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Disforia de gênero: o que é, como identificar e como lidar?

Símbolo dos gêneros masculino e feminino
devenorr / 123RF
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Cada vez mais tem se tornado um padrão a quebra de estigmas relacionados às questões sexuais. São temas cada vez mais comuns no debate público e que se mostram pertinentes à medida em que podem trazer qualidade de vida às pessoas portadoras de disforia de gênero.

Entretanto, muitos temas e conceitos ainda parecem de difícil compreensão e misteriosos, afastados de um foco de discussão que deveriam, na realidade, ser aproximados. Entre esses assuntos, a disforia de gênero é um tema ainda pouco elucidado.

Afinal de contas, trata-se de uma doença, um transtorno psiquiátrico, ou não? O artigo que se segue tem o objetivo de informar sobre como identificar as causas, as maneiras para lidar e os possíveis tratamentos para a disforia de gênero. Ainda, sua relação com a transsexualidade. Vamos desvendar esse conceito para acolher quem passa por isso e fazer deste mundo um lugar melhor?

O que é disforia de gênero?

O transtorno de disforia de gênero é uma condição determinado pelo sentimento de insatisfação entre o sexo biológico (características genitais com que a pessoa nasce) e seu sentimento interno de pertencer ao sexo feminino, masculino, misto ou neutro (definido como identidade sexual).

O tema já foi abordado no filme “A garota dinamarquesa” (2015), drama biográfico sobre Lili Ebe, pintora dinamarquesa da década de 1920 que se tornou uma das primeiras pessoas a se submeter a uma cirurgia de redesignação de gênero ou transgenitalização. Lili nasceu com características genitais masculinas, mas se descobre mulher quando sua esposa pede que ela se vista com roupas femininas para uma sessão fotográfica.

No filme, o processo de disforia de gênero acontece na fase adulta da pintora. Porém é comum apresentar-se, também, na infância e na adolescência.

Como identificar a disforia de gênero?

Pessoas com disforia de gênero e a consequente sensação de incompatibilidade faz com que surjam sentimentos de angústia, estresse, desconforto e até mesmo depressão. Alguns sintomas são:

Sintomas em crianças

  • Preferem se vestir como pessoas do sexo oposto;
  • Afirmam constantemente que são do sexo oposto;
  • Mostram-se insatisfeitas com os órgãos genitais;
  • Optam por brincadeiras ou jogos relacionados, frequentemente, ao sexo oposto.
Menina segurando um skate.
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Sintomas em adolescentes e adultos

  • Forte desejo de impedir o desenvolvimento de suas características sexuais (durante a adolescência);
  • Vestir-se com roupas frequentemente associadas ao sexo oposto.
  • Quem só reconhece a disforia de gênero na fase adulta pode, ainda, desenvolver depressão, ansiedade e comportamentos suicidas.

Quais são as causas?

Algumas teorias tentam explicar as causas da disforia de gênero e elas podem ter fatores biológicos, psicológicos ou socioculturais. Alguns estudos de caráter biológico analisam o comportamento animal, a correlação entre hormônios masculinos e femininos e o comportamento associados a ambos os sexos, a neurobiologia e a genética.

Abordagens psicológicas, como a psicanálise, baseando-se na relação mãe e filho e ou encarando o fato como reflexos de transtornos mentais, e o psicodrama se ocupam de tentar encontrar razões que possibilitam a existência da disforia de gênero.

Segundo o psiquiatra George Brown, especialista em distúrbios da identidade de gênero da Universidade Estadual do East Tennessee, estima-se que a disforia de gênero ocorra em cinco a 14 em cada mil bebês cujo sexo de nascimento é masculino e em dois a três em cada mil bebês cujo sexo de nascimento é feminino.

Como lidar com a disforia de gênero?

O apoio e o acolhimento a pessoas que têm disforia de gênero é essencial para que elas tenham forças para lidar com a situação. Como explicado, a disforia pode desencadear quadros depressivos e, em alguns casos, comportamentos suicidas. Sentir-se aceito e amado pelas pessoas que o cercam pode ser essencial para atravessar períodos turbulentos.

Todavia estar presente e prestar apoio sentimental a quem está nesta condição não é o suficiente. É essencial que a pessoa tenha acompanhamento individualizado e constante de uma equipe formada por vários profissionais, a fim de criar um ambiente saudável e de auxílio às decisões da pessoa.

A disforia de gênero tem cura?

A disforia de gênero pode ser tratada. Pessoas que desenvolvem quadros depressivos ou de ansiedade podem precisar de psicoterapia, que consiste em um acompanhamento por meio de encontros semanais com um psicólogo, com o objetivo de aprender a lidar com os sentimentos que causam desconforto emocional.

Outra via de tratamento são as terapias hormonais. Muitas vezes, pessoas com disforia de gênero adotam comportamentos e vestuário do sexo oposto e a terapia hormonal visa alterar características sexuais secundárias para que esse processo seja mais fluido. Consiste no uso contínuo de fármacos que diminuem a produção de hormônios sexuais para minimizar características do sexo de nascimento.

Por fim, a cirurgia de redesignação de gênero pode ser um tratamento para a disforia de gênero e tem o objetivo de remodelar os órgãos genitais de acordo com o sexo desejado. A cirurgia pode ser realizada em ambos os sexos e é irreversível.

Quais as relações entre disforia de gênero e transexualidade?

A disforia de gênero é, às vezes, uma condição que precede a transexualidade, sendo natural que alguns portadores decidam tornar-se transexuais. A transexualidade pode ser considerada a forma mais extrema da disforia de gênero, na qual a maior parte dos portadores tem grande desejo de mudar o corpo por meios cirúrgicos, para que ele se adeque a sua identidade de gênero.

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Cabe ressaltar que disforia de gênero não se relaciona a orientação sexual. Na França, a disforia de gênero deixou de ser considerado um transtorno mental desde 2010. E a Organização Mundial de Saúde também está comprometida em seguir o mesmo caminho.

Pesquisar e buscar informações sobre outras condições humanas que não a sua é uma maneira de criar uma sociedade mais empática e respeitosa. Grandes passos já foram dados em direção a um mundo mais inclusivo, mas ainda há muito o que se fazer. Propor debates sobre pautas identitárias e ser antipreconceito podem ser bons caminhos em direção a um lugar melhor.

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