Saúde Integral

O que é Lúpus?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Das mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, o lúpus é a mais importante, no entanto, pouco conhecida. O que caracteriza uma doença como autoimune é a produção de anticorpos que agem contra o organismo, destruindo tecidos saudáveis do corpo. De acordo com o Dr. Samuel Kopersztych, médico reumatologista que trabalha no Hospital das Clínicas da USP e no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, referir-se as doenças causadas pela produção de anticorpos que destroem o organismo, quando deveriam protegê-lo como autoimunes é um erro. Para ele, o termo autoagressão é mais apropriado.

O lúpus é uma doença crônica, sem cura, tal qual a hipertensão, diabetes, a insuficiência cardíaca e as doenças reumatologicas. O controle é feito com os seguintes medicamentos:

  • Esteroides: Hormônios sintéticos, cópias do hormônio cortisona, produzido pela glândula supra-renal. Atuam contra a inflamação;
    • Anti-inflamatórios não esteroides: Tratam a fadiga e a febre. Seu efeito colateral é a intolerância estomacal;
  • Imunossupressores: Diminuem a ação do sistema imune. O médico deve analisar se não existem remédios que possam ser usados no lugar dos imunossupressores, devido os inúmeros efeitos colaterais;
  • Antimaláricos: Controlam a artrite e os problemas de pele. O efeito colateral desse medicamento são as alterações na visão. Seu uso deve ser monitorado pelo oftalmologista.

A ciência ainda não chegou à conclusão sobre suas causas. Entretanto, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais e até mesmo emocionais estão envolvidos.

Dentre as questões ambientais, destacamos a radiação solar. Os indivíduos geneticamente predispostos são mais sensíveis aos raios ultravioletas, especialmente no período das 10 às 15 horas. Estudos realizados pelo Hospital das Clínicas de São Paulo concluíram que a primeira manifestação da doença geralmente ocorre após exposição solar, principalmente na praia.  Nas questões emocionais, a perda de um parente próximo ou o término de um relacionamento amoroso, ou qualquer outro acontecimento negativo são fatores que podem contribuir para a potencializar os efeitos da doença.

A incidência do lúpus é maior em mulheres, elas representam 90 % dos casos. A maioria dos diagnósticos acontece entre os 15 e 40 anos. São raros os casos de lúpus em meninas que ainda não menstruaram. Nos Estados Unidos, observa-se que as negras são as mais atingidas. Mulheres hispânicas também estão mais propensas a doença. No Brasil, há um equilíbrio de casos entre brancas e negras. Segundo Kopersztych, há uma relação entre o sistema de imunidade (defesa do organismo) com o sistema endócrino. O estrogênio (hormônio feminino) é autoformador de anticorpos, a testosterona (hormônio masculino) é baixo produtor. Nas mulheres portadoras de lúpus, os autoanticorpos são produzidos em excesso. Ainda de acordo com Kopersztych, a administração de hormônios masculinos nas mulheres não surte efeito terapêutico relevante, e ainda masculiniza aparência.

Existem três tipos de lúpus. Confiram as particularidades de cada uma:

  • Lúpus discoide

No lúpus discoide, a inflamação está restrita à pele. Lesões cutâneas avermelhadas na pele são os sinais que identificam essa modalidade, que pode evoluir para o lúpus sistêmico.

  • Lúpus sistêmico

No lúpus sistêmico também há lesões cutâneas, mas, outras partes do corpo também são atingidas. Articulações, coração, rins, pulmões e até o sangue.

  • Lúpus induzido por drogas

Certos antibióticos, medicamentos para controlar convulsões e pressão alta podem provocar uma inflamação temporária, cujos sintomas são similares ao lúpus sistêmico. Eles desaparecem com a suspensão dos medicamentos.

Como diagnosticar o lúpus?

Era muito difícil diagnosticar. Como o lúpus atinge as articulações dos membros superiores, punho, cotovelo, ombro e dedos das mãos, os pacientes procuram o reumatologista.

O Dr. Samuel Kopersztych, explica que isso mudou em 1971, quando a Sociedade Americana de Reumatologia estabeleceu onze critérios de diagnóstico. Essa mesma resolução determinou que as mulheres devem apresentar pelo menos quatro sintomas para o diagnóstico de lúpus ser confirmada.Confiram alguns critérios determinados pela instituição:

Lesões orais significativas. Na fase inicial surgem úlceras na boca. Mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição.

Lesões avermelhadas com aspecto de asa de borboleta. Ao contrário do que se pensa, não é o critério mais importante no diagnóstico.

