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Crudivorismo – O que comer?

Crudivorismo, também conhecido como alimentação viva, é uma alimentação vegetariana e tem como base a ingestão de alimentos crus.

É altamente desintoxicante e revitalizante, pois os nutrientes dos alimentos mantém-se preservados. O calor que utilizamos para cozinhar destrói as propriedades do alimento, por isso comê-los crus (ou cozinhá-los a no máximo 42ºC) os tornam mais saudáveis, com mais fibras, mais ricos ao nosso organismo.

A alimentação crudívora é variada e rica em frutas e verduras. Ao final deste artigo mostraremos algumas receitas para a alimentação crudívora. É válido lembrar que é recomendado às pessoas que gostariam de aderir a esse tipo de alimentação, que é muito importante experimentar o alimento cru antes que decida de vez por eliminar os alimentos cozidos. Nem sempre o sabor será agradável, principalmente para pessoas que não estão acostumadas.

Os alimentos crus mantêm os nutrientes que são normalmente destruídos ou modificados durante o processo de cozimento. As vitaminas, proteínas e gorduras são sensíveis ao calor por serem destruídas ou inativadas, sofrerem desnaturação e oxidação durante o aquecimento. Ao elevar a temperatura de certos alimentos ainda é possível potencializar agrotóxicos ou outros elementos cancerígenos, que não estava presentes anteriormente ao cozimento.

Vertentes

Frutas e vegetais
Sonda Stefan’s Images / Canva

Embora a maioria das pessoas não saiba, existem diversas abordagens do Crudivorismo. Duas das mais comuns são: a Alimentação Viva e o Crudivorismo Vegano hipo-lipídico ou Frugivorismo.

A Alimentação Viva é a mais conhecida e divulgada e se baseia na germinação de grãos e sementes, que tenta recriar a culinária cozida à qual os seres humanos estão acostumados, até mesmo com uso moderado de alguns temperos como o azeite. Já o Frugivorismo se baseia somente em frutas e vegetais, com uma adição de pequenas quantidades de sementes e oleaginosas em seu estado fresco e ‘in natura’, como a natureza os oferece.

“Nenhum outro animal na natureza altera quimicamente seu alimento pelo processo do cozimento, e cada raça é adaptada fisiológica e anatomicamente para a obtenção e a ingestão de sua alimentação específica. Nós, seres humanos, somos classificados como primatas antropoides, que são animais frugívoros, ou seja, vivem primariamente de frutas e vegetais, possibilitando assim a prática do Frugivorismo”, completa Eduardo Corassa, que há mais de sete anos vive em uma dieta exclusivamente crua de frutas e vegetais.

O que é o crudivorismo?

O crudivorismo (ou “alimentação viva”) é um hábito alimentar baseado em alimentos crus de origem vegetal. Isso significa que quem é adepto do crudivorismo não cozinha seus alimentos nem mesmo altera sua forma química original, porque estudos comprovam que cozinhar alimentos faz com que eles percam importantes nutrientes para o organismo.

Então uma pessoa crudívora (que é automaticamente vegana/vegetariana, por não consumir produtos de origem animal) compõe seus cardápios com frutas, legumes, verduras, sementes, leguminosas e afins.

Por que ser crudívoro?

Aliado a uma filosofia de vida vegetariana/vegana, já que os crudívoros não consomem produtos de origem animal, ser crudívoro é ser a favor de uma alimentação mais próxima da natureza e também mais saudável, já que ajuda na prevenção de doenças, como o câncer e problemas cardiovasculares.

“Por ser uma alimentação natural e sem aditivos, o crudivorismo acaba reduzindo o índice de câncer também. No caso do coração, o benefício está na ausência dos tipos de gordura que fazem mal”, explica Ludmila Novaes, nutricionista do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo.

Como iniciar o crudivorismo?

O mais indicado para quem pretende aderir ao crudivorismo é que isso seja feito aos poucos, gradualmente, não de forma radical. Mudar a alimentação de um dia para o outro e subitamente recortar o cardápio para alimentos crus pode trazer muitos problemas para o aspirante a crudívoro, tanto na saúde saúde física quanto psicológica da pessoa.

