Saúde Integral

Quando uma noite sem dormir é um sinal de alerta!

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O sono é algo importantíssimo em nossas vidas. Dormir 7 ou 8 horas ininterruptas é uma necessidade. Porém, o sono reparador é um sonho distante para muita gente. Uma noite mal dormida compromete o rendimento profissional e escolar. Fadiga, dificuldades de concentração, lapsos de memória e irritabilidade são traços típicos de quem não dorme bem. Mas, dormir mal traz outros problemas. Obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2, ansiedade e depressão são consequências de noites mal dormidas.

Este cenário é mais comum nas grandes cidades.

O ritmo frenético, prazos menores e volume de atividades cada vez maior impedem o relaxamento. A preocupação em pagar as contas em dia também tira o sono. Já reparou como sempre vemos pessoas sonolentas?Transformando as blusas como travesseiros e a poltrona do transporte coletivo em cama? Às vezes elas batem a cabeça no vidro ou no encosto e se assustam. A gente ri, mas, não é engraçado. Trabalhar e estudar com sono é desesperador. Chega uma hora em que a pessoa sucumbe ao cansaço.

Além das preocupações com o trabalho e dificuldades financeiras, outras razões impedem o descanso. Alimentação rica em gordura, consumir cafeína em excesso, dependência tecnológica e problemas de saúde físicos e mentais também levam o sono embora. Pode prestar atenção, quem não dorme bem apresenta pelo menos um dos fatores apresentados.

Distúrbios do sono

As dificuldades para dormir em qualquer fase são chamadas distúrbio do sono. Antes de detalharmos esses problemas, precisamos entender o sono. Ele é dividido em quatro fases. Os problemas surgem em qualquer fase. Nas três primeiras fases, há economia de energias, reparação dos tecidos, aumento de massa muscular e liberação do hormônio do crescimento (GH). Durante o REM “Rapid Eye Movement” a memória e o aprendizado são consolidados. Quando o sono é interrompido, a pessoa retrocede à fase 1. Isso tira a qualidade do sono.

Vejam quais são e como funcionam as fases do sono:

  • Fase 1: Transição entre vigília e sono. Ao escurecer a melatonina, hormônio responsável pela sonolência é disparada. Ocupa 10% da noite.
  • Fase 2: Coração e sistema respiratório trabalham mais devagar. Relaxamento muscular e diminuição da temperatura corporal. A chamada fase do sonho leve ocupa 45% da noite.
  • Fase 3: O coração bate ainda mais devagar. A respiração também fica mais devagar. O metabolismo cai. Ocupa 25% da noite.
  • Fase REM: A sigla em inglês significa “Rapid Eye Movement” (movimento rápido dos olhos). Onde o sono fica profundo. Nesta fase a pessoa sonha, tem picos de adrenalina, de batimentos cardíacos e pressão arterial.

Ao contrário que muitos imaginam, os distúrbios do sono não se limitam apenas a interrupção do sono. Já foram identificados mais de 100 distúrbios relacionados ao sono e também ao despertar. Eles são divididos em quatro tipos:

  1. Dificuldade de adormecer ou permanecer dormindo
  2. Dificuldades para permanecer acordado
  3. Problemas para conseguir manter uma rotina regular de sono
  4. Comportamentos incomuns durante o sono

Vamos detalhar um por um:

Insônia

A insônia é o distúrbio mais conhecido. Ocorre com maior frequência na fase adulta. Estima-se que 63% dos brasileiros sofram deste mal. O Instituto do Sono revela que o estresse das grandes cidades contribui para o surgimento do distúrbio. Artrite, distúrbios da tiróide e insuficiência cardíaca estão associadas à insônia.

shutterstock_192354587

As alterações hormonais na TPM, gravidez, pós-parto e menopausa faz das mulheres as mais atingidas pela insônia. Crianças e adolescentes podem ter insônia. Idosos são frequentemente atingidos por ela. De acordo com Mauricio Bagnato, que já presidiu a Sociedade Paulista de Medicina do Sono, de 30% a 40% da população terão dificuldades para dormir. Existem três classificações:

Transiente: A principal causa é o estresse emocional. Problemas de saúde, crises nos relacionamentos amorosos e familiares, pressão no emprego, desemprego e qualquer situação que comprometa o emocional é pano de fundo para este tipo de insônia que dura até três semanas.

Intermitente: Surge em determinados períodos da vida. Nos intervalos das crises, o indivíduo goza de sono reparador.

Crônica: A crise crônica tem duração superior a três semanas. Cafeína em excesso, estresse contínuo, uso de drogas lícitas e ilícitas e doenças emocionais estão por trás da insônia de longa duração.

