Saúde Integral

9 coisas que você não sabe sobre a depressão

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Adepressão é considerada o mal do século. É uma das doenças que mais afastam funcionários. Este transtorno mental afeta 350 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em terras brasileiras, um em cada dez tem o distúrbio. Desemprego, problemas familiares, afetivos e perda de alguém querido são portas de entrada para o transtorno. Entretanto, níveis elevados de cortisol é outro fator ligado à depressão.  

Controlar o estresse é uma das funções desse hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins. O cortisol está ligado a serotonina, hormônio responsável pelo bem-estar. Segundo pesquisa feita na Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha), adolescentes com alta concentração de cortisol é catorze vezes mais propenso a desenvolver o problema.

Os sintomas são bem conhecidos: desânimo, tristeza, pensamentos negativos, alterações no sono ou apetite, fadiga, dificuldades de concentração e a perda de interesse pela vida.
Para o diagnóstico se confirmar é necessário a presença de cinco sintomas diariamente por duas semanas. O tratamento envolve terapia e medicamentos nos casos mais graves. Mudanças de hábitos como parar de fumar, beber, adotar uma alimentação saudável e praticar atividade física também integram a lista de procedimentos terapêuticos.

Doença de todo o corpo

A depressão afeta o corpo todo. O psiquiatra Rodrigo Leite, o distúrbio afeta o sistema imunológico, altera os batimentos cardíacos e provoca o acúmulo de gordura no sangue. Jovens mulheres depressivas apresentam catorze vezes mais riscos de desenvolverem problemas cardíacos, de acordo com estudo da Universidade de Medicina de Emory e publicada no periódico Archives of General Psychiatry em 2011.

Depressão x relógio biológico

A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos descobriu que o transtorno altera o ciclo circadiano (ou relógio biológico). O ciclo controla o sono, humor, digestão e o apetite. Em pessoas depressivas, o relógio biológico funciona ao contrário: durante o dia, o organismo trabalha como se fosse noite e vice-e-versa. Os pesquisadores estudaram 55 cérebros saudáveis e 34 de pessoas depressivas.  Os órgãos foram doados logo após a morte do paciente. O estudo abriu caminhos para o desenvolvimento de tratamentos.

Má alimentação

Alimentação errada também contribui. Consumir fast food, açúcar e refrigerante aumenta o risco de ter depressão. Dieta rica em verduras, legumes, peixes, nozes e castanhas reduz em até 30% a chance de ter o distúrbio. Este grupo de alimentos são fontes de vitamina B, ácido fólico e zinco, substâncias que melhoram a saúde cerebral.

Depressão e AVC

Quem teve e tratou corretamente a depressão tem mais riscos de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Pesquisadores da Universidade de Harvard monitoraram 16 mil adultos acima dos 50 anos por nove anos. Os voluntários responderam questionários sobre histórico clínico, incluindo sintomas depressivos. Ao término da pesquisa, os que relataram três sintomas do distúrbio por quatro anos seguidos estavam 114% mais propensos a terem um AVC. A relação entre depressão e AVC ainda não está clara, mas, os pesquisadores acreditam que tabagismo, alcoolismo e sedentarismo – comuns em indivíduos depressivos – sejam explicações para esta ligação.

Depressão pós-parto

Algumas mulheres sentem-se tristes e irritadas três dias após o parto. Os sintomas duram de uma semana até quinze dias e somem espontaneamente. A depressão pós-parto tem início quatro semanas depois e a mãe não dá conta das atividades diárias. A queda vertiginosa de estrógeno e progesterona após o parto é uma das explicações. Histórico de depressão, gravidez não planejada ou desejada também estão relacionados ao problema.  A mulher não se sente capaz de cuidar do bebê, apresenta alterações no apetite e no sono, tem ataques de pânico e não se preocupa em reassumir seu posto profissional ao final da licença maternidade.

O diagnóstico pode ser feito ainda durante a gestação por intermédio de um exame de sangue. Estudiosos do hospital Johns Hopkins (Estados Unidos) alegam ter descoberto modificações em dois genes que dizem se a mulher desenvolverá o transtorno após o parto.  O tratamento da depressão pós-parto inclui terapia e medicamentos. Existem remédios que passam menos substâncias para o leite materno. Médicos recomendam não oferecer o leite após tomar a medicação, devido a maior concentração de componentes.

