Saúde Integral

Plantas medicinais para cultivar em casa

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Plantas medicinais são as espécies com propriedades terapêuticas. Elas são utilizadas na produção de remédios. Existem três formas de preparar remédios naturais:

  • Infusão: água fervente sobre a planta, a água absorve os princípios ativos. A infusão é considerada a forma mais eficaz de absorver os benefícios.
  • Decocção: ferver a água com a planta por cinco minutos.
  • Maceração: deixar a planta em contato com álcool ou óleo frio por alguns dias.
O uso de plantas como medicamentos remete aos tempos antes de Cristo.

A farmacopeia do Egito de 2600 a.C registrava 700 espécies. Entretanto, um dos primeiros livros sobre plantas medicinais é a obra “Matéria Médica”, obra dividida em cinco partes. O material foi escrito no século I pelo médico grego Dioscórides, tido como o pai da farmacologia. O prefácio já indica o caráter do material “sobre a preparação, propriedades e testes das drogas”. Na obra estão descritas 600 plantas. A mandrágora era uma delas. O arbusto citado na bíblia dá frutas em forma de porrete e exalam cheiro muito forte. A mandrágora tem propriedades afrodisíacas, alucinógenas, narcóticas e analgésicas.

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Embora seja a precursora da farmacopeia moderna (arte e a técnica de preparar medicamentos) “Matéria Médica” é puramente empírico, ou seja, não é baseado em bases científicas. Dioscórides observava, classificava e testava clinicamente as plantas. Ainda assim, o livro foi traduzido para o latim e para o árabe.

Na Antiguidade, a aparência da planta determinava qual era sua serventia. Plantas em formato de coração eram utilizadas para tratar doenças cardiovasculares. Outro método de observação era o comportamento dos animais após comerem plantas medicinais. No século 17, químicos concluíram que substâncias nas raízes, folhas e caules determinam o efeito terapêutico de alguns vegetais. Cada elemento do princípio ativo é um fármaco. Em terras brasileiras, os índios foram os grandes divulgadores do poder das plantas medicinais.

No século 19, cientistas isolaram o primeiro fármaco vegetal. Na metade do século 20, o estudo sobre plantas medicinais avançou, graças ao desenvolvimento da química orgânica e as novas técnicas de extração. Este movimento deu origem a vários remédios fabricados atualmente pela indústria farmacêutica.

Plantas medicinais brasileiras

Aproximadamente 90 plantas são cientificamente comprovadas como medicinais. Delas são retirados 120 fármacos utilizados em medicamentos.
A rica flora brasileira tem algumas representantes. O jaborandi (Pilocarpus jaborandi) é uma delas. Nativa da Amazônia é velha conhecida dos indígenas. Eles utilizavam como antídoto e para tratar feridas na boca. O jaborandi também combate queda de cabelo. A indústria farmacêutica utiliza o fármaco dessa planta em medicamentos para o glaucoma. A pariparoba (Pothomorphe umbellata) é nativa da mata Atlântica. Conhecida também como capeba do campo, lençol de santa bárbara, manjerioba, caena e catajé. O chá do “elixir da juventude” é bom para azia, indigestão e prisão de ventre. A planta ainda protege contra os raios ultravioletas. A estévia (Stevia rebaudiana), arbusto nativo do Brasil e do Paraguai é conhecido como açúcar verde. Este adoçante natural é 300 vezes mais doce que o açúcar e não fornece calorias.

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O livro Plantas Medicinais em Casa: a ajuda mais natural para cada ocasião reúne 130 plantas medicinais. As autoras, a farmacêutica María Tránsito López e a jornalista Carlota Máñez esclarecem que as plantas catalogadas são para resolver problemas simples, como uma azia após comer alimentos gordurosos.

São conhecidas 50 mil plantas medicinais. Já pensou contar com elas em seu jardim? Seu quintal (ou sacada) pode ter remédios poderosos. Um bom chá alivia a indigestão e melhora o sono. Quer ter uma “farmácia verde” em casa? Essas cinco plantas medicinais são infalíveis. Explicaremos como plantar e cuidar delas. Quer transformar vasos em farmacinhas? Fique ligado em nossas dicas.

Boldo

Exagerou na comida? Bebeu demais? Chá de boldo é a solução. A erva é um arbusto que mede até dois metros de altura. É nativo das regiões montanhosas do Chile, sendo encontrado também na Argentina e no sul do Peru. Existem quatro tipos: o boldo do Chile, o boldo comum, o boldo Vernônia, e o boldo europeu. No Brasil, o mais conhecido é o chileno.

