Autoconhecimento Convivendo Espiritualidade

Espiritualidade e Realidade

Ilustração de mulher de perfil, com a parte de trás dele se decompondo em pequenos pontos de luz coloridos.
123rf/tongdee
Anne Moon
Escrito por Anne Moon

A espiritualidade tem se intensificado mais e mais a cada dia, as pessoas têm demonstrado bastante interesse em melhorar como ser humano, no aspecto espiritual, buscando um direcionamento na fé. Seja a pessoa cristã, judia, islâmico, hindu, budista, espírita, ou até universalista… Todas essas religiões têm suas versões sobre como ter uma boa convivência com o próximo, como levar uma vida honrada, com paz, ter uma vida bem leve, como aproveitá-la de forma plena, fazer valer a nossa existência nesse plano.

A espiritualidade surgiu na ânsia do ser humano de buscar respostas para qual seria seu propósito na vida, de onde viemos e para onde vamos.

Eu acho isso muito interessante, pois, com esse número aumentando cada vez mais, as pessoas estão percebendo que há coisas para as quais não há explicações lógicas.

Seis velas pequenas, divididas em duas fileiras com três cada, trilhando o caminho até uma vela grande. Todas estão acesas.
Pxfuel

A espiritualidade também é uma ferramenta para o aspecto profissional, pois todas as crenças abordam de alguma forma a prosperidade e, dependendo da sua crença, isso vai influenciar muito em seu trabalho, seja para fechar contrato, parcerias, sociedade, como será a sua ética profissional, como será gerenciada a sua carreira, seu negócio, projetos, cada colaborador e cada colega seu.

Ela é uma parte muito importante nas nossas vidas, nos traz alguns valores necessários para a nossa formação como um cidadão, então é algo essencial.

Nem preciso dizer que esse é um ponto muito importante na minha vida, né? Apesar de eu ser bem cética, aceito que existem coisas que não compreendo, que não são palpáveis.

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Já contei em um artigo antigo sobre como eu trouxe esse lado mais espiritualizado, holístico, mas há detalhes que eu não havia contado. Como vocês sabem, apesar do meu ceticismo, sempre respeitei todas as religiões, todo o tipo de fé, porque é algo muito pessoal e, lá na minha fase dos 16 ou 17 anos, comecei a estudar as várias religiões, pois queria saber o que elas falavam sobre autoconhecimento, equilíbrio, harmonia e como manter o foco. Naquela época eu tinha tirado Dark Wings da gaveta para reescrever, estava no último ano do Ensino Médio e iria prestar vestibular, então foco e concentração eram muito necessários.

Só me lembro de digitar na barra de pesquisa do maravilhoso Google “música para foco e concentração”, aí fiquei nesse looping de músicas celtas e mantras, terapias holísticas, vídeos de meditação guiada, até que parei em vídeos assim, bem aleatórios sobre o que era meditação, o que eram mantras. Apareceram vários vídeos de recomendação sobre o que era budismo, quem era Buda, reencarnação, nesse meio aí tinha até uns vídeos de uma monja bem conhecida falando sobre isso… Quando percebi, já estava lendo sutras, artigos de monges, vários campos do mundo esotérico e percebi que tudo isso faz sentido.

Eu sempre tive contato com a espiritualidade, meu pai sempre foi uma pessoa bastante espiritualizada, desde criança eu tenho esse interesse, gostava de ouvir histórias indígenas, cultura xamânica (pela minha ancestralidade), essa coisa de me conectar com a minha ancestralidade também, a minha curiosidade com culturas médio-orientais, principalmente budismo, sobre a questão da reencarnação, então pode se dizer que eu já tinha um pé dentro da espiritualidade.

Ilustração de silhueta de mulher sentada com as pernas cruzadas, em uma superfície com círculos que se abrem como anéis em volta dela.

Acredito que seja uma boa ferramenta para as nossas vidas, nos ajuda a dar leveza no dia, mas nesse artigo eu queria discutir duas coisas:

  1. É possível unir a espiritualidade com a realidade?
  2. O que seria espiritualidade e o que seria ilusão?

Uns pensam que não tem como unir espiritualidade com a realidade. Chegam a imaginar ser algo muito utópico, sendo que é uma forma mais ampla e nova de se ver o mundo. Traz uma mudança de estilo de vida que faz bem a todos, traz uma leveza na vida, nos faz tirar de nossas vidas a ideia de que temos que ter respostas para tudo, de que tudo tem que ter alguma lógica. Somos tão cobrados para sempre termos alguma resposta e ainda há cobrança para se ter a resposta certa, ou é julgamento na certa. Será que temos que ter uma resposta para tudo? Temos que saber de tudo?

Dizem que os sábios são aqueles que tÊm a coragem de falar “Não sei”, e é verdade, quantas pessoas têm coragem de admitir isso?

Quantas vezes pessoas já não te olharam com desdém por você não saber sobre determinado assunto?

Tem que ter hombridade para admitir isso, pois o ego, quando fala muito alto, não deixa, seria humilhante, não seria? Dá aquela sensação de impotência, certo?

