Nutrição

Sálvia: Para que Serve, Benefícios Mentais

Folhas de sálvia dentro de um cesto de palha.
Ivan Dzyuba / 123rf
Lucas Zappia
Escrito por Lucas Zappia

A Sálvia é uma planta da família da menta, junto com outra ervas como orégano, alecrim, manjericão e tomilho. Sálvia tem seu nome derivado do latim salvere, que significa salvar ou curar. Durante a Idade Média essa erva tinha uma reputação por ter propriedades medicinais e foi usada para ajudar a prevenir a peste bubônica ou peste negra. De fato, a sálvia tem propriedades antibactericidas e antifungos que ajudam a esterilizar alimentos. Ela é usada até hoje por muitas culturas em rituais de purificação corporal e espiritual.

Em função de sua reputação como uma planta que nossos ancestrais usavam frequentemente quando buscavam uma melhora cognitiva, hoje existem diversos estudos para testar essa teoria. Em quase todos os casos, tanto em estudos de longo quanto de curto prazo, em animais e humanos, as evidências são fortes e sustentam essa hipótese.

Lotada de nutrientes, apenas uma colher de chá (0.7g) de sálvia contém 10% do valor diário recomendado de vitamina K e cerca de 1% dos valores diários de Vitamina B6, Ferro, Cálcio e Manganês. Para tão pouco volume, a sálvia concentra uma alta dose de micronutrientes essenciais para o corpo.

Sálvia também tem uma escalação substancial de neuronutrientes: 160 distintos polifenóis, flavonoides e ácidos fenólicos. Esses compostos são antioxidantes poderosos que ajudam no equilíbrio do colesterol, reduzem o risco de câncer e protegem o cérebro contra o estresse oxidativo e acumulação de placa beta amiloide que leva a demência e câncer em idade avançada.

Além de ser um poderoso anti-inflamatório, antioxidante e agir na prevenção de Alzheimer, a sálvia se destaca por sua capacidade de melhorar a memória de curto e longo prazo, até em jovens saudáveis depois de uma única dose.

Diversos estudos apontam a capacidade de melhora na retenção de conteúdo e velocidade de resposta. Entre 2003 e 2005, grupos de pesquisadores fizeram testes com voluntários de diversas idades, administrando doses crescentes de extrato de sálvia e testando sua capacidade cognitiva com diferentes testes.

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Os estudos tinham testes de memória padronizados que mediam o desempenho dos voluntários antes do consumo de sálvia e 1, 2.5, 4 e 6h após o consumo. Em todos os testes após o consumo, até nas dosagens mais baixas, os resultados dos testes foram melhores. O destaque da melhora foi com relação à velocidade da memória, em que o participante tem que lembrar de palavras escritas ou faladas imediatamente e após diferentes intervalos de tempo.

Uma das explicações para essa melhora cognitiva é a supressão de AChE, uma enzima que cataboliza, ou seja, destrói, o neurotransmissor acetilcolina. Esse neurotransmissor é importante em sinapses relacionadas a atenção, memória, aprendizado e motivação. A acetilcolina também ajuda a modular o cérebro para entrar em estado de sono profundo reparador.

Em um desses estudos, os participantes também foram avaliados subjetivamente pelo seu estado de humor depois do consumo. Nas dosagens mais altas os participantes afirmavam estarem mais alertas, calmos e satisfeitos. Nas dosagens mais baixas apenas as notas de estado de calma estavam maiores.

Resumo dos benefícios para a mente:

  • 160 diferentes polifenóis antioxidantes protegem o cérebro contra estresse oxidativo
  • Supressão da enzima AChE aumenta os níveis de acetilcolina
  • Uso pontual melhora de função cognitiva e velocidade de memória
  • Possível correlação com melhora de humor e estado de alerta

Existem muitos outros temperos, que você talvez já conheça, que trazem benefícios para memória, atenção, humor e disposição. Descubra mais com o e-Book gratuito 6 Temperos para a Mente.

Folhas de sálvia.
Valentina Gabdrakipova / 123rf

Ideias para incluir sálvia na sua dieta:

A minha maneira preferida de usar sálvia é incorporar ela na manteiga e ter uma manteiga composta que posso usar em vários pratos. Manteiga de sálvia é uma combinação culinária clássica de sabores.

  • Derreta uma barra de 200g de manteiga em fogo baixo
  • Pique 20-30g de sálvia fresca e adicione a manteiga derretida
  • Não deixe a manteiga ferver, mantenha o fogo baixo e desligue se necessário
  • Faça a infusão da sálvia por 5-10 minutos
  • Despeje a manteiga líquida em um recipiente sem coar a sálvia
  • Deixe esfriar e use em outros pratos e preparos

Você também pode aproveitar para incorporar outros temperos nessa manteiga, como alho, pimenta do reino e alecrim.

Sálvia, tanto seca quanto fresca, também pode ser usada para temperar molhos à base de tomate, sopas cremosas e carnes.

Referências:

https://link.springer.com/article/10.1007/s40268-016-0157-5

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12895685/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18350281/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12895683/

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1046/j.1365-2710.2003.00463.x

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15639154/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12605619/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28301805/

Sobre o autor

Lucas Zappia

Lucas Zappia

Empreendedor, montanhista e apaixonado por desenvolver as incríveis capacidades do corpo e da mente. Sou formado em administração de empresas, trabalhei em uma das áreas mais exigentes do mercado financeiro, fundei duas empresas no ramo de nutrição e já escalei algumas das maiores montanhas na Europa e nas Américas.

Criador do Neuro Food, meu programa sobre nutrição cerebral que ensina tudo sobre como usar o poder dos neuronutrientes de comidas comuns para elevar o nível de performance mental.

Minha missão é ajudar profissionais e estudantes ambiciosos a alcançarem níveis diferenciados de performance e bem-estar da maneira mais simples e mais fácil possível.

O foco de todo o conteúdo do Neuro Food é ajudar pessoas como você a ter melhoras significativas no funcionamento cognitivo em aspectos como memória, função executiva, aprendizado, concentração, relaxamento, e muitos outros.

Depois de anos estudando os hábitos e rotinas dos meus ídolos, empreendedores, atletas, investidores, artistas e escritores, eu percebi que todos eles, sem exceção, tinham uma compreensão de como a alimentação podia afetar a produtividade e felicidade. A partir disso, busquei os fundamentos por trás das práticas e descobri toda uma literatura científica sobre como certos compostos presentes em alimentos comuns podem oferecer ganhos na nossa saúde e desempenho mental.

Eu chamo esses compostos de neuronutrientes. Me dediquei a estudar e testar em mim mesmo e em pessoas próximas o que eu descobria. Os resultados são impressionantes.

Não sou médico, cientista ou nutricionista. Vivo uma vida corrida equilibrando trabalho e estudos, mas passei a me dedicar à missão de ajudar pessoas como você a chegarem mais longe nos seus objetivos e contribuírem cada dia mais no seu projeto de vida. Minha contribuição com o Neuro Food é trazer todo esse conhecimento científico ao dia a dia de pessoas como eu e você e aplicar isso da maneira mais simples possível: com os alimentos que você já come.

Além de comer de maneira saudável para longevidade, estética e performance atlética, nosso objetivo nem sempre é de adicionar mais anos à nossa vida. Às vezes queremos ter mais vida nos nossos anos. Isso quer dizer mais tempo livre com nossa família e amigos, nos projetos pessoais que nos dão propósito, na evolução de nossa carreira, para aprender coisas novas e ter energia e tempo para aproveitar nossa vida. É com esse foco em mente que desenvolvi o programa compreensivo do Neuro Food.

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