Além de melhorar a digestão, a erva age como antioxidante, antifúngico e antibactericida e trata prisão de ventre. O boldo não serve apenas para problemas digestivos. A planta tem lactona. Essa substância de gosto amargo queima gordura. Quem faz dieta e quer usar o chá deve consultar o nutricionista. O boldo ainda tem efeito calmante.

Contraindicações: gestantes, pessoas com hepatite aguda, pancreatite e com as vias biliares inflamadas e obstruídas. Se você não está nesse grupo, veja como preparar o chá.

Coloque 1 colher de sobremesa de folhas de boldo em uma xícara. Adicione água fervida. Tampe a xícara e espere 10 minutos. Coe as folhas e beba. O indicado é beber até três xícaras por dia durante cinco dias para limpar o fígado. Para prisão de ventre, uma xícara pela manhã outra à tarde.

O cultivo é fácil. O boldo não exige muitos cuidados, sendo sensível apenas à geada. Para plantar em vasos ou jardineiras, deixe 30 centímetros de profundidade. A planta deve ficar no sol. Veja como plantar e cuidar:

  • O vaso ou jardineira deve ter furos no fundo.
  • Coloque uma camada de argila expandida no fundo. Por cima, coloque uma manta de drenagem ou areia e um pouco de substrato.
  • Acrescentar adubo orgânico a cada 30 dias.
  • O boldo é regado a cada dois dias. Para ter certeza, enfie o dedo na terra.
  • A colheita é feita após seis meses. Corte a ponta dos ramos com tesoura.
Camomila

A camomila pertence à família do girassol. Também conhecida como camomila-vulgar, macela-nobre e macela-galega. A camomila alemã é a mais cultivada e tem sabor adocicado.  A camomila romana é mais amarga. O chá possui propriedades calmantes, digestivas e sedativas.

A bebida ameniza dores abdominais, controla vômitos, náuseas, diarreias e cólicas menstruais. É indicado para bebês e crianças com dificuldades para dormir. Os benefícios da camomila não param por aí. A flor tem fenólicos, composto que combate o envelhecimento das células e fortalece o sistema imunológico.  A camomila ainda tem glicina, substância que produz colágeno, tanino, um cicatrizante natural e ácido antêmico, substância oleosa usada para tratar má circulação e dor de dente.

É fácil preparar o chá. Ferva três xícaras de água e coloque dez colheres de chá de camomila. Aguarde cinco minutos e beba.

A flor é usada como cosmético. Misturar a infusão em um xampu neutro clareia os cabelos. Para as terríveis olheiras, basta misturar o chá frio com duas colheres de iogurte natural. Aplique na região e deixe agir de 15 a 20 minutos. Seu problema são os cravos? Faça uma máscara com duas colheres de sopa de chá de camomila, uma colher de sopa de suco de limão e duas colheres de sopa de iogurte natural. Aplique nas áreas atingidas pelos cravos, espere 20 minutos e lave com água fria.. Aplique nas áreas atingidas, espere 20 minutos e lave com água fria.

O cultivo deve ser feito no verão. Pode ser em vasos ou jardineiras grandes de plástico ou cerâmica. No tutorial a seguir, você verá como é fácil.

  • Escolha um local com luz solar direta ou indireta.
  • Duas partes de terra negra e uma de areia de rio para drenar a água.
  • Coloque as sementes em solo drenado e com matéria orgânica.
  • Pressione as sementes a uma profundidade de 0,5 centímetros e colocar adubo orgânico.
  • Deixar à sombra após os primeiros dias.
  • Regar uma vez por semana, mas sem encharcar
  • Colheita após três ou quatro meses. As flores devem estar totalmente abertas.
Hortelã

A hortelã é uma planta medicinal aromática. Para fins medicinais, as mais usadas são a Mentha spicata e a Mentha aquática. É rica em vitamina B, C, D, ferro e cálcio. A planta é utilizada também na culinária e em bebidas. Melhora a digestão, pois, combate parasitas intestinais como giardia que ataca o intestino delgado. A hortelã fortalece o sistema imunológico, alivia dor de cabeça, ameniza cólicas menstruais e ajuda a perder peso. Os árabes consideram o chá um grande afrodisíaco.

Contraindicações: em excesso aumenta a acidez estomacal. Na gravidez, há risco de aborto.

Essa erva aromática ainda faz bem a pele. Coloque folhas de hortelã em água fervida. Deixe o rosto em contato com o vapor durante cinco minutos. Faça o procedimento uma vez por semana. A pele ficará super hidratada.