É importante diferenciar depressão pós-parto e psicose puerperal. Este é mais raro e seu início ocorre na primeira semana após o nascimento. Na psicose, há perda da realidade, a mulher ouve vozes, tem delírios e acredita ter super poderes, ao ponto de se atirar da janela com a criança. O infanticídio (assassinato de crianças) ocorre em 4% dos casos de psicose puerperal.

Depressão infantil

Nas crianças, o distúrbio surge a partir dos 4 anos. O número de casos entre crianças e adolescentes cresce em todo o mundo. No Brasil, estima-se que de 1 a 3% das pessoas entre 0 a 17 anos sofram com o problema. Morte de um ente querido, bullying e violência mental, física e psicológica são os gatilhos para a depressão infantil. Contudo, as várias atividades extraclasse e o  uso indiscriminado de aparelhos eletrônicos também são fatores que contribuem.

Crianças filhas de pais depressivos apresentam cinco vezes mais chances. Portadores do Déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é outro elemento de risco para os pequenos. Pesquisas feitas pelo Hospital das Clínicas (SP) em 2012 atestam que 50% das crianças com TDAH terão pelo menos um quadro depressivo na vida. O tratamento até os 9 anos é exclusivamente terapia. Após esta idade, são admitidos medicamentos.

Veja os sintomas mais comuns de depressão em crianças:

  • Ansiedade
  • Queda no rendimento escolar
  • Perda de interesse em ir à escola e brincar com os amigos
  • Sentimento de rejeição
  • Dor de barriga, de cabeça ou nas pernas
  • Atitudes destrutivas e antissociais
  • Não controlar a urina e as fezes

A depressão é um dos distúrbios mentais mais conhecidos.  Ela não é restrita apenas a psicologia Apesar de ser muito discutida, há pouco conhecimento. Vários mitos cercam o problema e os pacientes de preconceitos. Vamos esclarecer um a um e ajudar a esclarecer suas dúvidas.

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1. Tristeza não é sinônimo de depressão

Embora a tristeza seja um dos sintomas, nem sempre ela está presente. A cena da pessoa depressiva que chora 24 horas e vive se lamentando não é unanimidade. Familiares e amigos do ator Robin Williams, que era depressivo e morreu em 2014 relataram que nunca o viram triste. Em alguns casos, o paciente pode ter acessos de raiva e mau humor constante. Cada caso é um caso e deve ser investigado individualmente.

2. Pode ir ao clínico geral

Nessa falta de conhecimento, muitas pessoas desconhecem que podem procurar um clínico geral. O especialista analisará os sintomas e encaminhará ao psicólogo ou psiquiatra. Procurar orientação médica assim que perceber sinais da depressão facilita o tratamento.

3. Depressão masculina

Questões hormonais tornavam as mulheres mais propensas ao problema. Vários estudos apontavam a proporção duas mulheres com depressão para um homem deprimido. Os homens também sofrem, entretanto, a depressão masculina é ignorada por questões culturais. Ainda existe a crença de que os homens não podem demonstrar fragilidade ou fraqueza. Confira os sinais mais comuns de homens depressivos:

  • Fadiga
  • Disfunção erétil
  • Dor nas costas ou de estômago
  • Dificuldade de concentração
  • Indecisão
  • Uso de drogas lícitas ou ilícitas
  • Ansiedade
  • Irritabilidade, raiva ou hostilidade
  • Pensamentos suicidas
4. Não é coisa apenas da terceira idade

As alterações hormonais na menopausa é fator de risco. A solidão sentida pelos idosos é outro elemento que desencadeia a depressão. Porém, jovens também pode sofrer com o distúrbio. Predisposição genética, dificuldades nos relacionamentos, contato com drogas são fatores que deixam pessoas de todas as idades expostas a este grave problema.

5. Sintomas de depressão nem sempre querem dizer depressão

Alterações no sono ou na alimentação são traços comuns. Mas, nem sempre são indícios de depressão. Ansiedade antes de uma prova ou processo seletivo, tristeza por conta do término de um relacionamento provocam tais sintomas. Problemas na tireoide também podem desencadear esses problemas.   

Para confirmar o diagnóstico, o indivíduo precisa apresentar no mínimo cinco dos seguintes sintomas por duas semanas: desânimo, tristeza, pensamentos negativos, alterações no sono ou apetite, fadiga, dificuldades de concentração e a perda de interesse pela vida.

