Energia em Equilíbrio Saúde Mental Yoga

Antídoto contra a ansiedade

Mulher tendo um ataque de ansiedade com a mão no peito.
AntonioGuillem / Getty Images
Escrito por Pedro Kupfer

Há alguns anos vi uma pessoa usando uma camiseta com a seguinte frase: “Whatever the question, the answer is the same: do Yoga”, traduzindo literalmente para o português seria algo como: Seja lá qual for a questão, a resposta é a mesma: faça Yoga“.

Tenho a sensação algumas vezes de que esta pequena afirmação diz muito mais sobre as minhas ações do que me atrevo a admitir para meus amigos que não praticam Yoga, porque tenho medo de ser taxado de radical, ou obcecado pela prática. Quando falamos sobre ansiedade, o Yoga tem alguns truques que ajudam a manter esta incomoda presença sob controle.

Direto ao ponto

A ansiedade é mais do que ver a si mesmo como um ser incompleto. Em nossa jornada de vida temos alguns companheiros que são persistentes e com os quais precisamos conviver e negociar soluções, um deles pode ser a ansiedade. Algumas pessoas têm como companhia a raiva, a tristeza, o medo ou até o remorso. Eles nem sempre estão ali o tempo todo, mas intermitentemente, se manifestam contra a nossa própria vontade.

Até mesmo eu fico ansioso, porque acabo supondo que a prática de Yoga deveria me curar dos sintomas da ansiedade, mas ela não passa. Mesmo que seja aliviada, ela fica à espreita e me atinge de surpresa quando menos espero.

Já quando falamos de Yoga, posso acabar ficando ansioso quando tenho uma expectativa sobre algo, quando quero antecipar os resultados obtidos pela prática. As expectativas, sejam em relação ao Yoga, ou então relacionadas à saúde, ao bem-estar, ao combate do estresse e até a busca dos estados de iluminação, são focos de frustração que podem levar à ansiedade.

Homem ansioso e estressado, pensando demais.
pathdoc / Shutterstock.com

Agitação, bloqueio e equilibro: rajas, tamas e sattva

O que é ansiedade? É sofrer por antecipação e preocupar-se antes da hora com as coisas.

Levando em conta esta definição, é possível perceber que a ansiedade é o oposto da depressão, embora às vezes ambas as condições se manifestem em um mesmo momento.

A partir da visão védica, um pensamento que nos leva à ansiedade é dito como rajásicos, enquanto que pensamentos que nos levam à depressão são ditos como tamásicos. Em sânscritos a palavra rajas significa ação, e a palavra tamas significa imobilidade.

A ansiedade pode ser representada então, pela dificuldade de lidar com os excessos do dia a dia, enquanto a depressão é mais bem representada pela falta absoluta de inspiração e estímulos. Se o seu desejo é ficar distante destes dois extremos, é importante buscar um equilíbrio, ou seja, um caminho meio, que é chamado de sattva

Sattva significa harmonia, equilíbrio e paz, e assim, considerar este caminho: o equilíbrio entre deixar-se arrastar pelos estímulos e torna-se indiferente a eles.

Para falarmos então de ansiedade, consideraremos algumas situações pontuais com as quais ela pode estar vinculada:

  • O desejo de que o tempo pare, ou então, que passe mais rápido.
  • A vontade de que as pessoas ao seu redor passem a se comportar de uma maneira diferente.
  • Querer que as coisas ocorram de uma maneira diferente.
  • Sentir-se impotente frente às situações que você não tem o controle.

Passos para dizer adeus à ansiedade

Você quer dizer adeus à ansiedade? O primeiro passo, e talvez o principal, é admitir que você seja uma pessoa ansiosa. Não adianta negar este sentimento, dando-lhe as costas. Ignorá-lo não funciona, assim como varrer a sujeira para debaixo do tapete também não adianta.

Depois de admitir aquilo que sente você deve entender que a ansiedade não é um problema! Por fim, comece a olhar para si mesmo como uma pessoa que não deposita sua tranquilidade e felicidade nos resultados de suas ações, e que, não adianta antecipar suas preocupações, bem como não levará nada das lamúrias sobre os resultados que não chegaram perto do esperado.

O deus Krishna diz para o príncipe Arjuna que os problemas que o sofrimento tanto lhe causam são insignificantes. Porém, a situação do príncipe é grave de onde quer que a observemos: ele se vê na posição de entrar em guerra com sua própria família. Em relação ao desespero de Arjuna, Krishna diz: “Estás te lamentando por quem não deves lamentar-te, embora tuas palavras sejam sábias. O homem realmente sábio não tem lágrimas, nem para os vivos, nem para os mortos”. Também o mestre Hermógenes diz o mesmo com outras palavras: “Não se preocupe com ninharias. Tudo é ninharia!”.

Levando em conta os pensamentos descritos, devemos lembrar que existem coisas que estarão fora do nosso alcance e que não poderemos fazer nada em relação a isso, não poderemos mudar, transformar ou melhorar, mesmo que nos esforcemos demais. Como diz aquele ditado popular: “aquilo que não tem remédio, remediado está”.

Ainda neste sentido, algumas ações que realizamos a fim de transformar algo nem sempre produzem os resultados esperados. Como diz também outro ditado popular: “não adianta chorar sobre o leite derramado”. E não adianta mesmo. Se o resultado de suas ações ficou longe daquilo que lhe era esperado, relaxe, respire fundo, vire a página e comece novamente.

Veja a ansiedade como uma aliada, não como um obstáculo

Lembre-se: você não é a ansiedade! Nem mesmo os pensamentos que a produzem, muito menos as emoções que a seguem.

Guarde na memória: você é tranquilidade e paz! Independente daquilo que está vivendo, independente da instabilidade ou incerteza.

Mulher feliz na praia, olhando para o mar
Bilanol / Shutterstock.com

Sem contar os três passos citados anteriormente, talvez o principal remédio para a ansiedade seja ver a si mesmo como um ser humano pleno e realizado, alguém cuja felicidade não depende de quaisquer ações, ou de situações e muitos menos de outras pessoas.

Não há como se tornar feliz ou pleno, pois você já é plenitude e felicidade. No diálogo de Krishna diz que “sábio não tem lágrimas, nem para os vivos, nem para os mortos”, e assim, para tudo existe uma ordem e nós fazemos parte dela.

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É ilógico pensar que não somos uma parte da plenitude. Somos a própria plenitude. Àquela à qual não se pode acrescentar nada e muito menos ser retirado. Ao olharmos para nós mesmos desta forma, perderemos aquela pressão, aquela insegurança, a vontade de que o tempo voe, ou mesmo pare. Perderemos a vontade de controlar pessoas e situações, assim como também conseguiremos aceitar com gratidão tudo aquilo que temos para viver no dia a dia.

Eu mesmo deixei para escrever este texto no último dia e, ao invés de ficar preocupado com o tema abordado e com os dias que passavam, escolhi surfar e esperar pela inspiração. Às vezes ela aparece em um relâmpago e o texto fica pronto em pouco tempo, em outras, ela não aparece e fico até tarde do último dia do prazo para escrever. Mas em nenhum momento me estresso! Para este texto mesmo surfei por três horas até assumir que estava na hora de escrevê-lo. E concluo, calmamente, que você leitor, desfrute-o, assim como eu pude desfrutar.

Namaste!

Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

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