Dificuldades para permanecer acordado

Dormir demais também é um problema. Os distúrbios mais conhecidos da hipersônia são:

Narcolepsia: Quadro de sonolência excessiva mesmo após uma noite de sono satisfatória. As crises surgem em momentos inusitados e perigosos, durante uma conversa ou ao dirigir. Suas causas ainda não estão claras. A teoria mais aceita é a morte de células produzidas pelo hipotálamo. Esta morte impede a produção do neurotransmissor hipocretina, cuja função é nos manter acordados. Alguns portadores apresentam paralisia do sono. Nesta situação, a pessoa fica até dois minutos sem se mexer ou falar, após dormir ou acordar. A narcolepsia  não tem cura.

Apneia do sono: A respiração para e volta abruptamente. Dados do Ministério da Saúde apontam que 33% da população tem apneia do sono. Existem dois tipos. Na apneia obstrutiva as vias respiratórias relaxam e se fecham. O nível de oxigênio no sangue cai.  A dificuldade em respirar faz a pessoa acordar de cinco a 30 vezes por noite. O despertar ocorre durante breves aberturas das vias respiratórias. Obesos e mulheres na menopausa são os mais atingidos. Na apneia do sono central o cérebro e os músculos da respiração não se comunicam. Insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC) são as causas da apneia do sono central.

Problemas para conseguir manter uma rotina regular de sono

Trabalhar em horários alternados ou viajar para locais com fuso horário diferente causam esta dificuldade. A síndrome de Jet Lag é a mais conhecida. Os viajantes não conseguem se concentrar durante o dia, dormir ou manter o sono. Os sintomas começam até dois dias após viagens aéreas com dois fusos horários. Os outros distúrbios são:

Insônia paradoxal: Muita gente ingere substâncias para não dormir. Entretanto, a psicóloga Luzimari Dantas esclarece que durante a insônia paradoxal o indivíduo tem leves momentos de sono. Eles são imperceptíveis porque os estímulos visuais e sonoros continuam a ser registrados. Pressão psicológica, abusar da internet e videogames faz as pessoas não perceberem a passagem do tempo. Irritação e ansiedade são os sintomas da insônia paradoxal.

Comportamentos incomuns durante o sono

Designados como parassônia, são mais frequentes em crianças. Os médicos ainda não esclareceram as causas. Os comportamentos mais comuns são:

Sonambulismo: O indivíduo se levanta e anda pela casa. Durante a crise, que dura aproximadamente 40 minutos, atividades variadas são desenvolvidas, adultos chegam a ligar o carro. O sonâmbulo não se lembra do que aconteceu.

Terror noturno: A pessoa senta na cama e grita. Deita-se pouco tempo depois. Também não se lembra de nada.

Distúrbio comportamental do sono REM: Os sonhos são vivenciados tão violentamente que pode ferir quem estiver por perto. Quem convive com pessoas vítimas desse distúrbio devem manter portas e janelas fechadas.

Enurese: Crianças com mais de 5 anos urinam na cama. Ausência de hormônio antidiurético pode ser o responsável pelo distúrbio. A reposição deste hormônio e psicoterapia são os pilares do tratamento.

A médica Stella Márcia Azevedo Tavares esclarece que as crianças não podem ser acordadas. De acordo com a profissional, os distúrbios mesclam estágios de sono profundo e vigília. Manter a calma e esperar é o melhor a fazer nos casos de sonambulismo e terror noturno. Geralmente, os problemas desaparecem sozinhos. Nos adultos, o sonambulismo é proveniente de problemas emocionais. Psicoterapia ajuda a descobrir as origens deste transtorno.

  • Os sonhos e os distúrbios do sono

shutterstock_184539221Entender os sonhos pode explicar os distúrbios do sono. Segundo a teoria desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, os sonhos são elos entre o inconsciente e o consciente. As experiências vividas no dia tornam-se mais importante e são revividas nos sonhos. É possível atrelar os sonhos com conflitos emocionais, de acordo com a psicóloga Eliane Walther.

Para Jung, os sintomas desses distúrbios não devem ser eliminados de uma vez. Há necessidade de realizar um trabalho de autoconhecimento. Resolvendo os conflitos emocionais, o indivíduo livra-se das tensões e consegue dormir sem sobressaltos.

