Autoconhecimento Psicologia

Os arquétipos junguianos

Ilustrações de máscaras de cores diferentes, pospostas umas às outras.
Irina Alex / Pixabay
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Você já ouviu essa palavrinha difícil chamada “arquétipo”? Apesar de ter esse nome difícil, a ideia dela é muito simples: arquétipos são como padrões e/ou modelos que certas palavras, pessoas e profissões, por exemplo, fazem vir à nossa mente.

Quer um exemplo? O que você pensa quando lê a palavra “mãe”? Em algo como cuidado, proteção e afeto, não é? Porque mãe é um arquétipo disso, um modelo de tudo isso.

Um dos principais responsáveis por estudar, explorar e apresentar os arquétipos foi o famoso psiquiatra e psicólogo Carl Jung. Entender a definição de arquétipo que ele propôs pode nos ajudar a entender muito sobre quem somos e sobre o que faz sentido para a nossa vida. Quer entender mais sobre isso? Confira!

Carl Jung e a psicologia analítica

Carl Gustav Jung (1875-1961) nasceu na Suíça e foi um famoso psiquiatra e psicólogo. Ele criou uma abordagem da psicologia que é estudada e usada até hoje, a psicologia analítica (ou psicologia junguiana), que ele idealizou para se diferenciar da psicanálise de Sigmund Freud.

Entre os principais pontos da psicologia analítica estão a ideia de que é impossível analisar os indivíduos como únicos, porque devemos levar em conta as influências da sociedade e do que ele chama de inconsciente coletivo (veja mais no tópico a seguir).

Uma fotografia de Carl Gustav Jung. Ele segura um cachimbo.
ETH Library, Public domain / Wikimedia Commons

Jung dava muito importância aos sonhos, à arte e à espiritualidade, unindo todos esses conceitos no estudo da psicologia humana. Além disso, Jung acreditava na existência de dois tipos de inconsciente: o coletivo (compartilhado por todos nós) e o pessoal (individual e único). Para ele, a primeira infância impacta muito o ser humano.

Por fim, os arquétipos são bastante utilizados em sua obra, esses modelos de comportamento e padrões que compõem a nossa personalidade e nos diferenciam uns dos outros. Confira mais sobre esse conceito seguindo na leitura do artigo.

O que é inconsciente coletivo?

Como explicado na introdução, arquétipos são modelos ou padrões nos quais pensamos quando vemos uma palavra, uma pessoa, uma profissão ou uma atitude, por exemplo.

Segundo Carl Jung, criador da psicologia analítica, os arquétipos estão armazenados no que ele chama de inconsciente coletivo. Essa expressão significa simplesmente aquele conhecimento que compartilhamos como sociedade, como cultura ou espécie.

Voltando no exemplo de mãe: pensamos em afeto, proteção e carinho ao lermos a palavra “mãe” porque esses são os papéis esperados de uma mãe na nossa sociedade, e isso é o que Jung chamou de inconsciente coletivo. Ou seja, aquilo que todos (ou quase todos) nós pensamos diante de uma situação, pessoa, palavra etc.

Jung e os arquétipos

Ainda segundo Jung, essas informações todas estão armazenadas no nosso inconsciente, por isso é que a sensação de pensar em afeto, proteção e carinho ao ler “mãe” é quase automática.

Portanto não é algo que você escolhe pensar, uma conclusão sua, é algo que você foi levado a pensar porque entendeu que o arquétipo de mãe é o da mulher protetora, carinhosa e afetuosa.

De acordo com Jung, nós não nascemos como uma “folha em branco”, mas com uma espécie de “herança” que é resultado de todas as gerações anteriores a nós. E todo esse tempo passado é que formou e cristalizou em nosso inconsciente coletivo os arquétipos.

Entender os arquétipos, segundo a psicologia analítica, é importante para entendermos quem somos, como nos comportamos e como se comportam as pessoas à nossa volta. Isto é, é um processo de autoconhecimento e de entendimento sobre o mundo.

Os arquétipos junguianos

Em seu livro “Na natureza da psique”, publicado em 1960, Jung definiu as pessoas em 12 arquétipos baseados nos nossos padrões de comportamento. Esses arquétipos aparecem nas pessoas à nossa volta, nas mitologias e religiões, em sonhos, filmes, livros e são até mesmo usados pela publicidade para definir um público-alvo.