Fotossensibilidade. O médico precisa investigar se o paciente já teve problemas relacionados à exposição solar.

shutterstock_265183781Dor nas juntas, de caráter não inflamatório. Ela se manifesta nos membros superiores, de apenas um lado do corpo, migrando de uma articulação para outra. Essa dor não apresenta os três sinais de uma inflamação, calor, vermelhidão e inchaço. Entretanto, em alguns casos, tais características podem aparecer.

Hipertensão arterial, isso denuncia um processo inflamatório nas membranas das estruturas dos sistemas de filtração do sangue que passa pelos rins.

Lesão cerebral, cujo primeiro indício é uma convulsão, um ataque epilético que pode deixar a possibilidade de lúpus para segundo plano.

Critério imunológico, o que faz os pacientes apresentarem um falso positivo para sífilis e manifestarem a síndrome anticoagulante lúpica, caracterizada por trombose, embolias e abortos de repetição. Por isso, as portadoras de lúpus precisam ser informadas sobre os riscos de uma gravidez. Mas, há 80% de chances de a doença piorar. Consulte o médico que ministra o tratamento contra o lúpus e também o ginecologista.

Os sintomas podem surgir do nada, ou de forma progressiva. Podem ser moderados ou graves, temporários ou permanentes. Geralmente, os portadores apresentam sintomas moderados, manifestados em crises esporádicas, nas quais os sintomas ficam um pouco mais intensos, mas, que depois desaparecem. Os sintomas comuns do lúpus são:

  • Sensibilidade à luz do sol
  • Lesões no rosto, nuca, pescoço, antebraços e couro cabeludo. No rosto, as lesões assemelham-se uma asa de borboleta
  • Fadiga
  • Febre
  • Dor nas articulações
  • Rigidez e inchaço nos músculos
  • Dor no peito ao inspirar profundamente
  • Dor de cabeça
  • Confusão mental e perda de memória
  • Dor nos dedos quando está frio
  • Queda de cabelo
  • Feridas na boca

Existem também sintomas específicos que variam de acordo com a parte afetada:

  • Coração: ritmo cardíaco anormal
  • Pulmão: dificuldade para respirar e tosse com sangue
  • Trato digestivo: náuseas, vômitos e dor abdominal

Exames realizados para diagnosticar o lúpus:

  • Radiografia do tórax
  • Exame do sistema nervoso
  • Exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares
  • Hemograma completo
  • Teste de Coombs – exame que confirma que a anemia é resultado da produção de anticorpos contra as hemácias – anemia hemolítica.
  • Exame de urina – os portadores de lúpus geralmente apresentam um aumento de células vermelhas (hematúria), estruturas cilíndricas (cilindrúria) e de proteína (proteinúria) na urina.
Tratamento

Antigamente, o lúpus era tratado com cortisona e derivados. Atualmente, os corticoides são mais modernos, não aumentam a pressão arterial, nem provocam grande retenção de sal e água. Outra forma de tratamento é o pulso terapêutico. O paciente é hospitalizado e uma grande quantidade de corticoide é injetada por via endovenosa. Quando o organismo não reage aos corticoides, são usadas as drogas citotóxicas (drogas que bloqueiam o crescimento celular). O médico precisa monitorar frequentemente o uso das drogas citotóxicas, visto seus graves efeitos colaterais.

Tratamentos alternativos

A medicina chinesa é um tratamento alternativo. Seu principal fundamento é manter um ambiente interno equilibrado e harmonioso. A harmonia é determinada pelo princípio yin-yang, onde duas forças opostas se uniram para criar todas as coisas do universo. O yin representa frio, escuridão, umidade, é silencioso, estático e inativo. O yang é brilhante, quente, seco, é dinâmico, ativo e expansivo. Quando o equilíbrio dessas duas forças é afetado, ocorrem dores e demais perturbações.

O objetivo da medicina chinesa é restabelecer o equilíbrio perdido. A acunputura, fitoterapia, acupressão, shiatsu, além de um programa de alimentação são as ferramentas usadas para restaurar a harmonia. Veja as diferenças entre os tratamentos:

  • Acupuntura

Procedimento indolor, que provoca uma sensação de formigamento. É feito com agulhas muito longas e finas. São inseridas a uma profundidade que varia entre meio centímetro até cinco centímetros. As agulhas ficam inseridas por alguns segundos ou por até uma hora. Uma sessão dura, no mínimo, 20 minutos.

  • Acupressão

Difere-se da acupuntura, porque é usada a pressão dos dedos.

  • Shiatsu

Técnica de massagem japonesa. O terapeuta usa dedos, cotovelos, joelhos e pés em um padrão rítmico.

  • Fitoterapia

As ervas auxiliam na reorganização dos constintuites (sangue e fluídos corporais). As ervas são ministradas frescas ou em cápsulas.