6. Mau humor e reclamações constantes não são traços de personalidade

Tem gente que reclama de tudo. Há quem faça pouco caso e diga “não liga não, ele é assim mesmo”. Porém, o mau humor e reclamações constantes não podem ser vistas como fatores sem importância. A este quadro chamamos distimia. Este tipo de depressão é caracterizada pela baixa estima, comentários de autodesqualificação e valorização da negatividade. Se você apresenta os sintomas, ou conhece alguém com esses sinais, saiba que orientação psicológica é fundamental para o tratamento correto.

7. Menstruação precoce e depressão

Meninas que menstruam antes dos 12 anos são mais propensas a ter depressão durante a adolescência. Segundo estudos das Universidades de Bristol e Cambridge (ambas na Inglaterra), as mudanças biológicas, cognitivas e sociais ocorridas na puberdade provocam conflitos com os pais e em relação ao próprio corpo. Se a garota que menstrua aos 12 anos não está preparada para enfrentar tantos conflitos, o que dirá uma menina de 9 anos. Este despreparo leva as meninas a se isolarem, por sentirem que estão distante demais de suas amigas.

8. Tratamento com remédios levam tempo

Os remédios não fazem efeito de uma hora para outra, nem trazem felicidade, apenas tratam os sintomas. O médico avalia constantemente a evolução do tratamento. O tratamento medicamentoso é bem sucedido na maioria dos casos. Ainda assim, não são raros os efeitos colaterais. Os sintomas precisam ser investigados e em alguns casos, o profissional opta por mudar o medicamento. As reações mais comuns são:

  • Boca seca
  • Náuseas
  • Sonolência ou insônia
  • Dor de cabeça
  • Visão borrada
  • Fadiga
  • Tremores
  • Problemas urinários
  • Constipação
  • Diminuição do apetite sexual
9. Recaídas

Elas são comuns. Aproximadamente 80% dos pacientes apresentarão quatro episódios do transtorno ao longo da vida. No primeiro ano de tratamento, 1/3 dos pacientes desenvolvem novo quadro de depressão. No entanto, as recaídas não indicam que o indivíduo tomará medicamentos por toda a vida toda. O tratamento é monitorado e o médico vai diminuindo a dosagem conforme os progressos.

Depressão não é frescura, nem fraqueza moral. O transtorno não escolhe gênero, idade nem classe social.
Predisposição genética, conflitos internos, disfunções hormonais, má alimentação, problemas familiares e financeiros são as causas mais conhecidas. O tratamento envolve terapia e medicamentos. O mal do século possui muitas facetas. Uns não conseguem sair da cama, outros ficam super irritados.

Os sintomas variam bastante, mas, a verdade é que a depressão é o choro da alma. O preconceito em torno da doença e dos doentes torna a situação ainda mais difícil. As mulheres que acabaram de dar à luz são acusadas de serem mães relapsas. Os homens veem sua masculinidade posta à prova, pois, afinal de contas “homem não chora”. As crianças cada vez mais sobrecarregadas de atividades, impostas pela vaidade dos pais desestabilizam os pequenos.

O assunto é discutido, porém, muitas pessoas não possuem conhecimento. A ignorância mantém os mitos e preconceitos sobre este distúrbio. O senso comum complica ainda mais o já abalado emocional do paciente que sente vergonha de sua condição. Familiares e amigos podem e devem buscar informações nos sites especializados em psicologia, a fim de alterarem seus entes queridos sobre a importância de procurar ajuda médica.

Não existe cura para a depressão.
Com a terapia, o paciente aprende a reconhecer seus problemas, lidar com eles, e, sobretudo, visualiza suas qualidades e volta a viver com qualidade de vida. Os medicamentos controlam os sentimentos e são retirados aos poucos. É preciso frisar que o indivíduo que teve um episódio depressivo precisa estar sempre alerta, assim como o portador de qualquer doença.

A depressão é um mal moderno. As pressões cotidianas podem nos fazer sucumbir. Entretanto, ele não é maior que ninguém. O distúrbio pode ser vencido com tratamento adequado, adoção de hábitos saudáveis (alimentação, exercícios físicos, parar de beber e fumar), conhecimento sobre o problema e muito amor. Com esta união de fatores o paciente se fortalece e renasce para uma vida plena.


Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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