Veja abaixo quais são os 12 arquétipos propostos por Jung e analise com qual deles você mais combina.

1 – O Sábio

Um homem idoso lendo um livro.
bowie15 de Getty Images / Canva

Esse arquétipo é daquela pessoa que é apaixonada e fascinada pelo conhecimento. São pessoas muito intelectuais e ganhar cada vez mais conhecimento é o maior objetivo de suas vidas. Além disso, são pessoas muito racionais e que se conduzem muito raramente pelos seus sentimentos e suas emoções.

O Sábio sempre resolve os seus problemas e conflitos por meio da lógica e de soluções inteligentes. Por serem tão racionais e terem uma mente muito prática e pragmática, não costumam ser criativas e inventivas, preferindo ser mais conservadoras, seguindo “receitas de bolo” em vez de optar pela ousadia.

2 – O Inocente

A principal característica do arquétipo d’O Inocente é o seu otimismo. Ele é tão otimista que, muitas vezes, é imprudente e incapaz de se precaver e evitar erros que seriam facilmente impedidos. O lado positivo é que ele é bastante resiliente e sempre dá a volta por cima depois de derrotas, sendo bastante adaptável e flexível.

O Inocente sente uma necessidade enorme de buscar a felicidade e de ser reconhecido e aprovado, então a opinião das pessoas é muito importante para ele. Outro ponto é que, justamente por ser inocente, ele tem dificuldade de ver maldade nas pessoas e de perceber se está sendo enganado ou iludido.

3 – O Explorador

O Explorador é o arquétipo que representa as pessoas inquietas, que odeiam estagnação e estabilidade e estão sempre tomando decisões ousadas, combatendo a rotina e caindo de cabeça em aventuras. O desejo dessas pessoas é explorar todas as possibilidades e absorver o máximo delas.

São pessoas pouco organizadas e que estão sempre “prontas para ir”. Além disso, são bastante insatisfeitas, porque estão sempre em busca de algo mais, portanto sentem dificuldades de assumir compromissos e de criar raízes, porque sabem que a qualquer momento podem querer se mandar.

4 – O Governante

Líderes natas: assim podem definidas as pessoas que pertencem ao arquétipo d’O Governante. Além de habilidades de diplomacia que fazem com que elas consigam conversar com todo mundo, elas têm uma voz firme e conseguem impor sua vontade diante de qualquer situação que se apresente.

São pessoas racionais, que têm sempre um plano e estão constantemente em busca de estar no controle e de assumir o poder em qualquer situação, seja no ambiente de trabalho ou na relação afetiva. Qualquer um que fique em seu caminho se torna seu alvo. Por fim, elas têm dificuldade de se contentar com o agora e querem sempre mais.

5 – O Criador

O Criador se parece um pouco com O Explorador, com a diferença de que quem “viaja” mais é a mente d’O Criador, em vez de seu corpo. Ele tem uma mente bastante inquieta e está sempre tendo ideias novas e elaborando planos novos. Além disso, ele é capaz de criar uma nova realidade sem mudar nada, apenas usando sua mente.

Um dos problemas que ele enfrenta é que, muitas vezes, acaba perdendo o timing de tomar uma atitude, por passar tempo demais planejando ou ensaiando. Além disso, frequentemente ele acaba se lançando em voos mais altos do que aqueles que são possíveis, por ser ambicioso e acreditar muito em si mesmo.

6 – O Cuidador

Um homem estendendo seu braço para baixo.
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O Cuidador é o arquétipo das pessoas afetuosas, que muitas vezes se sacrificam para agradar e cuidar do outro, porque sentem quase que uma obrigação de prover cuidado ao próximo. O afeto e o carinho estão em praticamente todos os seus planos e ele abre mão do seu egoísmo para satisfazer quem quer que seja.

Um dos seus pontos negativos pode ser justamente a dificuldade de ver valor em si mesmo quando não está perto de ninguém, encontrando sentido numa vida somente com sua própria presença. Além disso, essas pessoas frequentemente assumem mais compromissos do que podem cumprir, na ânsia de agradar a todos.

