante de dietas e cirurgias plásticas, eventuais usos de recursos extremos para emagrecer (vomitar, usar laxante, diuréticos, moderadores de apetite e exercício físico compulsivo) – podem abranger 15% das mulheres.

Como reconhecer cada transtorno?

Anorexia

  • Atinge mais as mulheres;
  • Algumas, além de restringir alimentação, vomitam (por autoindução ou com remédios);
  • Abusam de diuréticos e laxantes;
  • Apresentam perda de peso grave;
  • Possuem grande distorção da imagem corporal, tanto própria quanto alheia;
  • Têm em média 16 anos;
  • Negam a fome;
  • São introvertidas;
  • Acreditam que seu comportamento é normal e suas atitudes corretas;
  • Podem apresentar problemas afetivos.

Cumpre salientar que Anorexia Nervosa é uma doença grave, com risco de mortalidade em torno de 5 a 15% dos casos (associado a complicações médicas e suicídio).

Bulimia

  • Atinge mais as mulheres;
  • Vomitam (por autoindução ou com uso de remédios) recorrentemente após episódios compulsivos;
  • Algumas abusam de diuréticos e laxantes;
  • Apresentam peso normal ou acima do normal;
  • Distorção da imagem corporal é menos acentuada;
  • Têm em média 20 anos;
  • Tentam controlar a fome e acabam tendo episódios onde ela é muito grande e foge ao controle;
  • São mais extrovertidas;
  • Sentem-se culpadas por seu comportamento;
  • Podem apresentar problemas afetivos e abuso de álcool e drogas.

Em torno de 70% dos indivíduos se recuperam ao longo do tempo, e aqueles pacientes com menos problemas psiquiátricos têm melhor evolução.

Compulsão alimentar

  • Maioria de mulheres, mas há bem mais homens que nos outros transtornos;
  • Não apresentam vômitos;
  • Não usam diuréticos ou laxantes;
  • 75% apresentam obesidade;
  • Não há distorção da imagem corporal;
  • Têm em média mais de 30 anos;
  • Alimentam-se normalmente durante o dia, mas têm episódios onde comem em demasiado;
  • São introvertidos;
  • Culpam-se por seu comportamento;
  • Podem apresentar problemas afetivos e vício em jogos de azar e bingos.
Como tratar?

Devido a complexidade de causas para o aparecimentos dos transtornos alimentares, os  pacientes devem ser tratados através de uma abordagem multidisciplinar, que tenha como principal foco recuperar o estado geral de saúde. Os objetivos do tratamento são restabelecer o estado nutricional, reduzir ou eliminar as eventuais práticas e comportamentos compensatórios, tratar as consequências psicológicas associadas aos sintomas.

É possível prevenir?

Não é possível prevenir todos os fatores de risco envolvidos no desenvolvimento de um transtorno alimentar, mas é possível influenciar de forma positiva os fatores socioculturais.

Recomenda-se:
  • Rever suas próprias crenças e comportamentos relacionados a imagem corporal e peso, considerando como as crianças e adolescentes interpretam e recebem suas mensagens;

  • Incentivar práticas saudáveis de alimentação e atividade física;

  • Conversar sobre diferentes tipos e formas corporais;

  • Falar sobre os perigos de fazer dietas sem acompanhamento;

  • Valorizar as diferenças e qualidades individuais e não apenas da aparência externa.

E não se recomenda:
  • Categorizar os alimentos em bons ou ruins, certos ou errados;

  • Usar a comida como premiação ou punição;

  • Comentar sobre o peso das pessoas;

  • Permitir que se fale de forma pejorativa sobre as características físicas das pessoas, como, por exemplo, o peso ou o tamanho.

Dados Mundiais

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês) 70 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de transtorno alimentar. Em estudos de longo prazo o índice de mortes provocado por esses transtornos é alto: entre 18% e 20%. De acordo com o Centro Nacional de Informações sobre Transtornos Alimentares do Canadá (Nedic, na sigla em inglês), a incidência mundial de mortes relacionadas à anorexia em mulheres entre 15 e 24 anos é 12 vezes maior que qualquer outra causa nessa faixa etária.

Apesar da prevalência entre mulheres, dados mostram que a incidência entre os homens está aumentando vertiginosamente. Segundo pesquisa publicada no American Journal of Psychiatry, 10% a 15% da população mundial com bulimia ou anorexia é formada por homens, sendo que 20% deles são homossexuais.

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