Convivendo com lúpus

Os portadores da doença precisam ser acompanhados. Os cuidados incluem prevenir problemas cardíacos, fazer uma análise frequente da imunização, além de testes para verificar se há ou não a presença da osteoporose.

Deve-se evitar a presença em lugares com grande concentração de pessoas. O contato com pessoas portadoras de doenças contagiosas também precisa ser evitado.

As mulheres têm que ter cuidado com os anticoncepcionais. O uso aumenta os níveis de estrógeno, o que pode desencadear um novo surto da doença.

Com um correto acompanhamento médico, os portadores de lúpus conseguem ter uma vida normal. Os remédios e exames são importantes para o controle da doença, mas, o paciente também possui papel importante na luta contra o lúpus.

Dicas que melhoram a qualidade de vida

Cuidado com o sol: Os portadores de lúpus precisam usar roupas protetoras, protetor solar não só na praia ou piscina, mas, também na cidade.

Psicoterapia: O lúpus pode afetar o sistema nervoso central, o que pode levar a depressão. Fazer terapia ou frequentar grupos de apoio ajuda os portadores a enfrentar a depressão e as alterações de humor.

Descanso: Pessoas com lúpus sentem muita fadiga.

Exercícios físicos: São recomendados para tratar sintomas de depressão, comuns nos portadores. Os exercícios físicos também ajudam a reduzir os riscos de ataque cardíaco.

Não fumar: O cigarro aumenta as chances de doenças cardiovasculares.

Alimentação para quem é portador de lúpus

O cuidado com a alimentação garante bem-estar. Alguns alimentos são indicados, outros devem passar longe de portadores de doenças reumáticas. Confira como a nutrição pode ser uma grande aliada:

Vitamina D: Importante para a saúde dos ossos. A vitamina D é encontrada na couve, brócolis, vegetais escuros, repolho, semente de girassol, figos secos e gergelim são fontes de cálcio.

Ômega 3: Os portadores de lúpus devem investir nos alimentos que possuem Ômega 3.  As principais fontes são rúcula, castanhas, nozes e nos peixes de águas profundas (atum, bacalhau e sardinha).

Evitar o consumo de pães brancos, sopas cremosas e industrializadas, frituras, carne vermelha (especialmente as gordurosas, como a picanha e o cumpim), queijos amarelos, manteiga e sorvetes.

Os mais desinformados, acreditam que devem evitar ter contato com os portadores. Contudo, é fundamental esclarecer que o lúpus não é uma doença contagiosa. Você não é contaminado ao abraçar, nem apertando as mãos de um portador da doença. As pessoas que têm lúpus ainda sofrem com o preconceito das pessoas desinformadas. Inspire-se em muitos famosos que têm a doença e usam seu prestígio para fazer esclarecimentos sobre a doença, além de participar de organizações que ajudam outros portadores. O cantor Seal foi diagnosticado aos 21 anos. Ele, assim como vários portadores, teve depressão. Hoje, o astro conta que as cicatrizes no rosto não incomodam.  A apresentadora Astrid Fontenelle foi diagnosticada com 42. As cantoras Selena Gomez, Lady Gaga e Toni Braxton, são celebridades que lutam contra a doença e provam que é possível ter uma vida normal, desde que seguidas as rígidas orientações médicas. Aliás, a apresentadora perdeu os cabelos no início da doença. Ela revelou em entrevista que a água do seu banho é filtrada. A cantora Lady Gaga não apresenta nenhum sintoma, por isso, alguns médicos afirmam que ela não tem lúpus.  

Quem tem lúpus não está condenado a uma vida sofrida. Porém, não podemos negar que durante as crises, o portador sofre algumas limitações. Outro esclarecimento que precisa ser feito, é em relação à vida amorosa/sexual. A doença não atrapalha o que pode acontecer é a pessoa não se sentir atraente a ponto de querer manter a atividade sexual.

Dividir seus medos e anseios é sempre bom. Para pessoas que tem doenças que são alvos de preconceitos, como o lúpus, as sessões de terapia são bem-vindas. A psicoterapia auxilia o portador a entender seus sentimentos. Com ela, aprende-se a criar estratégias para lidar com os pensamentos e tensões da vida. Os pensamentos e comportamentos são mais facilmente identificados e combatidos.

Se você tem lúpus, procure interagir com grupos de apoio. A Associação Brasileira Superando o Lúpus traz informações sobre a doença e mensagens de autoajuda. Confira o site.

Informação é o melhor remédio contra o preconceito que muitos portadores ainda enfrentam. Os familiares também devem participar desses grupos, para saber o que devem fazer para ajudar.


  • Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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