7 – O Mago

A intuição é a principal característica d’O Mago, que está sempre procurando o que está oculto além do que pode ser visto. Não é que ele é conduzido por emoções e sentimentos, porque é mais algo que beira à espiritualidade, como sensações, pressentimentos, presságios, entre outros.

O Mago é uma pessoa que consegue promover mudanças não somente em sua vida, mas na vida de todos em seu entorno, quase que de maneira revolucionária. O problema é que podem ser muito idealistas, tendo ideias pouco práticas, sentindo-se frustrados e acabando um pouco isolados e solitários nesse processo.

8 – O Herói

O Herói é um ponto intermediário entre O Cuidador e O Governante. Ao mesmo tempo em que suas motivações normalmente são nobres, seus métodos podem não ser, porque ele está disposto a fazer o necessário para “derrotar o vilão”, como qualquer herói. Eles têm conceitos de bem e mal próprios e são inflexíveis.

São muito ambiciosos e gostam de ser aplaudidos e reconhecidos, mas não por ego; como eles sempre sentem que estão fazendo algo por um “bem maior”, esperam reconhecimento por isso. Podem acabar se tornando arrogantes, com pouca disponibilidade para ouvir outros pontos de vista.

9 – O Bandido

Não há nenhuma maldade implícita no arquétipo d’O Bandido. Na verdade, talvez ele devesse se chamar O Revolucionário ou algo assim, porque sua principal característica é uma grande dificuldade de seguir regras e leis, por ter sua própria ideologia e seus próprios conceitos.

Isso não significa que essa pessoa será transgressora, apenas que é bastante independente e se sente indisposta a ter comportamento de massa e a fazer o que é esperado de todos. Ela se sente muito desconfortável quando é pressionada ou influenciada e pode ser autodestrutiva e autosabotadora por causa de sua rebeldia.

10 – O Amante

O Amante é uma pessoa que tem um olhar bastante sensível e poético em relação à vida, enxergando beleza em tudo, inclusive nas coisas mais cruéis e difíceis. Então ela sente facilidade de ser positiva nos momentos adversos da vida. Sua emoção sempre fala mais alto que a razão, o que é um ponto tanto positivo quanto negativo.

Além de amar bastante e com muita intensidade, ela sente que também precisa ser amada, então sua carência afetiva costuma ser bastante grande. Por fim, são pessoas com gosto refinado, grande senso estético, etiqueta e educação, tendo até certa dificuldade de relaxar e de ser mais informais e despojadas.

11 – O Tolo

Uma mulher escondendo sua expressão de riso com uma de suas mãos.
Japan Photos / Canva

Não, tolo não é uma ofensa no nome desse arquétipo. O Tolo se refere a pessoas de riso fácil e frouxo. Ou seja, são aquelas pessoas que fazem piada sobre tudo, inclusive (e principalmente) sobre si mesmas. Irônicas e bem-humoradas, elas têm dificuldade de levar qualquer coisa a sério.

O Tolo é uma pessoa sincera demais, que não consegue esconder o que sente e que prefere fazer piadas com seus próprios sentimentos do que escondê-los. Ela consegue deixar qualquer ambiente leve, mas a falta de seriedade em sua postura faz com que seja preguiçosa e tenha certa dificuldade de ser decidida e séria.

12 – O Órfão

O Órfão é o arquétipo das pessoas melancólicas e bastante dramáticas, para quem a solidão dói muito e é sinônimo de abandono. Elas têm dificuldade de se virar sozinhas e se sentem muito melhores quando tem alguém por perto “cuidando delas”, então essa carência às vezes pauta sua vida.

O lado bom é que elas não são egoístas e entregam na mesma medida que amam receber. São pessoas muito empáticas, com escuta ativa e grande capacidade de amar e entender a dor do outro. Por fim, elas têm certa tendência a se vitimizar e dificuldade de reconhecer sua culpa e sua responsabilidade em relação à sua vida.

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Enfim, esses são os 12 arquétipos de Jung, que podem te ajudar a conhecer um pouco mais sobre si! Mas lembre-se: somos muito mais do que uma definição e, muitas vezes, todos esses arquétipos se misturam em nossa personalidade, então não leve isso a sério demais!

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