Energia em Equilíbrio Yoga

Como escolher uma linhagem de yoga para começar a praticar?

Mulher em um campo de algodão fazendo Yoga.
Foto por Ale Fiori / Eu Sem Fronteiras
Escrito por Ale Fiori

Quem busca iniciar a jornada no Yoga sempre se depara com dúvidas sobre as diferentes linhagens de ensinamento dessa prática milenar. Para esclarecer, é preciso começar lá atrás, explicando como surgiu o Yoga. Saiba que esse método começou como uma disciplina introspectiva, por meio da meditação, no período pré-clássico, registrado nos Vedas (Rig-Veda), as escrituras sagradas hindus de mais de 6 mil anos. No Yoga Clássico, temos os registros dos Sutras de Patañjali, escritos entre os séculos 3 aEC e 5 EC, ainda se referindo a um Yoga mais meditativo, o Raja Yoga. Vários ramos surgiram em diferentes caminhos para alcançar o estado mais elevado de consciência, como o Karma Yoga (caminho da ação), o Jñana Yoga (caminho da sabedoria), o Bhakti Yoga (caminho da devoção) e o Mantra Yoga (Yoga da Recitação).

O Hatha Yoga chega no período Medieval e é a base para todas as linhagens que trabalham o corpo como meio de transcender. Suas origens estão especialmente com Gorakhnath, o lendário fundador do século 11 dos Kanphata Yogis, ordem de ascetas da Índia que veneram a divindade hindu Shiva, considerado o patrono do Yoga. Essa técnica se desenvolveu como um método tântrico que almeja o despertar da energia usando a força física. Swami Satyananda Saraswati descreve o objetivo principal do Hatha Yoga na introdução da obra Hatha Yoga Pradipika como “criar um equilíbrio absoluto das atividades e processos interativos do corpo físico, mente e energia”. Os iogues começaram a viajar para o mundo ocidental no final da década de 1880 e tiraram da marginalidade a prática que antes era desenvolvida apenas pelos ascetas.

No decorrer da evolução humana, e em virtude das diferentes maneiras individuais de ser, muitos métodos foram desenvolvidos com o intuito de aperfeiçoar e adaptar a prática para expandir o aprendizado de acordo com os novos tempos. Embora o Hatha Yoga tenha se ramificado em muitos estilos e escolas de prática, o objetivo principal sempre foi alcançar a consciência unificada. A conquista final do Yoga é descansar em um estado de total consciência não dual, no qual você está em um estado de conexão com tudo que existe.

Mulher fazendo Yoga.
Carl Barcelo / Unsplash

Antes de começar a procurar, tenha claro o que você busca no Yoga: melhorar a qualidade de vida? Combater o estresse, ansiedade ou depressão? Praticar um treinamento físico? Alcançar o autoconhecimento? Se estiver procurando uma atividade desafiante e energética, pode buscar linhas como Power Yoga, Ashtanga e Vinyasa Flow, que trabalham o corpo com intensidade. Se estiver buscando Yogaterapia, procure uma aula leve com ásanas, pranayama e relaxamento, como o próprio Hatha Yoga clássico, Yin Yoga, Kundalini Yoga ou Yoga Integrativa, por exemplo. Se busca um relaxamento maior, experimente o Laya Yoga ou Yoga Restaurativo. Se quiser focar o alinhamento das posturas, tente Iyengar Yoga.

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Cito aqui apenas algumas das centenas de ramificações. O importante é ressaltar que diferentes formas de Yoga não dão os mesmos resultados com as mesmas pessoas. Identificar-se com o professor e sentir-se acolhido por ele também faz a diferença. Alguém pode lhe recomendar um professor considerado o melhor, mas, na hora da prática, você pode não sentir sintonia com ele para seguir adiante. Tenha em mente também que não existe uma linhagem de Yoga melhor do que outra. Cada método se adapta a objetivos diferentes. O melhor Yoga é aquele que funciona para você. Sinta o seu coração e pratique o que lhe faz bem, sem julgamentos.

Dicas para escolher uma linhagem de Yoga:

  • Converse com o professor para conhecer a formação dele.
  • Fale de seus objetivos e cuidados especiais (restrições físicas, por exemplo).
  • Observe como você se sente no ambiente e durante a condução da aula.
  • Veja se você se identifica com a proposta do instrutor ou o tipo de Yoga.

As diferentes linhagens do Yoga podem trazer também diferentes orientações para o alinhamento de posturas, para o nome das posturas e para a filosofia por trás da tradição que você escolher seguir. Seu professor deve se mostrar verdadeiro e respeitoso, ter liderança sem autoritarismo, saber ouvir e responder, e, acima de tudo, ter compaixão. Desconfie de professores que consideram a prática deles a melhor e criticam abertamente as demais linhagens ou ramos filosóficos. Yoga, como o próprio nome diz, é “unir”. Escolha o que faça bem a você e lhe traga um estado de conexão com tudo que existe.

Sobre o autor

Ale Fiori

Sou jornalista e instrutora de Yoga Integrativo (prática que aplica diferentes técnicas do Yoga, de acordo com as necessidades do aluno). Praticante de Vinyasa Yoga Flow, vejo na fluidez do movimento com a respiração o caminho principal para o autoconhecimento do corpo e da mente. Desde 2017, mantenho o canal “Yoga com Ale Fiori” no YouTube, com sequências terapêuticas e práticas rápidas para o dia a dia dos iniciantes. Também produzi uma série de relaxamentos e meditações guiadas no SoundCloud, inicialmente para os alunos do curso de Yogaterapia para Estresse e Ansiedade, no qual indicamos caminhos e ferramentas para o controle de situações aflitivas na rotina diária. Mantenho turmas online e presenciais em Brasília (DF). Lembro sempre que o Yoga não cura, mas ajuda a nos conhecer melhor, a lidar com as adversidades, a identificar o que devemos desapegar e quais são nossas qualidades que devemos cultivar.

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