Saúde Integral

Menopausa: O bicho papão que habita a mulher.

Mulher idosa, vestida de branco com os olhos fechados, cabelo ao vento, secando a testa com um pano branco, com um céu azul ao fundo.
Larissa Guerra Nammur



Não, não é um título meramente sensacionalista. É um sentimento intrínseco em diversas mulheres. Diferentemente do homem, a mulher apresenta marcos muito bem registrados em sua vida, a menarca (primeira menstruação), ruptura do hímen (símbolo da perca da virgindade), e a última menstruação. Desde pequenas, associamos menopausa a sensações de desconforto, envelhecimento e perda de feminilidade, nos preparando para a pior fase da vida da mulher. Mas será mesmo que a menopausa é tão ruim assim?

A menopausa é definida como a ausência de menstruação por pelo menos 12 meses consecutivos, ocorrendo geralmente entre os 45-55 anos,
 podendo também estar presente precocemente por algum problema hormonal ou orgânico. Com o envelhecimento, acontece uma paralisação no desenvolvimento dos ovários, que leva a uma diminuição nos níveis de estrogênio (hormônio). Essa alteração hormonal é a grande responsável por alterações físicas, emocionais e metabólicas que acometem as mulheres durante a menopausa.

 

Contextualização histórica

Menopausa

A característica principal da menopausa na vida da mulher é a incapacidade de reprodução. Porém, desde os primórdios, sempre houve uma depreciação e incapacitação da mulher frente a esta fase da vida. Publicações de 1930 relatam as alterações desta fase como BIZARRAS. E se você acha que esse pensamento é coisa do passado, saiba que, em 1995, ainda se encontravam artigos em revistas que traziam a mulher como ser social, físico, profissional e sexualmente incapaz durante a menopausa.

Simone de Beauvoir e Erica Jong relatam em livros de sua autoria que a sensação do envelhecer está estritamente relacionada com essa fase da vida, sendo o sentimento de terror o principal companheiro. E o medo maior que atinge a todas as mulheres é o desconhecido, o medo do que vem agora.

A partir de 1980, foi iniciado um movimento que traz um discurso contrário a tudo que era dito até então. Tentam mostrar a menopausa como uma fase rica e produtiva para a mulher. Medicações surgem e prometem a juventude eterna. Muitos estudos mostram que a maioria dos sintomas são combatíveis.

Nos anos 2000, surgem novos questionamentos: Terapia de reposição hormonal é segura? Estudos mostram alguns riscos que podem estar associados, e a reposição atualmente é mais bem pensada antes de ser indicada. E o medo continua, o desconhecido ainda assusta.

O que me aguarda durante a menopausa?

Nem todas as mulheres irão apresentar as mesmas queixas. Estudos mostram que a menopausa é vivida de forma diferente por mulheres de diferentes locais, e diferentes classes sociais.

As principais queixas entre as mulheres que estão passando por esta fase são: secura vaginal, ondas noturnas de calor, incontinência urinária, diminuição no tamanho das mamas, flacidez da pele, dor na relação sexual, diminuição do desejo sexual e sintomas depressivos. Além desses fatores, as mulheres precisam ficar atentas a algo que é invisível aos olhos: há uma redução na massa óssea, e aumento no depósito de gordura no sangue, então a atenção para doenças cardiovasculares e para a osteoporose deve aumentar!

Poxa, então a menopausa é realmente terrível, hein!?

Não devemos encarar assim, mas pensá-la como uma fase da vida que pede cuidados, serenidade e paciência. A menopausa traz uma libertação sexual para as mulheres, e muitas vezes uma maior sensação de plenitude e amadurecimento como ser humano. Mas, pensando nesses desconfortos e objetivando chegar o mais próximo possível deste estado de maior equilíbrio, temos várias atividades que podem beneficiar nosso corpo e mente.

Como passar pela menopausa da melhor forma possível?

Menopausa

A terapia hormonal é muitas vezes considerada pelos médicos, mas, além dela, temos várias alterações no estilo de vida que podem nos ajudar a passar pela menopausa de forma mais tranquila.

– Calores noturnos: Para os famosos fogachos é indicado deixar o ambiente arejado (janelas abertas, ventilador, ar condicionado), e utilizar roupas mais leves e confortáveis. Um exercício que pode ajudar é trabalhar a respiração, de forma que seja lenta e profunda, principalmente antes das ondas de calor.

– Dor na relação sexual e secura vaginal: A redução na lubrificação é o que muitas vezes causa essa dor durante o ato sexual. Há diversos lubrificantes que podem ser indicados pelo ginecologista para melhorar esse sintoma. Outro tratamento, pouco conhecido, para essas queixas é a fisioterapia pélvica, que trabalha o relaxamento e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico.