Diagnóstico

O clínico geral está apto a diagnosticar. Entretanto, existem médicos especializados em sono. O Instituto do Sono, fundado em 1992 na cidade de São Paulo é ligado a AFIP (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa). O IS é reconhecido mundialmente em diagnósticos, tratamentos e pesquisas sobre distúrbios do sono. A publicação da tese de doutorado do professor Sergio Tufik (presidente da instituição) nos anos 70 foi o ponto de partida para as pesquisas da AFIP.

A polinossonografia é o principal exame para diagnosticar os distúrbios do sono. Ela possui três ramificações. O exame Split-Night, Teste das Latências Múltiplas do Sono (TLMS) e Teste da Manutenção da Vigília (TMV) também fazem parte da bateria de exames. Nenhum deles é invasivo. Vamos conhecer cada um deles?

Polissonografia (adultos e crianças)

O exame registra o sono do paciente em condições normais. Sensores investigam o padrão vigília/sono. Várias atividades eletrofisiológicas são analisadas simultaneamente: atividade elétrica cerebral (eletro-encefalograma), movimento dos olhos (eletro-oculograma), atividade dos músculos (eletromiograma), frequência cardíaca, fluxo e esforço respiratório, oxigenação do sangue (oximetria), ronco e posição corpórea. Indutor do sono é usado somente com indicação médica.

Polissonografia (bebês de até 1 ano)

É semelhante ao exame realizado em crianças mais velhas. Pode ser feito durante o dia, com duração mínima de duas horas. A polissonografia avalia o amadurecimento do eletroencefalograma. Também são avaliados o padrão respiratório e a oxigenação do sangue. O exame ainda investiga a existência de atividade epiléptica, presença de apneias e movimentos anormais durante o sono.

Polissonografia para titulação de CPAP

Este exame é realizado quando há confirmação da Apneia Obstrutiva do Sono. Para esta polissonografia o paciente passa a noite no instituto. A pessoa utiliza uma máscara que mede a pressão ideal para acabar com apneias, hipopneias, ronco e despertares. Antes de adormecer, o paciente fica um tempo com a máscara para se acostumar.

Na polissonografia para titulação de CPAP poderão ser feitas as mesmas análises da polissonografia convencional. A utilização de indutor do sono também é feita somente sob indicação médica.

Exame “Split-Night”

Exame realizado em duas etapas. Na primeira é para analisar a existência da Apneia Obstrutiva do Sono. Na segunda é usado o CPAP. Neste exame, o paciente também utiliza uma máscara. Começa como uma polissonografia convencional. Na metade do sono, o profissional coloca a máscara no paciente e após, inicia o processo de titulação do CPAP. Poderão ser feitas as mesmas análises da polissonografia convencional. A utilização de indutor do sono também é feita somente sob indicação médica.

Teste das Latências Múltiplas do Sono (TLMS)

O Teste das Latências Múltiplas do Sono é fundamental para o diagnóstico da narcolepsia (sonolência excessiva mesmo após noite de sono satisfatória). Antes deste exame pode ser solicitada uma polissonografia de noite inteira. Realizado durante o dia. O TLMS consiste em cinco registros polissonográficos. O paciente fica deitado em uma sala silenciosa e escura. Cada apontamento dura 20 minutos e o paciente dorme durante cada um. Há um intervalo de duas horas entre um e outro, onde a pessoa não pode dormir. Poderão ser feitas as mesmas análises da polissonografia convencional. A utilização de indutor do sono também é feita somente sob indicação médica.

Teste da Manutenção da Vigília (TMV)

O Teste da Manutenção da Vigília investiga se o paciente mantém-se desperto em local calmo e sem interrupções por algum período. São realizados quatro registros polissonográficos. Cada um dura 40 minutos e o paciente fica sentado em uma sala silenciosa e escura. Há intervalo de 1h20 entre cada registro e a pessoa não pode dormir. Antes do TMV pode ser solicitada uma polissonografia de noite inteira.

Para uma noite tranquila

Dormir mal é a realidade de várias pessoas. Para evitar os distúrbios do sono, vejam algumas dicas para ter uma noite tranquila:

  • Ingerir cafeína e bebidas alcoólicas até seis horas antes de dormir.
  • Durma sempre no mesmo horário, até no fim de semana
  • Faça lanches leves três horas antes de dormir
  • A temperatura ambiente deve ficar entre 18 e 19 graus
  • Caso não consiga dormir em meia hora, não fique rolando na cama. Ouça músicas relaxantes ou leia
  • Não assista televisão, nem use celular ou computador no quarto. Isso interrompe a produção de melatonina. O hormônio é produzido assim que escurece

Se você já apresenta algum distúrbio do sono, procure ajuda médica. Caso contrário, siga nossas dicas. O sono é sagrado.


  • Escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]