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Danças Circulares: educação, arte e cura (parte 2)

Duas meninas felizes dançando ciranda no parque
Robert Kneschke / Canva
Escrito por Carolina Rodrigues

O Universo é uma dança. As estações do ano, o fluxo das águas, dos ventos, dos seres viventes e dos não vivos, dos planetas em torno do Sol…

Dançar é a primeira forma de comunicação e de arte criada para uma aproximação maior com Deus e confere ao humano sua identidade visceral com as forças divinas. A palavra dança deriva do sânscrito tan, que significa tensão. Expressamos na dança a intensidade de nossas relações, conosco e com todos os seres, coisas, fenômenos que nos rodeiam. Nascimentos, mortes, uniões, encontros e desencontros, despedidas, conflitos, amores, passagem das estações, conquista do alimento e de abrigo, sabores e dissabores da vida eram celebrados e compartilhados.

A dança orgânica original é um modo amoroso de viver, sentir e experimentar as cores, os perfumes, as flores, a beleza e a alegria do Universo. Nascemos dançando e assim poderíamos viver toda a vida. Um longo processo histórico, porém, nos fez distanciarmos da Fonte da Criação, de nossa essência, de nossa natureza, e fomos transformando nossa dança. Deixamos perder parte de nossa cultura ancestral que dançava a vida. Essa percepção levou o bailarino Bernhard Wosien a buscar resgatar, em 1952, as manifestações dançantes dos povos, iniciando um movimento das Danças Circulares Sagradas, aquelas que transbordam toda a sabedoria ancestral dos Povos, despertam nossa alegria e profunda conexão com o Todo.

Povo indígena em roda de dança típica
Dmitry Bogdanov / Canva

Muitas danças já eram originalmente dançadas em círculo. Outras foram adaptadas a essa formação por Wosien, uma vez que o círculo é um poderoso símbolo da unidade, da totalidade, do sagrado, da essência. Em círculo nos educamos e nos curamos, pois estamos fortemente ligados a um centro de luz e de vida, a fonte que nos conecta à nossa dimensão divina.

A vivência plena dos benefícios das danças depende do quanto o dançarino se entrega e se deixa envolver pelo processo. Depende também da intencionalidade de cada gesto, cada respiração, olhar… Quando essa entrega acontece, somos preenchidos e acabamos por derramar sentimentos de paz, respeito, amor, cooperação… Educamos nossa postura perante a vida, aprendemos a nos conhecer e a nos respeitar, na constante busca do equilíbrio entre interno e externo, individual e coletivo, afinal tudo é um.

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Conheci esse movimento aos 12 anos de idade e, anos depois, por ele e a partir dele, nasceu o Dá Tua Mão. Foi na especialização em Educação Ambiental que retornei às danças circulares como fonte de cura e educação e elas me acompanham na vida e nos meus trabalhos!

Vem, vamos dançar, Dá Tua Mão…

Sobre o autor

Carolina Rodrigues

Olá! Sou Carolina, uma sonhadora desde pequena. Pés descalços, no chão, cabeça nas nuvens. Sonhava com um mundo em que todas as pessoas fossem felizes, amigas e borboletantes. Fui crescendo e percebi que a Educação seria esse caminho. Ingressei na faculdade de Ecologia, sedenta por saber mais sobre Educação Ambiental e resgatei aí a possibilidade de tecer a Arte, a dança, a autoeducação como revoluções no mundo!

Deparei me com a Arteterapia, facilitei rodas de Danças Circulares e integrei projetos de formação de educadores pelas vias do autoconhecimento e da arte teatral.

A maternidade me impulsionou ainda mais a colocar meus projetos no mundo.

Com Cauê nasceu o Dá Tua Mão, que foi germinando do conto "A Dança de Um Um Lugar Chamado Flores" até tornar-se um Jardim em Flor.

Hoje me dedico à jardinagem de corações e à partilha daquilo que floresce do meu coração para aqueles que acolherem minhas palavras.

Gratidão!

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