– Incontinência urinária: A incontinência urinária, famosa perda de urina, pode ocorrer nas mulheres nessa fase da vida, devido a questões hormonais. O tratamento de melhor evidência também é a fisioterapia pélvica, para conscientização e fortalecimento muscular.

– Flacidez da pele: Há uma diminuição de colágeno na pele, devido à queda de estrogênio. Alguns cuidados importantes que são básicos, mas muito menosprezados pela maioria das pessoas são a ingestão adequada de água e cuidados com a proteção solar.

– Sintomas depressivos: Muitas alterações no humor ocorrem nessa fase, em um dia, você acorda feliz da vida, no outro, não quer olhara para ninguém. É importante que seja determinada uma rotina de exercícios, preferencialmente atividades em grupo que tragam maior socialização. Além disso, um acompanhamento com psicólogo pode ser muito bem-vindo, já que é uma fase de muito estresse.

– Doenças cardiovasculares: Exercícios físicos são sempre bem-vindos, mas, quando há risco de doença cardiovascular, são duplamente orientados. Exercícios aeróbicos como dança, corrida e bicicleta são ótimos para atuar na prevenção de doenças cardiovasculares. Outra coisa que deve receber atenção é a alimentação, e se houver dificuldade em deixar os hábitos ruins de lado, procure um nutricionista para melhor ajudá-la.

– Osteoporose: Na osteoporose, o que temos é uma diminuição da massa óssea. Para aumentar a massa óssea e a massa muscular precisamos realizar exercícios que sobrecarreguem nossos esforços diários. O que isso quer dizer? Precisamos de exercícios resistidos para melhorar este aspecto.

Como eu disse anteriormente, muitos hábitos podem ser melhorados para que os famosos desconfortos da menopausa sejam reduzidos. E, não, nem todas as mulheres vão passar por tudo isso, mas muitas acabam por experimentar alguma alteração. Cada mulher é singular e vai viver sua menopausa de forma única. Mas vale ressaltar que a prevenção é sempre o melhor caminho. Levar uma vida saudável sempre é algo positivo e traz inúmeros benefícios para sua vida. O mais importante nessa fase é cuidar da sua autoestima e do seu bem-estar. Faça coisas que te façam se sentir conectadas com você, tragam boas energias. Yoga, Pilates, Dança, Musculação, Corrida, Meditação, não importa o método, mas, sim, o seu encontro consigo mesma.

Encare a menopausa!

Passamos pela primeira menstruação, algumas, pela primeira gestação, e algum dia, todas passaremos pela menopausa. E, como o próprio verbo indica, ‘passar’ é algo transitório, que logo se acaba, que não é eterno.

Então, viva a vida em sua plenitude, abrace os bons hábitos, abandone os vícios ruins, descubra-se em novas esferas, novos olhares, desperte seu corpo. E não se sinta mal em buscar ajuda profissional para enfrentar todas as novidades que podem aparecer. Não se isole, você não está sozinha.

Menopausa

A menopausa pode ser uma fase linda na vida da mulher, porque entre todas as particularidades que podem envolvê-la, a maior delas é o amadurecimento.
 O amadurecimento do corpo feminino, o encontro com seu tão famoso sagrado feminino nunca será tão forte. Devemos perceber cada ruga como um troféu individual. Olhe para trás, para tudo o que passou e veja que incrível universo particular criou. Seja bem-vinda ao pós-menopausa.

Tem alguma dúvida sobre a menopausa ou a atuação da Fisioterapia pélvica na saúde da mulher? Comente!

Abraços.

Gratidão pela leitura.

Volte sempre!

Sobre o autor

Larissa Guerra Nammur

Larissa Guerra Nammur

Fisioterapeuta pela UFTM, mestra pela USP. Atuo desde o início da formação na área de fisioterapia pélvica. Trabalho com homens, mulheres e crianças que apresentam alguma disfunção intestinal, urinária ou sexual. Tenho trabalhos específicos com gestantes e pacientes oncológicos.
Sou fundadora do grupo Gestaser em Uberaba, projeto que nasceu pela necessidade de socializar, educar e integrar mulheres que estão passando por uma fase tão única como a gestação e a maternidade. O objetivo do grupo é acolher as necessidades, receios, prazeres e felicidades do gestar, e trazer uma compreensão à gestante de que ela não está sozinha, e que muitas alterações fisiológicas estão ocorrendo em seu corpo neste momento.
Minhas pesquisas, na graduação e pós graduação, foram sempre voltadas para pacientes oncológicos (câncer de próstata) e idosos

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