Para acostumar o paladar, o ideal é que se experimente aos poucos os vegetais crus, tentando criar pratos e combinações desses alimentos conforme o próprio agrado. Deve-se também incluir sucos verdes, vitaminas, frutas e castanhas no dia a dia, acostumando-se a realizar refeições mais próximas umas das outras, como de 3h em 3h. Em suma, o mais importante é respeitar o seu próprio tempo e os seus processos, entendendo os seus limites e o seu corpo, sem se pressionar.

De acordo com Corassa, a fórmula para ser bem sucedido em uma dieta crua é comer em maior quantidade. “Muita gente costuma dizer que frutas não sustentam. Mas, o que temos que compreender é que frutas e vegetais são alimentos de baixa densidade calórica. Um exemplo: você precisa comer quatro vezes mais banana do que precisaria de arroz para suprir suas necessidades calóricas”. E completa. “É necessário estudar e adequar questões nutricionais antes de iniciar uma dieta crudívora. As obras do meu mentor – o pai do movimento do Crudivorismo, Frugivorismo e Nutrição Crua no mundo, Dr. Douglas Graham – são ótimas para quem quer aderir à doutrina de forma eficiente”.

Mitos e verdades sobre o crudivorismo

Mulher tomando suco detox
Nando Martinez de Getty Images / Canva

Como a dieta crudívora não é amplamente conhecida, há muitos falsos fatos e desinformações que rondam esse assunto, o que pode gerar preconceitos e acabar afastando as pessoas desse hábito alimentar. Por isso é importante desvendar cada mito e verdade do crudivorismo para entendê-lo de uma vez por todas. Confira a seguir.

“O crudivorismo ajuda a desintoxicar o corpo”. Verdade!

Como o cozimento faz com que os alimentos percam as suas enzimas, ao estar habituado a uma dieta crua, o corpo de um indivíduo crudívoro absorve substâncias e nutrientes bons mais rapidamente, facilitando a desintoxicação do corpo.

“Os crudívoros ficam constantemente com fome”. Mito!

Na verdade, com os crudívoros acontece o contrário: por consumirem muito mais nutrientes e advindos de uma alimentação mais variada, eles sentem-se satisfeitos por muito mais tempo. Além disso, a sensação de saciedade não é exatamente determinante do sentimento da fome; o que acontece é que, na cultura de se consumir carnes vermelhas todos os dias, as pessoas acostumaram-se a se sentir constantemente estufadas, o que não é nada saudável.

“Comer apenas alimentos crus causa insuficiência de vitaminas e nutrientes”. Verdade!

Apesar de o crudivorismo ter muitos benefícios em relação à absorção de nutrientes e vitaminas, é muito difícil manter-se numa dieta completamente balanceada e que supra todas as necessidades de vitaminas de um organismo. É por isso que a maioria dos crudívoros atentam-se a isso e, muitas vezes, fazem reposição de nutrientes tomando vitamina B12. Isso não significa, porém, que o hábito do crudivorismo por si só seja insuficiente para a saúde, afinal em qualquer tipo de alimentação pode-se estar sujeito a ter um déficit em alguma parte nutricional.

“No crudivorismo faltam proteínas”. Mito!

Ao contrário do que se pensa, quando geralmente as proteínas são apenas associadas ao consumo de carnes, há muitas e variadas fontes de proteína em alimentos de origem vegetal. Verduras de folhas verde-escuras, leguminosas e sementes, por exemplo, são protagonistas na absorção desse poderoso nutriente.

Benefícios

Em seus artigos e livros, Eduardo Corassa enumera diversos benefícios na saúde de uma pessoa que se torna crudívora e adota um estilo de vida saudável. Confira alguns deles:

Clareza mental, mais disposição e melhor rendimento no dia a dia, uma menor necessidade de sono, melhorias no desempenho atlético, manutenção do peso ideal, se ver livre de alergias, febres ou outros tipos de doenças e sintomas agudos, e diminuição ou mesmo reversão de doenças crônicas de longa data.