Não estou falando de se acomodar, de ser mediano, que não precisa aprender coisas novas. Não é isso, mas sim de tirar essa pressão, esse apego pela aparência de “sabe-tudo”, esse ego exacerbado que nos limita, cria máscaras, não permite que a gente veja, afinal, “eu tenho uma boa bagagem de conhecimento e quero e sei que tenho muito mais a aprender”. Ou seja, é preciso ter a noção de que sempre temos coisas a aprender e que isso nunca acaba. O tolo diz saber de tudo, mas o sábio tem noção de que não sabe de tudo e que ainda há coisas que precisa aprender e tem consciência de que esse aprendizado é eterno.

Então veja a espiritualidade como um novo conhecimento, um tipo de conhecimento que te faz questionar as coisas a sua volta, que traz uma visão alternativa para várias situações na vida.

Por exemplo, a terapia holística. Falei em um artigo sobre um estudo da psicanálise que diz que boa parte das doenças tem origem emocional. O que a terapia holística faz é tratar logo pela raiz, as emoções. Se não me engano, a própria psicanálise faz o uso dessa técnica. Além do mais, até o fator ancestralidade é investigado.

*Ancestralidade é um conjunto de fatores hereditários, familiares que influenciaram – consciente ou inconscientemente – quem somos.

Mão esticada em direção ao sol no céu, que está cercado por nuvens.
Pixabay/Gerd Altmann

A espiritualidade pode, sim, ser incorporada em nossas vidas. Então, não. A espiritualidade não é algo utópico, não fica tão distante da nossa realidade.

O que não podemos é confundir espiritualidade com ilusão. Eu falo isso por que é comum quando você está iniciando na espiritualidade, tudo é novo, a pessoa está começando a despertar, deve tomar cuidado para não cair em armadilhas de achar que sabe tudo e cair em uma ilusão de que tudo é espiritualidade, sempre algo muito psicodélico… Bom, cada um tem o seu ponto de vista, mas vamos separar as coisas para não cair nessa armadilha, certo?

Não podemos confundir espiritualidade com ilusão. Falo isso para sermos mais pé no chão, porque para cair em armadilhas e se iludir é muito fácil, ainda mais para quem está começando a despertar. E mesmo depois de anos de espiritualidade tem que haver essa análise, esse discernimento para evitar se equivocar.

Por exemplo: você tem uma decisão a tomar, seja lá o que for: ir em determinado lugar; fechar negócio ou alguma atitude que você tem que tomar na sua vida pessoal e profissional… Aí vem aquele pensamento de “Será que eu devo fazer determinada coisa?”, ou “E se eu for nesse determinado lugar, pode acontecer algo ruim?”

E aí? Como saber se é um sinal ou se é uma história que a sua mente está criando? Esse é um exercício que eu realmente coloco em prática, autoanálise. Como meu corpo e minha mente estão reagindo em relação a isso, buscar raciocinar sobre se há fatos que comprovem que aquilo tem sentido.

A autoanálise faz parte do autoconhecimento, para saber quando a sua mente está criando histórias. O universo dá sinais sim, a espiritualidade funciona, mas não é que nem o Google, um clique e pronto, tudo nas suas mãos. Temos que ter um preparo e existe a hora certa para receber todo esse conhecimento, e aí é prática, treino de anos para poder avançar e discernir “ilusão” e “espiritualidade”.

Imagem de silhueta meditando, com mandalas de luz saindo da cabeça e expandindo ao redor.
Pixabay/Okan Caliskan

Aproveitando que estou falando sobre espiritualidade, preciso falar sobre ter cuidado com coisas que são “sem sentido”. Eu tinha falado sobre tomar cuidado para não achar que tudo é espiritual. Por exemplo: aquelas propagandas tentadoras prometendo te fazer uma pessoa rica, ou trazer um amor de alma, com apenas um passo. “Dê um pulo, um grito e fique rico”, “Cruze as pernas, beba um copo de água e encontre seu amor de alma”, sendo que não é assim que a espiritualidade funciona. A água, como um elemento natural que, sim, limpa e purifica nosso corpo, nossas células, existem vários rituais de vários tipos com água, mas aí é um outro caso. Eu sou daquele pensamento de que a espiritualidade deve ser pé no chão, não deve ser irreal. Por exemplo: faça as suas preces, sonhe, sim. Eu faço as minhas preces todos os dias, tenho os meus rituais, os meus sonhos e objetivos, jogo e solto para o universo, mas se eu não anotar em um caderno como metas todos os passos para a realização de tudo isso, o prazo, não acontece. Seja um idealizador, use a espiritualidade como uma forma de trazer leveza na sua vida, uma forma mais ampla de ver as coisas e coloque tudo isso em prática, seja uma pessoa executora.

Gratidão a você que leu esse artigo!

Por Anne Moon. São Paulo, 16 de janeiro de 2020.

Sobre o autor

Anne Moon

Anne Moon

Anne Moon é uma escritora graduada em letras que nasceu e mora em São Paulo com seus pais e com o irmão mais velho. Desde criança adora escrever e contar histórias. Antes dos 10 anos já havia escrito duas histórias de ficção e uma biografia, e aos 14 anos começou a escrever o primeiro volume, “The Rise of the Fallen”, da série de livros “Dark Wings”

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