Você pode plantar em vaso baixo, pois, a hortelã não tem raízes profundas. Confira o passo a passo:

  • Escolha um local ensolarado ou com sombra parcial.
  • Faça furos no vaso para não acumular água e apodrecer as raízes.
  • Coloque no vaso argila expandida e manta bidim.
  • Não deixe a terra seca durante a fase de crescimento.
  • Adube mensalmente ou quando as folhas estiverem amareladas.
  • A colheita deve ser feita quando o aroma estiver forte.
  • Colha até três vezes por ano. Pegue apena o que precisar.
Passiflora

É um gênero botânico com 500 espécies de plantas. A maior parte são trepadeiras, mas, também existem arbustos e as poucas herbáceas são conhecidas pelo seu fruto, o maracujá. A passiflora é nativa da América do Sul. A região Centro-Oeste do Brasil tem a maior concentração do gênero. As espécies exploradas comercialmente são o maracujá roxo, o amarelo e o maracujá doce. A passiflora incarnata (flor-da-paixão) e o maracujá doce são os mais usados em remédios fitoterápicos.

As flores, folhas e caules da passiflora são aproveitados para fazer chá, cápsulas e tinturas. Ela é indicada para insônia e a irritabilidade na TPM. Os calcalóides e flavonoides agem como antidepressivos. A flor ainda melhora a concentração, relaxa a musculatura, ajuda a emagrecer, combate infecções e controla a pressão arterial. O consumo deve ser feito mediante orientação de nutricionista ou um nutrólogo. Quem exagera na dose fica extremamente sonolento. Outros efeitos colaterais são cefaleia, vômito, náusea e taquicardia.

Contraindicações: gestantes, quem faz uso de remédios com ação sedativa, hipnótico ou antialérgico.

O maracujá pode ser cultivado em vasos. Escolha modelo com capacidade superior a 45 litros. As temperaturas ideais variam entre 23º e 25º. Quando exposto a chuvas fortes ou prolongadas, a árvore fica fraca. Veja como plantar:

  • Sacos de polietileno pretos (14×28 centímetros) com furos, ou copos plásticos de 400 ml.
  • Lixe as sementes dos dois lados com lixa fina. Deixe-as de molho em GA3 (acido giberellico) ou suco concentrado de maracujá azedo 24 horas antes da semeação.
  • Deixe as sementes rasas e cubra-as com 3 milímetros de substrato para mudas.
  • A germinação demora de 14 a 28 dias.
  • Crescimento estimulado com exposição solar de onze horas por dia.
  • Regar sem encharcar a terra.
Verbena

Também conhecida como gervão, erva-de-ferro e planta-da-sorte. Planta subarbustiva com folhas verde claras. As folhas internas têm formato oval ou oblongo. Suas flores podem ser rosadas e brancas. A verbena atinge de 40 a 80 centímetros de altura. Nativa da América do Sul e muito comum na Europa e América do Norte. Durante a Antiguidade era utilizada para afastar o “mau olhado”. Os romanos faziam poções para atrair o amor.

A verbena tem ação sedativa, ajuda no tratamento da insônia e controla a ansiedade e o estresse. A planta melhora problemas gástricos, alivia sintomas da bronquite, asma e faringite. A verbena melhora enxaqueca de origem nervosa ou associada ao ciclo menstrual. O óleo essencial alivia dor de queimaduras leves. A planta é considerada um poderoso afrodisíaco.

Contraindicações: mulheres menstruadas e pessoas com problemas na tireoide.

Para fazer o chá coloque duas colheres de sopa de verbena em ½ litro de água fervida. Espere dez  minutos e beba. Para casos de insônia, uma xícara antes de dormir. Para problemas digestivos, uma xícara após as refeições.

A verbena gosta de sol, porém, tolera o frio. Pode ser plantada em vasos, canteiros e jardins. Veja como é fácil cultivar:

  • Escolha um vaso grande para a raiz ter espaço.
  • Solo deve ser rico em nutrientes.
  • Coloque adubo orgânico para as raízes crescerem fortes.
  • Molhar três vezes por semana, mas sem encharcar.
  • Remova as folhas que estiverem secas.
  • Quando as folhas caírem, replante e pode folhas e raízes.
  • Folhas enferrujadas precisam ser tratadas com fungicidas.

Viram só quantas opções de plantas medicinais? Agora é colocar as mãos na terra e preparar sua “farmácia verde”. Mas, atenção, não consuma os chás em excesso. A diferença de remédio para veneno é a dose. Não substitua o tratamento convencional por chás. Use sua “farmácia verde” com muita consciência.


Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

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