O fato de não se perder mais tempo na cozinha cozinhando, lavando panelas, etc. também se torna um grande atrativo. Como também a grande redução na poluição, pois, por não haver mais o consumo de produtos industrializados, o único “lixo” criado é o orgânico, o que se encaixa perfeitamente na categoria de uma vida sustentável e com os princípios da natureza.

Outros fatores são a economia e a simplicidade, pois produtos como frutas e vegetais são mais baratos e acessíveis a todos.

Os contras do crudivorismo

Apesar de trazer mais nutrientes para o prato, a dieta crudívora exige cuidado redobrado em relação à higienização dos alimentos, já que nos vegetais crus encontram-se muitos microorganismos que podem causar graves infecções.

Além disso, quem opta por esse hábito alimentar deve ter constantemente uma atenção rígida à quantidade de proteínas ingeridas, bem como aos níveis de ferro e às vitaminas D e B12, que são nutrientes difíceis de se obter em alimentos inteiramente crus.

Há também uma questão social e psicológica em volta do crudivorismo, que pode prejudicar o indivíduo que opta por seguir esse hábito alimentar. Isso porque comer é um ato presente em muitas confraternizações e reuniões sociais, um costume que permeia em diversas relações e tipos de eventos.

Uma pessoa, ao se tornar crudívora, deixa de frequentar lugares e sair com os amigos ou familiares para esse tipo de atividade, já que não se alimenta mais da mesma forma que os outros, ou seja, o crudívoro passa a recusar convites e se isolar, o que não é nada bom para a sua saúde mental e socialização.

Você sabe o que é plant based?

A alimentação plant based é uma dieta baseada em vegetais e alimentos na forma mais natural deles. Portanto alimentos como frutas, hortaliças, legumes, óleos vegetais e sementes como nozes e castanhas, por exemplo, são os protagonistas desse hábito alimentar.

Uma característica forte do plant based é o fato de não envolver o consumo de produtos de origem animal, ou seja, é uma dieta vegana.

Diferentemente do que acontece no crudivorismo, porém, os adeptos do plant based podem escolher se seus alimentos serão cozidos ou não, não vivendo apenas de vegetais crus.

Mesmo que apresente tantos benefícios, o crudivorismo é um hábito alimentar difícil de se alcançar, porque a comida não é apenas algo que fazemos por necessidade fisiológica, e sim está envolvida num complexo cultural e social.

Quem se interessa por essa dieta e pretende se tornar crudívoro deve fazê-lo com cuidado e bastante determinação; caso contrário, a pessoa pode se prejudicar durante o processo. Àqueles que não se apetecem por isso, cabe o papel de respeitar todo e qualquer modo de vida e se informar a respeito para não propagar mentiras e preconceitos sobre o assunto.

Receitas deliciosas com alimentos crus:

Cuscuz de cenoura
subodhsathe de Getty Images / Canva

Cuscuz de cenoura

Ingredientes:

  • Azeite;
  • 5 cenouras grandes;
  • Farinha de mandioca;
  • 1 maço de cheiro-verde;
  • 1 pimentão vermelho;
  • 1 pimentão amarelo;
  • 3 tomates frescos médios;
  • 1 pimenta dedo-de-moça;

Preparo:

Descasque as cenouras e rale. Coloque-as em um coador e retire todo o líquido. Pique os pimentões, o tomate, a pimenta e o cheiro-verde. Coloque todos os ingredientes em uma travessa, inclusive o azeite, vá adicionando a farinha de mandioca até que fique na consistência para colocar em forminhas.

Leite de amêndoas crudívoro

Ingredientes:

  • Uma xícara de amêndoas;
  • 700 ml de água filtrada.

Utensílios:

  • Coador de voil ou peneira;
  • Bacia média;
  • Liquidificador.

Preparo:

Deixe as amêndoas de molho em duas xícaras de água de oito a 12 horas. Lave e escorra bem. Coloque-as no liquidificador com os 700 ml de água e deixe bater bem. Despeje sobre o coador ou peneira para escoar na bacia. O seu leite de amêndoas está pronto. Uma dica de consumo é bater com banana, tâmaras e cacau ou ingerir puro.
Dica: Com o resíduo da amêndoa retido na peneira, é possível fazer uma ricota temperada com orégano, sal marinho ou do himalaia e limão.

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