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Ano de 2020 — reflexões

Mulher olhando para fora da janela
Juan Pablo Serrano A / Pexels
Anne Moon
Escrito por Anne Moon

O ano de 2020, podemos dizer que foi bem diferente do que estamos acostumados. Esse ano foi muito agitado, muitas coisas aconteceram, muitos tiveram seus planos para esse ano alterados e pode-se dizer que esse ano foi o ano de se reinventar e se ampliar. Quem tinha um negócio próprio teve que seguir para o online, colocar-se no virtual, teve aqueles que começaram a empreender em um negócio novo, quem usou esses meses de quarentena para aprender coisas novas ou aprimorar o que já vinha aprendendo ou o que já sabia.

O ano de 2020 foi o marco do início da virada da segunda década do século 21 e, para muitos, o início de uma década é muito importante, assim como a virada do século, que são datas do calendário que marcam muitas pessoas — e essa virada de década foi marcante, assim como a segunda década do século passado.


Claro, não podia deixar de falar sobre o período das pandemias que afetaram essas décadas. Não há muito o que se dizer: abalou muito todos, seja psicologicamente ou emocionalmente, tivemos que nos remanejar como podíamos; o mundo passou por crise econômica. Em 1920, por causa da Primeira Guerra Mundial, e em 2020, por causa da quarentena à qual tivemos que nos submeter para conter essa nova pandemia.

Houve uma discussão sobre os direitos das mulheres, na questão de igualdade de gênero. Há um marco de 100 anos do avanço na luta pela equiparação de direitos; mulheres se desfazendo de corsets, vestidos e cabelos longos, que eram parte do padrão estético na época. Outro fato importante se relacionava às mulheres começando a entrar mais no mercado de trabalho. Não era muito aceitável socialmente que mulheres deixassem suas casas e o trabalho doméstico, porque se tinha a crença de que era um desvio da ordem considerada natural. Havia e há uma grande expectativa, um pré-roteiro de vida imposto. No caso, para a mulher, que ela seja uma esposa, mãe e dona de casa, enquanto o homem deveria ser seu provedor e tutor.

Mulher segurando cartaz escrito "Nós queremos justiça"
Lina Kivaka / Pexels

Por causa da guerra, muitos homens alistados e servindo ao exército, não havia outra opção senão abrir o mercado de trabalho para não aumentar o prejuízo que já estava se tendo com a guerra.

O que felizmente foi uma grande oportunidade para as mulheres poderem se manter financeiramente — e isso foi só o começo para nós. Hoje, a possibilidade para nós, como profissionais, é muito maior.

Ainda assim, isso não foi muito bem aceito, pois, segundo alguns, “se a mulher tivesse uma carreira profissional, não teria como ser mãe, esposa e dona de casa; sendo assim, não cumpriria seu papel como mulher ou não seria uma mulher completa”, mas felizmente raras são as pessoas que ainda acreditam nisso.

E por falar sobre casa e direitos da mulher, 2020 marcou também uma parte da luta pela igualdade, com um grande debate sobre conscientização sobre a violência, o nosso papel como mulher na sociedade e a discussão sobre casamento e maternidade sendo escolhas, decisões de vida, não uma obrigações, embora ainda existam pessoas que os vejam assim.

Ainda nessa área social, houve muitas mudanças e isso se refletiu na arte também. Esse espírito de liberdade que era tão buscado pelas pessoas fica explícito na cultura e nos costumes. Hoje em dia, a arte e a cultura, o consumo e a produção que antes era restrito à elite está muito mais acessível e acredito que isso seja só o começo e que daqui a uns anos mais pessoas terão acesso a cultura e arte e ainda contribuirão com suas próprias criações.

Mulher sentada ao lado de folhas com desenhos
RF._.studio / Pexels

Não tem como falar sobre essas duas décadas importantes sem falar sobre avanços científicos e tecnológicos, como na medicina e no avanço de tratamento de doenças, embora no século 20 ainda fosse algo muito rústico, que ainda iria progredir para os dias atuais. O que justifica felizmente os avanços nas pesquisas para o controle dessa nova pandemia em que estamos é estarmos em um período que podemos chamar de “Corrida das vacinas” em que vários países, como Rússia, China, Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, estão em uma corrida para imunizar todos.

Houve também, durante esses 100 anos, mas não tanto quanto hoje em dia, a preocupação com o meio ambiente, ainda mais a parte climática.

Muitas coisas aconteceram no mundo durante essa passagem de século e muitas reflexões e planos surgem nesse tempo, principalmente no começo de uma década.

O que não foi diferente no ano de 2020. Este artigo está parecendo uma retrospectiva ou uma aula de história, mas era para dar uma brecha para o assunto deste artigo, que é refletir e olhar de forma até mais esperançosa — sempre, no início de ano, fazemos uma reflexão sobre o ano anterior, sobre metas e planos, essa parte que dá até calafrios, porque colocamos coisas nas nossas metas que não realizamos e adiamos para o próximo ano.

Acho que essas coisas foram mais valiosas para mim — e não é por ser a coisa mais fácil, pois não é. O estresse do trabalho, as tarefas domésticas e ter de ficar mais em casa… mas foi muito importante para mim.

Ter esse momento com a família, que havia tempos que não tinha, foi um tempo de empatia consigo mesmo e com os outros, resiliência para focar nas coisas das quais temos controle, que podemos mudar e nos concentrar na mudança, pois, claro, não podemos ficar acomodados, pensando: “Está ruim, mas está bom”, de ter que aceitar tudo, tipo “qualquer coisa que vier está bom”, “o que vier é lucro”. Lembre-se do que falei sobre ter clareza mental, ter convicção do que você quer para poder concretizar. Lei da atração, né?

Se tem algo não está bom para nós e podemos fazer algo a respeito, temos que nos mexer para reverter a situação. O que não podemos mudar, o que não está no nosso controle, temos que ter resiliência para aceitar que não podemos controlar tudo, então ressignificamos. É olhar por uma perspectiva que nos faça voltar ao nosso equilíbrio e, dessa forma, trazer mais leveza à vida. Para tudo isso acontecer, temos que saber separar as coisas.

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Acredito que não fui a única a fazer essa reflexão, a ter esse momento de filtrar o que podemos ou não controlar. Por exemplo: não controlamos as atitudes do outro, não controlamos essa pandemia em si, mas controlamos as nossas reações, controlamos o que fazemos a respeito da informação e da situação que vivemos.

Por isso acredito que esse período de desaceleração foi único para interiorizarmos nossos pensamentos e emoções, canalizarmos e racionalizarmos para poder viver melhor.

Nesse ano que passou, tive vários insights que queria compartilhar. Esse ano que passou foi bem movimentado para todos nós, e comigo não foi diferente. Não só por esse período em que passamos por quarentena, mas esse período em si em que tivemos que ficar mais em casa, convivendo mais com a família e, obrigatoriamente, tendo mais momentos de nos voltarmos para nós mesmos.

Sobre o autor

Anne Moon

Anne Moon

Anne Moon é uma escritora graduada em letras que nasceu e mora em São Paulo com seus pais e com o irmão mais velho. Desde criança adora escrever e contar histórias. Antes dos 10 anos já havia escrito duas histórias de ficção e uma biografia, e aos 14 anos começou a escrever o primeiro volume, “The Rise of the Fallen”, da série de livros “Dark Wings”

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